Os resultados do terceiro trimestre de 2025 da Usiminas, negociada sob o ticker USIM5, mostram um forte contraste entre números contábeis e desempenho operacional. Em um ambiente marcado por excesso de aço importado, preços pressionados e desaceleração da demanda industrial, a companhia conseguiu apresentar avanços expressivos em geração de caixa, desalavancagem e eficiência financeira.
O principal destaque do trimestre foi o salto de 118% no fluxo de caixa livre, indicador que se tornou o verdadeiro termômetro da saúde financeira da empresa no período.
Principais números do 3T25
| Indicador | 3T25 | Situação atual |
|---|---|---|
| Receita líquida | R$ 6,6 bilhões | Pressionada por preços |
| EBITDA ajustado | R$ 434 milhões | Alta de 6% |
| Margem EBITDA | 6,6% | Estável |
| Fluxo de caixa operacional | R$ 878 milhões | Forte geração |
| Fluxo de caixa livre | +118% t/t | Principal destaque |
| Dívida líquida | R$ 327 milhões | Queda de 69% |
| Dívida líquida / EBITDA | 0,16x | Menor nível em quase 2 anos |
| Resultado líquido | -R$ 3,5 bilhões | Impacto contábil |
| Lucro líquido ajustado* | R$ 108 milhões | Operação lucrativa |
*Excluindo efeitos extraordinários de impairment e ajustes fiscais.
Geração de caixa vira pilar central da estratégia
Mesmo com receita pressionada, a Usiminas conseguiu transformar eficiência operacional em caixa. O controle rigoroso do capital de giro liberou recursos relevantes, impulsionando o fluxo de caixa operacional e permitindo uma redução agressiva da dívida.
Esse movimento levou a alavancagem financeira para 0,16 vez o EBITDA, patamar considerado extremamente confortável para uma empresa siderúrgica, especialmente em um momento de ciclo desfavorável.
Endividamento em queda fortalece balanço
A estratégia financeira foi clara: usar o caixa gerado pela operação para reduzir riscos. Ao longo do trimestre, a companhia realizou recompras relevantes de dívidas no Brasil e no exterior, alongando o perfil do passivo e diminuindo despesas financeiras futuras.
Na prática, o balanço da Usiminas saiu do trimestre mais enxuto, mais líquido e menos exposto a choques externos, criando uma espécie de “colchão de proteção” para atravessar o atual ciclo do setor.
Importações de aço seguem como principal desafio
O cenário operacional segue desafiador. O mercado brasileiro foi inundado por aço importado, com crescimento superior a 30% no volume nos nove primeiros meses do ano, pressionando preços, margens e produção nacional.
Essa dinâmica afeta não apenas a siderurgia, mas também setores estratégicos da economia, como automotivo, bens de capital e máquinas industriais. O efeito cascata reduz demanda interna e limita a capacidade de repasse de custos.
Desempenho por segmento mostra estratégia bem executada
Siderurgia
Mesmo com queda de preços, a divisão conseguiu reduzir custo por tonelada, protegendo margens e mantendo o EBITDA positivo. O foco foi eficiência operacional e ajuste fino da produção à demanda.
Mineração
A mineração foi um dos pilares do trimestre, com volumes mais elevados e preços mais favoráveis, ajudando a compensar a pressão da siderurgia e sustentando a geração de caixa consolidada.
Prejuízo bilionário é contábil, não operacional
O prejuízo líquido de R$ 3,5 bilhões registrado no trimestre chamou atenção, mas não reflete a realidade operacional da empresa. O número foi fortemente impactado por impairment de ativos e ajustes fiscais — efeitos contábeis que não afetam o caixa.
Sem esses impactos extraordinários, a Usiminas teria encerrado o trimestre com lucro líquido ajustado de R$ 108 milhões, reforçando que a operação foi, de fato, rentável.
Perspectivas indicam estabilidade no curto prazo
Para o quarto trimestre, a expectativa é de manutenção do nível de rentabilidade. A siderurgia tende a registrar volumes um pouco menores, típicos do fim de ano, enquanto custos seguem sob controle. Na mineração, a projeção aponta leve acomodação de volumes.
O foco permanece na preservação de caixa, disciplina financeira e adaptação ao ambiente competitivo.
O que o mercado passa a observar em USIM5
O terceiro trimestre deixou uma mensagem clara: a Usiminas conseguiu arrumar a casa. A grande questão para os próximos trimestres é se essa disciplina interna será suficiente para enfrentar, no médio e longo prazo, um cenário de concorrência global intensa e importações elevadas.
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