O Leapmotor C10 elétrico chama atenção por reunir dimensões de SUV médio, motor de 218 cv, tração traseira e uma extensa lista de equipamentos tecnológicos. O modelo também se destaca pelo acabamento interno, pelo espaço para cinco ocupantes e pela proposta de competir em uma faixa cada vez mais disputada do mercado brasileiro de carros eletrificados.
Durante a gravação que serviu de base para esta análise, o veículo chegou a ser confundido inicialmente com o C10 Ultra-Híbrido REEV. A semelhança não é por acaso: as duas versões compartilham desenho, cabine e boa parte dos equipamentos. A ausência da portinhola para abastecimento de combustível revelou, porém, que o carro avaliado era a configuração totalmente elétrica.

O C10 BEV aparece anunciado por concessionárias da marca por cerca de R$ 204.990, enquanto o site oficial destaca atualmente o C10 Ultra-Híbrido REEV a partir de R$ 219.990. Como preços e campanhas podem mudar, a condição final deve ser confirmada diretamente com a concessionária.
Leapmotor C10 elétrico tem 218 cv e tração traseira
O conjunto mecânico utiliza um motor elétrico instalado no eixo traseiro, responsável por entregar 218 cv de potência e 32,6 kgfm de torque. A tração traseira ajuda a oferecer uma condução mais equilibrada e diferencia o modelo de alguns SUVs elétricos de entrada com tração dianteira.
Segundo informações divulgadas por concessionárias da marca, o C10 BEV acelera de zero a 100 km/h em aproximadamente 7,5 segundos e alcança velocidade máxima limitada a 170 km/h.
| Especificação | Leapmotor C10 BEV |
| Potência | 218 cv |
| Torque | 32,6 kgfm |
| Tração | Traseira |
| Bateria | 69,9 kWh |
| Autonomia Inmetro | 338 km |
| 0 a 100 km/h | Cerca de 7,5 segundos |
| Velocidade máxima | 170 km/h |
| Comprimento | 4,74 metros |
| Entre-eixos | 2,83 metros |
| Preço anunciado | Cerca de R$ 204.990 |
A aceleração não coloca o C10 entre os elétricos esportivos, mas é suficiente para entregar respostas rápidas no trânsito e retomadas seguras. Como não existe câmbio convencional, a entrega de força ocorre de maneira contínua, silenciosa e sem interrupções para troca de marchas.
Autonomia de 338 km atende ao uso diário?
A bateria de fosfato de ferro-lítio possui 69,9 kWh de capacidade. A autonomia homologada pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular é de 338 km, enquanto medições pelo ciclo internacional WLTP podem chegar a aproximadamente 420 km, dependendo da configuração e das condições de uso.
Na prática, os 338 km oficiais devem atender com folga à rotina diária de grande parte dos motoristas. Uma pessoa que percorra 40 km por dia, por exemplo, poderia teoricamente passar vários dias sem recarregar. O resultado real, entretanto, varia conforme velocidade, temperatura, uso do ar-condicionado, peso transportado, relevo e estilo de condução.
O modelo aceita recarga em corrente alternada de até 11 kW. Em corrente contínua, a potência e o tempo podem variar conforme o carregador e a condição da bateria. Uma concessionária informa aproximadamente 30 minutos para recuperar de 30% a 80% da carga e cerca de 7,8 horas para uma recarga em corrente alternada de 5% a 100%.
Dimensões colocam o C10 entre os SUVs médios
Com aproximadamente 4,74 metros de comprimento, 1,90 metro de largura, 1,68 metro de altura e 2,83 metros de entre-eixos, o Leapmotor C10 não é um SUV compacto. As dimensões são próximas às de modelos médios e favorecem principalmente o espaço para quem viaja no banco traseiro.
O piso traseiro praticamente plano amplia o conforto do ocupante central. Há ainda saídas de ar-condicionado para a segunda fileira, portas USB, ancoragens Isofix e teto panorâmico.
O porta-malas possui abertura elétrica e bom espaço para bagagens. Os números divulgados podem variar conforme o método de medição, mas concessionárias da marca indicam capacidade de até 517 litros.
