O Leapmotor C10 REEV não possui uma “bateria infinita”. O que permite ao SUV alcançar até 950 quilômetros de autonomia combinada, segundo a fabricante, é um sistema no qual o motor a gasolina trabalha exclusivamente como gerador de eletricidade.
Diferentemente dos híbridos convencionais, o motor térmico do C10 não tem ligação mecânica com as rodas. A movimentação do veículo é realizada pelo motor elétrico traseiro de 215 cv e 32,6 kgfm de torque.
Na prática, o motorista pode carregar a bateria em uma tomada, como em outros híbridos plug-in. Quando a carga diminui, o motor a combustão entra em funcionamento para gerar energia, permitindo que o carro continue rodando sem depender imediatamente de um carregador.
A solução é conhecida pela sigla REEV, de Range-Extended Electric Vehicle, ou veículo elétrico com autonomia estendida.
Leapmotor C10 não tem autonomia infinita
A expressão “bateria infinita” é tecnicamente incorreta. A bateria do C10 REEV tem capacidade nominal de 28,4 kWh e precisa receber energia de alguma fonte.
Essa energia pode vir de um carregador externo ou do gerador abastecido com gasolina. Portanto, quando a bateria não é recarregada na tomada, o veículo passa a depender do combustível para continuar produzindo eletricidade.
A Leapmotor informa autonomia combinada de até 950 quilômetros no ciclo WLTP, considerando a bateria carregada e o tanque abastecido. O WLTP é um procedimento internacional de testes, realizado em condições padronizadas.
No Brasil, o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular do Inmetro registra 111 quilômetros de autonomia no modo elétrico para o C10 REEV.
Os dois números não representam a mesma coisa. Os 111 quilômetros correspondem ao alcance utilizando a bateria, enquanto os 950 quilômetros divulgados pela marca consideram bateria e combustível em um ciclo de medição diferente.
A autonomia real pode variar conforme velocidade, relevo, temperatura, carga transportada, uso do ar-condicionado, estilo de condução e modo de gerenciamento de energia selecionado.
Como funciona o motor a gasolina do C10 REEV
No C10 Ultra-Híbrido, o motor elétrico é o único responsável por colocar as rodas em movimento. O motor 1.5 a gasolina funciona como uma unidade geradora.
A energia produzida pode ser utilizada para alimentar o motor elétrico ou manter a carga da bateria dentro do nível definido pelo sistema.
Segundo a Leapmotor, o motorista dispõe de diferentes modos de gerenciamento:
- EV+: prioriza ao máximo a bateria e aciona o gerador quando a carga alcança um nível mínimo;
- EV: privilegia o uso elétrico no cotidiano, mas permite o acionamento eventual do gerador;
- Combustível: combina bateria e gerador para ampliar a autonomia em viagens;
- Power+: aciona o gerador para garantir maior disponibilidade de energia.
Mesmo quando o motor a gasolina está funcionando, a tração permanece elétrica. Isso ajuda a preservar características como entrega imediata de torque e ausência de trocas de marcha.
O acionamento do gerador, entretanto, pode produzir ruído e vibrações. Por isso, a experiência não é idêntica à de um veículo totalmente elétrico durante todo o percurso.
REEV, híbrido plug-in e elétrico: quais são as diferenças?
| Tecnologia | O que movimenta as rodas | Como recebe energia | Ponto de atenção |
|---|---|---|---|
| Elétrico a bateria, ou BEV | Somente motor elétrico | Carregador externo e regeneração | Depende de recarga elétrica |
| Híbrido convencional, ou HEV | Motor térmico e elétrico | Combustível e regeneração | Autonomia elétrica geralmente limitada |
| Híbrido plug-in, ou PHEV | Motor térmico e elétrico | Tomada, combustível e regeneração | O motor térmico pode movimentar as rodas |
| Elétrico com extensor, ou REEV | Somente motor elétrico | Tomada, regeneração e gerador a combustível | Continua consumindo combustível quando o gerador opera |
O Inmetro enquadra o C10 REEV entre os veículos híbridos plug-in. A Leapmotor utiliza comercialmente a denominação “Ultra-Híbrido” para destacar que a tração é sempre elétrica.
Tanque pressurizado não torna a gasolina eterna
O tanque pressurizado do C10 também não representa um sistema de conservação ilimitada do combustível.
Segundo uma explicação técnica divulgada pela fabricante, o tanque mantém pressão interna superior à atmosférica para reduzir a perda de combustível por evaporação.
Quando o motorista solicita a abertura do bocal, o sistema realiza a despressurização e direciona os vapores para os dispositivos de captura de gases.
