O aumento de anúncios e abordagens via WhatsApp, Facebook e Instagram tem impulsionado uma nova onda de golpes envolvendo falsas ofertas de crédito. As fraudes prometem empréstimos imediatos para aposentados, pensionistas, negativados e até pessoas sem comprovação de renda. Com propostas aparentemente irresistíveis, muitas vítimas aceitam as ofertas sem verificar a origem e acabam perdendo dinheiro — ou, pior, tendo empréstimos contratados em seus nomes sem autorização.
Taxa antecipada: o sinal mais evidente do golpe
O golpe mais comum acontece quando o criminoso exige um pagamento antecipado, alegando que a taxa é referente ao IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Embora o IOF realmente exista, ele já está incluído nas parcelas do empréstimo. Nenhuma instituição credenciada pelo Banco Central pode exigir pagamento antes de liberar crédito.
Assim, quando a vítima deposita o valor, o golpista simplesmente desaparece e o dinheiro nunca retorna.
Golpe do crédito consignado: criminosos já têm os dados da vítima
Uma das fraudes mais perigosas envolve aposentados e pensionistas. O criminoso liga dizendo representar um banco e confirma os dados do beneficiário, como valor recebido e parte do CPF. Isso faz a vítima acreditar que se trata de um atendimento verdadeiro.
Com essas informações, o golpista pode solicitar um empréstimo sem autorização da pessoa. Em muitos casos, o valor contratado nem chega à conta da vítima, mas o desconto aparece no contracheque, mês após mês.
Crédito para negativados: quando a promessa vira armadilha
Embora exista crédito para negativados, ele apresenta juros mais altos e pode requerer garantias. Os golpistas distorcem essa realidade e cobram taxas antecipadas para “liberar” o dinheiro. Assim como nos outros golpes, a pessoa paga a taxa e não recebe empréstimo nenhum. Em casos graves, os dados capturados ainda são usados em outras fraudes.
Golpe cometido por familiares: o mais difícil de detectar
Um tipo de golpe em crescimento envolve estelionato cometido por parentes. Ocorre quando uma pessoa idosa ou sem conhecimento digital delega a gestão de sua conta a alguém de confiança, que então solicita empréstimos em seu nome e retira o valor para uso próprio. A vítima só descobre quando os descontos comprometem o salário ou benefício.
Como se proteger dos golpes de empréstimo
Para evitar prejuízo, especialistas recomendam:
Nunca pagar taxa antecipada.
Nunca aceitar empréstimo oferecido por pessoas físicas.
Verificar se a instituição é autorizada pelo Banco Central.
Não compartilhar dados por WhatsApp, redes sociais ou formulários suspeitos.
Desconfiar de ofertas muito rápidas “sem análise de crédito”.
Nunca aceitar ajuda de estranhos em caixas eletrônicos.
Ler todo o contrato antes de assinar, inclusive prazos e juros.
O que fazer se você caiu no golpe
Caso tenha dinheiro descontado sem autorização ou tenha depositado valores antecipadamente, é possível recuperar o prejuízo. O recomendado é:
Registrar boletim de ocorrência
Reunir provas (extratos, mensagens, depósitos, conversas)
Procurar Procon, advogado ou Juizado Especial Cível
Solicitar imediatamente a suspensão dos descontos indevidos
Em muitos casos, a vítima também pode exigir indenização por danos morais.
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