As rodas de 20 polegadas usam pneus 245/45, enquanto a suspensão independente nas quatro rodas contribui para maior estabilidade e conforto. O conjunto traseiro independente também representa uma vantagem diante de SUVs que adotam soluções mais simples com eixo de torção.
Interior concentra quase tudo na tela de 14,6 polegadas
A cabine é um dos principais argumentos do C10. O modelo utiliza materiais macios em boa parte do painel e das portas, revestimentos de aparência sofisticada e iluminação ambiente.
O painel de instrumentos digital possui 10,25 polegadas, enquanto a central multimídia mede 14,6 polegadas. A tela principal reúne praticamente todas as funções do veículo, incluindo climatização, modos de condução, iluminação, abertura do porta-malas e configurações dos sistemas de assistência.
Os bancos dianteiros possuem regulagens elétricas, ventilação e aquecimento. O volante também pode contar com aquecimento, recurso pouco comum nessa faixa de preço.
A centralização dos comandos, entretanto, pode incomodar. Até a regulagem dos retrovisores externos é realizada pela multimídia, aumentando o número de etapas para funções que poderiam ter botões físicos.
Pacote de segurança traz sete airbags e assistentes de condução
O C10 oferece um pacote amplo de recursos de segurança. Entre os principais estão:
- Sete airbags;
- Controle de cruzeiro adaptativo;
- Frenagem autônoma de emergência;
- Alerta de colisão frontal;
- Assistente de permanência e centralização em faixa;
- Monitoramento de ponto cego;
- Alerta de tráfego cruzado traseiro;
- Frenagem para tráfego cruzado traseiro;
- Câmera com visão de 360 graus;
- Monitoramento de fadiga e distração do motorista.
A lista posiciona o SUV entre os modelos mais completos do segmento. O veículo também possui freios a disco nas quatro rodas, controle eletrônico de estabilidade, assistente de descida e função Auto Hold.
A câmera interna voltada para o motorista acompanha sinais de distração ou cansaço, enquanto as câmeras externas auxiliam em manobras e podem realizar gravações de imagens.
Cartão NFC no lugar da chave pode dividir opiniões
Um dos pontos mais controversos é o sistema de acesso. Em vez de uma chave convencional, o veículo utiliza um cartão NFC, que precisa ser aproximado do retrovisor externo para travar ou destravar as portas.
O smartphone pode ser cadastrado para assumir as funções de chave digital por meio do aplicativo da marca. A Leapmotor também oferece recursos conectados para consultar informações do automóvel e localizar estações de recarga.

Apesar da proposta tecnológica, o cartão pode ser menos prático para alguns usuários. Também não é possível abrir o porta-malas com o veículo travado sem antes realizar o desbloqueio.
Outro ponto discutível é a dependência excessiva da central multimídia. Ajustes de retrovisores, saídas de ventilação e outras configurações poderiam ser mais rápidos com comandos físicos.
Leapmotor C10 elétrico vale a pena?
O Leapmotor C10 elétrico apresenta um conjunto competitivo. O SUV entrega potência suficiente, ampla distância entre-eixos, cabine confortável, bom acabamento e uma lista robusta de sistemas de segurança.
A autonomia oficial de 338 km atende ao uso urbano e permite viagens, desde que o motorista planeje as paradas para recarga. O preço acima de R$ 200 mil, porém, coloca o modelo diante de concorrentes elétricos e híbridos já conhecidos pelo consumidor brasileiro.
Antes da compra, é importante avaliar a disponibilidade de carregadores na região, o custo do seguro, a rede de concessionárias, o valor das revisões e a possível desvalorização.
Para quem busca um SUV elétrico espaçoso, silencioso e muito equipado, o C10 surge como uma alternativa relevante. Já quem percorre longas distâncias com frequência e não possui infraestrutura confiável de recarga pode encontrar mais tranquilidade na versão Ultra-Híbrida REEV, que combina rodagem elétrica com um motor a gasolina utilizado como gerador e oferece autonomia combinada anunciada de até 950 km.
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