O mercado brasileiro de motos de média cilindrada poderá ganhar duas novas concorrentes com visual agressivo, suspensão dianteira invertida, freios ABS e motores monocilíndricos refrigerados a líquido. As candidatas são as QJ Motor SRK 300 S e SRK 300 SA, modelos que poderão integrar a crescente linha SBM comercializada pela Shineray do Brasil.
As duas motocicletas compartilham a proposta de oferecer mais tecnologia e desempenho em uma faixa atualmente dominada por modelos como Honda CB 300F Twister, Yamaha FZ25 e Bajaj Dominar 250. Apesar da cilindrada próxima, porém, cada versão apresenta uma configuração diferente.
A SRK 300 S aposta em ergonomia mais confortável e utilização cotidiana, enquanto a SRK 300 SA adota posição de pilotagem mais inclinada, menor peso e motor mais potente. Na prática, a SBM poderia oferecer duas motos da mesma categoria sem necessariamente disputar o mesmo consumidor.
Até agora, a Shineray não confirmou oficialmente os nomes nacionais, os preços ou a data de lançamento dos dois modelos. Caso sejam aprovados para o Brasil, eles poderão receber identificações como SBM 300S e SBM 300SA, seguindo a estratégia aplicada à SBM 400S.
SRK 300 S aposta em conforto e versatilidade
A QJ Motor SRK 300 S é a alternativa mais voltada ao uso urbano. O modelo apresenta guidão mais alto, banco inteiriço e posição de pilotagem menos inclinada, características que favorecem deslocamentos diários, trajetos mais longos e utilização com passageiro.

Seu desenho segue o padrão das naked modernas, com farol compacto, tanque musculoso, entradas de ar laterais e linhas angulares. A suspensão dianteira invertida, acompanhada por bengalas com acabamento dourado em algumas configurações, reforça a aparência de uma moto de categoria superior.
O conjunto mecânico utiliza motor monocilíndrico de 292 cm³, quatro válvulas, comando simples no cabeçote e refrigeração líquida. A potência informada para o modelo é de aproximadamente 28,6 cv, com torque próximo de 24 Nm, equivalentes a cerca de 2,45 kgfm.
O câmbio possui seis velocidades. A fabricante não apresenta em todos os mercados informações claras sobre embreagem assistida e deslizante, portanto esse equipamento ainda precisaria ser confirmado em uma eventual configuração brasileira.
Com 162 kg, a SRK 300 S não está entre as motocicletas mais leves do segmento, mas apresenta dimensões acessíveis. O assento está posicionado a 785 mm do solo, medida que pode facilitar o apoio dos pés para pilotos de menor estatura.
O tanque comporta 12,5 litros. Considerando um consumo estimado entre 25 km/l e 30 km/l, a autonomia teórica poderia ficar entre 312 e 375 quilômetros. O consumo oficial brasileiro, entretanto, dependeria das condições de homologação e do acerto aplicado ao combustível nacional.
Suspensão invertida e ABS de dois canais
A SRK 300 S utiliza suspensão dianteira invertida e sistema monoamortecido na traseira. Esse tipo de garfo é normalmente associado a maior rigidez estrutural e melhor controle da dianteira, embora o comportamento final dependa da calibração adotada pela fabricante.
Os freios contam com disco de 300 mm na roda dianteira e disco de 240 mm na traseira, acompanhados de ABS de dois canais. Isso significa que o sistema monitora as duas rodas separadamente, reduzindo o risco de travamento durante frenagens mais fortes.
As rodas de liga leve possuem 17 polegadas. Na dianteira, o pneu mede 110/70, enquanto a traseira utiliza medida 140/60. Trata-se de uma combinação comum entre motos street de média cilindrada, equilibrando estabilidade, agilidade e custo de reposição.
SRK 300 SA traz visual mais esportivo e 32,6 cv
A segunda possível novidade é a QJ Motor SRK 300 SA, uma motocicleta com proposta mais esportiva. Embora mantenha a arquitetura naked, o modelo apresenta posição de pilotagem mais inclinada, semiguidões baixos, banco dividido e traseira elevada.
