A ALOS3 reportou no terceiro trimestre de 2025 um lucro líquido de cerca de R$ 126 milhões, com elevação de aproximadamente 25,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O EBITDA ajustado alcançou aproximadamente R$ 502,4 milhões, avanço na ordem de 8,5%. A receita líquida ficou na faixa de R$ 680 milhões, crescimento de cerca de 6,6%.
Operacionalmente, o portfólio próprio da companhia ficou em torno de 1.242 mil m² de ABL em 45 shoppings, taxa de ocupação de cerca de 96,5%, e a receita de locação, mídia e serviços de estacionamento apresentou crescimento relevante – por exemplo, mídia +~29% na base anual.
Do ponto de vista da alavancagem, a relação dívida líquida/EBITDA girou em torno de 1,7×, o que dá à empresa margem para priorizar distribuição de caixa.
Nova política de remuneração ao acionista
Com base nesses resultados e na previsão de menor necessidade de CAPEX, a ALOS3 aprovou um guidance para 2026 que prevê pagamentos mensais de R$ 0,28 a R$ 0,30 por ação, o que para o preço atual da ação sugere um dividend yield superior a 12% ao longo de 12 meses.
Adicionalmente, o CAPEX projetado para 2026 está estimado entre R$ 350 milhões e R$ 450 milhões, bem abaixo de anos anteriores, o que reforça a lógica de que o capital livre será dirigido ao acionista.
Por que agora? Mudança de fase no negócio de shoppings
A ALOS3 está entrando em nova fase: após anos de aquisições, reformas e elevação de padrão em seus shoppings, agora entrega resultados mais robustos e volta-se para geração de valor aos acionistas. Entre os fatores-chave estão:
Elevação dos aluguéis nas mesmas lojas (SSR) em cerca de 6,5% ano-a-ano.
Controle operacional eficiente, com custos estáveis mesmo em ambiente de inflação.
Diversificação de receitas: além da locação tradicional, cresce a participação de mídia, estacionamento e serviços de administração.
Alavancagem moderada, o que reduz o risco de que os proventos sejam comprometidos por dívidas excessivas.
Riscos e atenção para o investidor
Embora o cenário seja promissor, há fatores que merecem atenção:
As vendas nas mesmas lojas (SSS) cresceram apenas ~2,9% ano-a-ano no 3T25, o que sinaliza que o ritmo de recuperação ainda é moderado.
A inadimplência líquida apresentou leve aumento, o que exige monitoramento, sobretudo em ambiente de juros elevados.
Apesar do CAPEX menor, a empresa depende de manutenção do consumo interno e da boa performance de seus shoppings para sustentar os dividendos projetados.
A ALOS3 para 2026 se posiciona como uma das alternativas mais interessantes para quem busca renda via dividendos dentro da bolsa brasileira, com um yield projetado acima de 12% e uma base operacional que oferece respaldo. Para investidores que aceitam riscos moderados e buscam exposição ao setor de shoppings com foco em geração de caixa, a tese torna-se bastante atraente.
Não se trata de recomendação de compra, mas os elementos estão claramente alinhados para uma atenção especial.
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