O crescimento da produção e a perspectiva de geração bilionária de caixa colocaram a PRIO no radar dos investidores que procuram dividendos. Entretanto, comprar PRIO3 esperando pagamentos elevados e imediatos pode ser uma interpretação precipitada da estratégia da companhia.
A petroleira pretende apresentar uma política formal de remuneração aos acionistas no segundo semestre de 2026. A expectativa é que a empresa passe a combinar dividendos com recompras de ações, mas sem abandonar sua estratégia de reinvestir em campos de petróleo e novas aquisições.
Atualmente, o retorno entregue ao investidor acontece principalmente por meio da recompra de ações. Na prática, a empresa utiliza parte do caixa para retirar papéis do mercado e mantê-los em tesouraria, podendo cancelá-los posteriormente.
Recompra de ações também beneficia o acionista
Segundo os dados apresentados no esboço que fundamenta esta análise, a PRIO acumulava aproximadamente 71 milhões de ações em tesouraria, equivalentes a cerca de 8% do capital da empresa. O valor desses papéis poderia alcançar aproximadamente R$ 4 bilhões, dependendo da cotação utilizada.
Quando uma companhia cancela ações recompradas, o número de papéis em circulação diminui. Assim, cada ação restante passa a representar uma parcela maior do negócio.
Em uma simulação simplificada, uma empresa avaliada em R$ 48 bilhões com 870 milhões de ações teria valor aproximado de R$ 55 por papel. Caso a quantidade fosse reduzida para 800 milhões de ações, mantendo-se o mesmo valor de mercado, o preço teórico subiria para aproximadamente R$ 60.
| Indicador da simulação | Antes do cancelamento | Depois do cancelamento |
|---|---|---|
| Valor da empresa | R$ 48 bilhões | R$ 48 bilhões |
| Número de ações | 870 milhões | 800 milhões |
| Valor teórico por ação | R$ 55,17 | R$ 60,00 |
Isso não significa que a cotação subirá automaticamente até esse valor. O mercado costuma antecipar os efeitos dos programas de recompra, enquanto petróleo, produção, custos e endividamento continuam influenciando o preço.
Produção maior fortalece a geração de caixa
A produção da PRIO alcançou 164,8 mil barris de óleo equivalente por dia em maio de 2026. No primeiro trimestre, a média ficou próxima de 155 mil barris diários, avanço de 42%, impulsionado por Peregrino e pelo início da contribuição de Wahoo.
O avanço é relevante porque os custos não necessariamente crescem na mesma proporção da produção. Com maior volume utilizando estruturas já instaladas, a companhia pode diluir despesas operacionais e ampliar a geração de caixa.
A administração ainda trabalha com a possibilidade de aproximar a produção dos 200 mil barris diários até o final de 2026, embora o resultado dependa da estabilidade dos campos, da abertura de novos poços e da conclusão dos projetos previstos.
Quanto a PRIO poderá devolver aos investidores?
Estimativas do Bradesco BBI apontam para um rendimento médio, somando dividendos e recompras, de aproximadamente 18% ao ano entre 2026 e 2030. O banco calcula fluxo de caixa livre ao acionista próximo de US$ 2,4 bilhões anuais, em média.
Isso não quer dizer que o investidor receberá 18% em dinheiro. A remuneração poderá ser distribuída entre:
- dividendos depositados na conta;
- recompra e cancelamento de ações;
- redução da dívida;
- investimentos em novos campos;
- aquisição de ativos ou empresas.
No esboço analisado, uma projeção baseada no ritmo recente de recompras indicava potencial de redução de aproximadamente 4,6% da base acionária em 12 meses. Essa estimativa depende da manutenção do volume investido e do preço médio das ações.
O que pode limitar os dividendos da PRIO3?
A política de dividendos deverá considerar principalmente o preço do petróleo, a dívida líquida em relação ao Ebitda e as oportunidades de investimento.
Caso a empresa identifique um campo com potencial de produção e redução de custos, poderá preferir direcionar o caixa para a aquisição. Essa estratégia faz parte do histórico da PRIO, que cresceu comprando ativos maduros e aumentando sua eficiência.
Por isso, dividendos elevados serão mais prováveis quando a dívida estiver controlada, a produção permanecer estável, o petróleo sustentar preços favoráveis e não houver aquisições mais rentáveis disponíveis.
Vale comprar PRIO3 esperando dividendos?
PRIO3 apresenta potencial para ampliar a remuneração ao acionista, especialmente a partir de 2027. Contudo, a companhia ainda não possui o mesmo perfil de empresas tradicionalmente procuradas por renda recorrente.
A tese continua baseada principalmente no crescimento da produção, eficiência operacional, redução de custos e capacidade de adquirir novos ativos. Os dividendos podem se tornar relevantes, mas provavelmente serão apenas uma parte do retorno total.
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