O desenho é direcionado principalmente aos consumidores que valorizam aparência esportiva e condução mais agressiva. Os espelhos instalados nas extremidades do guidão, o conjunto óptico em LED e as linhas angulares ajudam a diferenciar a moto da versão mais urbana.

A posição do passageiro tende a ser menos confortável devido ao banco traseiro compacto e às pedaleiras elevadas. Por isso, a SRK 300 SA parece mais adequada para utilização individual, trajetos curtos e condução em estradas sinuosas do que para viagens frequentes em dupla.
Seu motor monocilíndrico possui 299,1 cm³, quatro válvulas, comando duplo no cabeçote e refrigeração líquida. A potência declarada chega a aproximadamente 32,6 cv, enquanto o torque alcança 28 Nm, equivalentes a cerca de 2,85 kgfm.
Além de ser mais potente, a SRK 300 SA pesa apenas 144 kg. A relação entre peso e potência fica próxima de 4,4 kg por cv, número competitivo para uma moto monocilíndrica dessa faixa.
Diferença de peso pode mudar completamente o desempenho
A diferença de aproximadamente 18 kg entre os dois modelos é um dos pontos mais importantes da comparação. Mesmo com cilindrada semelhante, a SRK 300 SA reúne potência superior e massa consideravelmente menor.
Essa combinação tende a proporcionar acelerações mais rápidas, retomadas mais fortes e maior facilidade nas mudanças de direção. A SRK 300 S, por outro lado, compensa o peso superior com ergonomia mais amigável e maior espaço para piloto e passageiro.
A diferença demonstra que os modelos foram projetados para públicos distintos. A versão S se aproxima de uma street convencional, enquanto a SA assume uma configuração mais próxima de uma naked esportiva compacta.
Comparativo entre as possíveis novas motos SBM
| Característica | QJ Motor SRK 300 S | QJ Motor SRK 300 SA |
| Proposta | Street urbana | Naked esportiva |
| Motor | Monocilíndrico SOHC | Monocilíndrico DOHC |
| Cilindrada | 292 cm³ | 299,1 cm³ |
| Refrigeração | Líquida | Líquida |
| Potência aproximada | 28,6 cv | 32,6 cv |
| Torque aproximado | 2,45 kgfm | 2,85 kgfm |
| Câmbio | 6 velocidades | 6 velocidades |
| Peso | 162 kg | 144 kg |
| Tanque | 12,5 litros | 12,5 litros |
| Altura do banco | 785 mm | 785 mm |
| Entre-eixos | 1.370 mm | 1.360 mm |
| Pneu dianteiro | 110/70 R17 | 110/70 R17 |
| Pneu traseiro | 140/60 R17 | 140/60 R17 |
| Disco dianteiro | 300 mm | 300 mm |
| Disco traseiro | 240 mm | 240 mm |
| Freios | ABS de dois canais | ABS de dois canais |
| Suspensão dianteira | Garfo invertido | Garfo invertido |
| Painel | Digital ou TFT conforme mercado | TFT conforme mercado |
Como as motos se comparam à Honda CB 300F
A Honda CB 300F Twister seria uma das principais referências para os novos modelos. A motocicleta japonesa conquistou espaço pela combinação de desempenho, baixo peso, ampla rede de concessionárias, facilidade de manutenção e liquidez no mercado de usados.
A possível SBM 300S teria potência próxima à da Honda, mas buscaria se diferenciar pelo conjunto visual, suspensão invertida e pacote tecnológico. A SRK 300 SA, por sua vez, apresentaria potência superior e peso reduzido, oferecendo uma proposta mais esportiva.
A competição, contudo, não seria decidida apenas pela ficha técnica. Preço, garantia, disponibilidade de peças, custo das revisões, valor do seguro e quantidade de concessionárias serão determinantes para a aceitação das novas motos.
