Uma nova pesquisa do Datafolha revelou que a maioria dos brasileiros é contrária à exploração de petróleo e gás na Foz do Amazonas, região localizada na costa do estado do Amapá, na chamada Margem Equatorial Brasileira. O levantamento, encomendado pela organização Eco – Organização de Responsabilidade Corporativa, aponta que 61% dos entrevistados acreditam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve vetar o projeto de exploração da Petrobras.
O estudo foi realizado nos dias 8 e 9 de setembro com mais de 2.000 brasileiros e ganhou ainda mais destaque por ter sido divulgado às vésperas da COP 30, conferência global do clima que ocorrerá em Belém do Pará, no coração da Amazônia, no próximo mês.
Petrobras aguarda decisão do Ibama
A Petrobras, que tem perseguido essa licença desde 2023, já investiu valores milionários na preparação da campanha de exploração. A estatal mantém uma sonda parada e pronta para perfurar a região desde agosto, aguardando apenas a autorização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Segundo o repórter Rodrigo Viga, da Jovem Pan News, o custo diário dessa espera ultrapassa R$ 4 milhões, totalizando dezenas de milhões de reais já gastos sem retorno.
A licença ambiental é o último obstáculo antes do início das operações, que, segundo especialistas, poderiam colocar o Brasil entre os principais exploradores de petróleo da região equatorial. No entanto, ambientalistas alertam para o risco ecológico elevado, já que a área é próxima da foz do Rio Amazonas, um dos ecossistemas mais sensíveis do planeta.
Jovens lideram rejeição à exploração
A pesquisa mostrou que a resistência é ainda maior entre os jovens de até 24 anos — faixa etária na qual 73% são contrários à exploração. Esse dado reforça uma tendência global de maior consciência ambiental entre as novas gerações, especialmente em temas ligados à mudança climática e biodiversidade.
Para organizações ambientais, o resultado reflete uma mudança na percepção pública: cada vez mais brasileiros compreendem a importância de equilibrar desenvolvimento econômico e preservação ambiental, principalmente em regiões de alta sensibilidade ecológica como a Amazônia.
Contexto político e climático
A decisão sobre a exploração ocorre em um momento delicado para o governo federal, que busca consolidar sua imagem como líder ambiental internacional. A proximidade da COP 30 amplia a pressão sobre o presidente Lula, que tem defendido um discurso de “transição energética justa”, mas também quer garantir autossuficiência energética e crescimento econômico.
Enquanto a Petrobras argumenta que o projeto pode gerar empregos e arrecadação para o Amapá, entidades como o Greenpeace e o WWF-Brasil pedem que o governo mantenha a proibição, destacando o risco de desastres ambientais semelhantes aos registrados em outras regiões do mundo.
O que vem a seguir
A expectativa é de que o Ibama anuncie sua decisão ainda neste mês de outubro, definindo se a Petrobras poderá dar início à perfuração exploratória. O desfecho desse processo pode se tornar um marco nas políticas ambientais do governo Lula e na postura do Brasil frente à agenda global de combate às mudanças climáticas.
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