A disputa entre o governo dos Estados Unidos e os desenvolvedores do projeto eólico offshore Revolution Wind, em Rhode Island, ganhou novos contornos após documentos judiciais revelarem que os motivos para a paralisação seriam “factualmente incorretos”.
O consórcio responsável, formado pela dinamarquesa Ørsted e pela Skyborn Renewables, entrou com uma ação no Tribunal Distrital do Distrito de Columbia contra a ordem de paralisação emitida em agosto pelo Departamento do Interior.
A audiência sobre o pedido de liminar para retomar as obras está marcada para a próxima semana, em meio a um clima de tensão política e regulatória.
Governo Trump x Energia eólica
O então presidente Donald Trump sempre foi crítico da energia eólica, classificando-a como cara, instável e prejudicial à paisagem. Durante seu governo, diferentes agências federais foram orientadas a adotar uma postura mais rígida em relação ao setor.
A ordem de agosto foi assinada pelo Bureau of Ocean Energy Management (BOEM), citando preocupações com a “segurança nacional”. Só depois, em resposta à ação judicial, a administração detalhou que o projeto não teria cumprido condições de licença relacionadas a:
Coordenação com embarcações da Marinha durante a construção;
Mitigação de riscos a equipamentos militares de detecção e monitoramento acústico;
Compatibilidade com pesquisas científicas da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA).
Contestação da Revolution Wind
Para a Revolution Wind, os argumentos do governo foram apresentados de forma tardia e sem respaldo técnico. A empresa afirmou já ter coordenado operações com a Marinha e a NOAA e classificou as alegações como incorretas.
Em documento entregue ao tribunal, a desenvolvedora argumenta que os supostos descumprimentos não estavam listados na ordem de paralisação original e só surgiram como justificativa no processo judicial.
Estado atual da obra
O projeto já está 80% concluído. Todas as fundações offshore foram instaladas e 45 das 65 turbinas eólicas estão erguidas, segundo a Ørsted.
A expectativa era de que a usina entrasse em operação no próximo ano, com capacidade para abastecer cerca de 350 mil residências em Rhode Island e Connecticut.
Impactos econômicos e energéticos
O bloqueio da obra traz repercussões não apenas para os investidores, mas também para as metas energéticas da região.
Rhode Island tem como objetivo ampliar a participação das renováveis em sua matriz.
O projeto é parte central dos esforços de transição energética local.
A paralisação pode atrasar cronogramas de fornecimento e elevar custos, afetando consumidores e políticas estaduais de descarbonização.
Especialistas do setor apontam que o impasse jurídico poderá servir de precedente regulatório para futuros empreendimentos offshore nos EUA, aumentando a insegurança entre investidores.
Enquanto aguarda decisão judicial, a Revolution Wind pressiona pela retomada imediata das obras, alertando que cada mês de atraso pode gerar perdas financeiras e comprometer contratos de fornecimento de energia.
Se a liminar for aceita, as obras poderão ser retomadas rapidamente. Caso contrário, o projeto corre risco de atrasar sua entrada em operação para além de 2026, em um momento em que os EUA buscam acelerar a expansão das renováveis.
O caso Revolution Wind escancara a disputa entre interesses políticos, militares e energéticos nos Estados Unidos. O resultado do processo poderá definir não apenas o futuro da usina em Rhode Island, mas também a confiança dos investidores no desenvolvimento da energia eólica offshore no país.
Para o setor, a questão é clara: sem estabilidade regulatória, o caminho para a transição energética se torna mais lento e incerto.
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