Essa solução também aparece em outros híbridos plug-in, especialmente porque esses veículos podem passar períodos prolongados circulando apenas com eletricidade. O tanque pressurizado reduz emissões evaporativas, mas não significa que a gasolina mantenha suas propriedades indefinidamente.
Onde o C10 REEV pode fazer mais sentido
A tecnologia de autonomia estendida procura atender consumidores que desejam utilizar eletricidade nos deslocamentos diários, mas ainda têm receio de depender exclusivamente de carregadores em viagens.
Em uma rotina com carregamento residencial frequente e percursos dentro do alcance elétrico, o gerador pode permanecer desligado durante boa parte do uso. Nesse cenário, o veículo funciona de maneira próxima a um elétrico a bateria.
Em viagens mais longas, o motorista pode abastecer o tanque e continuar o percurso mesmo quando não houver um carregador disponível. Essa flexibilidade é o principal diferencial do REEV.
O custo de utilização, entretanto, dependerá do preço da eletricidade, da gasolina, da frequência de recarga e da proporção de quilômetros percorridos com o gerador ligado.
Quem não pretende carregar o veículo regularmente pode aproveitar menos a bateria plug-in e depender com maior frequência da gasolina.
Sistema ainda exige motor, combustível e manutenção
Embora as rodas sejam movimentadas exclusivamente por eletricidade, o C10 REEV não elimina o conjunto a combustão.
O veículo continua tendo motor 1.5, tanque, sistema de alimentação, escapamento, lubrificantes e componentes relacionados ao controle de emissões. Esses sistemas precisam seguir o plano de manutenção definido pela fabricante.
Isso diferencia o REEV de um elétrico puro, que possui um conjunto mecânico mais simples e não utiliza combustível líquido.
Também não é correto classificar o C10 como um automóvel de emissão zero em todas as situações. Quando o gerador está ligado, há consumo de gasolina e emissão de gases pelo escapamento.
Segurança e presença da Stellantis
O C10 é comercializado com sete airbags e um pacote de assistência à condução que inclui frenagem automática de emergência, monitoramento de ponto cego, controle inteligente de velocidade e assistente de permanência em faixa.
A Leapmotor mantém uma parceria internacional com a Stellantis, formalizada por meio da Leapmotor International. No Brasil, a estrutura do grupo oferece suporte à distribuição de peças, concessionárias e pós-venda.
A marca também anunciou que o C10 e o B10 serão fabricados no Polo Industrial de Goiana, em Pernambuco. A Stellantis informou ainda que desenvolve uma futura motorização REEV Flex, mas os detalhes técnicos e o cronograma comercial desse sistema ainda dependem de novos comunicados.
O que o consumidor precisa avaliar
O principal mérito do C10 REEV não está em uma suposta autonomia infinita, mas na possibilidade de escolher entre carregar a bateria ou abastecer o gerador.
O sistema reduz a dependência exclusiva de carregadores em viagens, mantendo a tração elétrica. Em contrapartida, conserva a complexidade, o consumo de combustível e as necessidades de manutenção de um conjunto a combustão.
Antes da compra, é importante avaliar a existência de local para recarga, a disponibilidade de assistência técnica na região, o custo das revisões, a cobertura da garantia e o comportamento do veículo em condições reais de uso.
O QUE OBSERVAR AGORA
Principal ponto de atenção: a autonomia de até 950 quilômetros foi divulgada no ciclo WLTP e considera bateria carregada e tanque abastecido. O resultado real dependerá das condições de utilização.
Risco ou limitação: sem recargas frequentes, o veículo dependerá mais do gerador a gasolina, elevando o consumo de combustível e reduzindo parte da vantagem de um sistema plug-in.
Próximo dado importante: novas informações sobre a produção nacional do C10, o desenvolvimento da tecnologia REEV Flex e eventuais atualizações do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular.
O Leapmotor C10 REEV representa uma alternativa intermediária entre o híbrido plug-in tradicional e o elétrico puro. Ele não elimina a gasolina nem oferece energia ilimitada, mas utiliza o combustível de forma diferente: para gerar eletricidade, sem conexão mecânica entre o motor térmico e as rodas.
A proposta pode ser útil para quem deseja fazer os deslocamentos diários com eletricidade, sem depender exclusivamente da infraestrutura de recarga em trajetos mais longos. A decisão, contudo, deve considerar o padrão real de uso e os custos de manter dois sistemas de energia no mesmo veículo.
Aviso: este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e jornalístico. Não representa recomendação de compra, venda ou manutenção de ações, FIIs, títulos públicos, títulos privados, criptomoedas ou qualquer outro ativo financeiro. Antes de investir, avalie seu perfil, seus objetivos, os riscos envolvidos e consulte profissionais autorizados, se necessário.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