A Honda ainda possui enorme vantagem em capilaridade e reputação. Para conquistar consumidores, a SBM precisará oferecer preço competitivo e demonstrar que sua rede conseguirá atender proprietários fora dos grandes centros.
Qual poderia ser o preço no Brasil
Nenhum preço foi anunciado para as duas motocicletas. Uma eventual estimativa deve considerar o posicionamento da SBM 400S, modelo bicilíndrico de 41 cv que chegou ao mercado nacional por aproximadamente R$ 33,5 mil.
Para evitar sobreposição dentro da própria linha, as versões de 300 cc precisariam custar menos. Um posicionamento competitivo provavelmente colocaria a SRK 300 S abaixo da SRK 300 SA, com diferença justificada pelo motor mais potente, menor peso e componentes esportivos da segunda versão.
Uma faixa próxima de R$ 25 mil a R$ 30 mil poderia tornar os modelos atraentes, mas esse intervalo é apenas uma projeção de mercado. Impostos, custos logísticos, montagem nacional, equipamentos homologados e estratégia comercial poderão alterar significativamente os preços finais.
Caso a SRK 300 SA se aproxime demais do valor da SBM 400S, o consumidor poderá preferir pagar a diferença por uma motocicleta bicilíndrica mais potente. Por isso, a definição do preço será essencial para evitar concorrência interna.
Linha SBM amplia presença da QJ Motor no país
A SBM foi criada pela Shineray do Brasil para comercializar modelos desenvolvidos em parceria com fabricantes internacionais, entre elas a QJ Motor. A estratégia envolve motocicletas de diferentes cilindradas e categorias, com lojas exclusivas, espaços dedicados e estrutura própria de pós-venda.
A QJ Motor pertence ao grupo chinês Qianjiang, que também controla a Benelli e possui participação do Grupo Geely. A fabricante mantém um catálogo internacional extenso, com scooters, nakeds, esportivas, customs e big trails.
Essa variedade permite que a SBM avalie diferentes produtos para o mercado brasileiro sem depender de uma única categoria. Além das naked de 300 cc, modelos de 400 cc, 500 cc, 700 cc e 900 cc aparecem entre as possibilidades observadas para a expansão da marca.
Modelos ainda precisam de confirmação oficial
Apesar da expectativa, a presença das SRK 300 S e SRK 300 SA no catálogo internacional da QJ Motor não representa automaticamente um lançamento no Brasil.
Antes da comercialização, as motos precisam passar pela avaliação da importadora, adequação às normas ambientais, homologação, definição de equipamentos e planejamento de estoque e pós-venda.
Os nomes também podem mudar. Seguindo o padrão atual, elas poderiam ser chamadas de SBM 300S e SBM 300SA, mas a Shineray ainda não divulgou essa informação oficialmente.
A apresentação em eventos brasileiros também não garante lançamento imediato. Fabricantes costumam exibir modelos para medir a reação do público, conversar com concessionários e avaliar o potencial comercial antes de confirmar as vendas.
As novas motos SBM podem valer a pena?
Pelas especificações internacionais, as duas motos apresentam argumentos relevantes. A SRK 300 S pode interessar ao consumidor que deseja uma moto confortável, visualmente moderna e equipada com suspensão invertida e ABS.
A SRK 300 SA chama mais atenção pelo peso de 144 kg e pela potência de 32,6 cv. Caso esses números sejam mantidos no Brasil, ela poderá entregar uma das melhores relações entre peso e potência entre as naked monocilíndricas próximas de 300 cc.
O custo-benefício real, entretanto, somente poderá ser avaliado depois da divulgação dos preços, garantia, plano de revisões e disponibilidade de peças.
Para incomodar a Honda CB 300F e outras rivais estabelecidas, não bastará oferecer mais potência ou equipamentos. A SBM precisará combinar preço competitivo, atendimento eficiente e confiança no pós-venda.
Se isso acontecer, as duas motos poderão ampliar a concorrência e oferecer ao consumidor brasileiro propostas bem diferentes dentro da mesma cilindrada.
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