O dólar voltou a se aproximar da região de R$ 5,10 e reacendeu a discussão sobre a possibilidade de a moeda americana romper novamente a barreira de R$ 5. O movimento, porém, ainda encontra obstáculos importantes dentro da economia brasileira.
Nesta quinta-feira, 10 de setembro, referências de mercado mostravam o dólar ao redor de R$ 5,10, depois de encerrar a sessão anterior próximo de R$ 5,12. O Ibovespa, por sua vez, havia terminado a quarta-feira aos 185,6 mil pontos.

Na avaliação apresentada pelo analista Guilherme Cunha, o real vem sendo beneficiado principalmente pela entrada de recursos estrangeiros e pela melhora das expectativas dos investidores. Isso, entretanto, seria diferente de uma mudança estrutural nas contas brasileiras.
Por que o dólar encontra resistência perto de R$ 5?
O ponto central é que a valorização do real não depende apenas de dinheiro estrangeiro entrando na Bolsa.
O Brasil continua apresentando números fiscais que exigem atenção. Dados mais recentes do Banco Central mostram que a dívida bruta do governo geral alcançou 82,5% do PIB em julho, equivalente a aproximadamente R$ 10,9 trilhões.
Ao mesmo tempo, os juros nominais acumulados em 12 meses chegaram a R$ 1,15 trilhão, ou 8,67% do PIB. O déficit nominal atingiu R$ 1,24 trilhão no mesmo período.
| Indicador | Dado mais recente |
| Dólar | perto de R$ 5,10 |
| Ibovespa | 185,6 mil pontos* |
| Dívida bruta | 82,5% do PIB |
| Dívida bruta em valores | R$ 10,9 trilhões |
| Déficit primário em 12 meses | 0,67% do PIB |
| Juros nominais em 12 meses | 8,67% do PIB |
*Fechamento da sessão anterior.
Entrada de estrangeiros ajuda o real
O fluxo internacional aparece como uma das peças fundamentais desse movimento.
Quando investidores estrangeiros aumentam posições em ativos brasileiros, precisam converter dólares em reais. Esse processo amplia a oferta de moeda americana no mercado doméstico e pode favorecer a valorização do real.
A transcrição destaca justamente esse mecanismo e sustenta que, enquanto houver capital externo entrando com força na Bolsa brasileira, o dólar pode permanecer pressionado.
Mas fluxo financeiro pode mudar rapidamente, sobretudo diante de alterações nas expectativas sobre juros internacionais, política econômica, eleições ou risco global.
Fiscal continua sendo a peça mais difícil
O quadro fiscal também apresenta sinais mistos.
Em julho, o Governo Central registrou superávit primário de R$ 10,8 bilhões, segundo o Tesouro Nacional. No acumulado de janeiro a julho, entretanto, houve déficit de R$ 81,3 bilhões.
Isso ajuda a explicar por que uma melhora de curto prazo no câmbio não significa automaticamente que os problemas estruturais desapareceram.
Durante a análise, também foi ressaltado que despesas obrigatórias ocupam parcela elevada do orçamento e limitam a margem disponível para outras políticas públicas, tornando qualquer ajuste fiscal estrutural mais complexo.
Dólar pode cair abaixo de R$ 5?
Pode, mas permanecer abaixo desse nível exige condições mais consistentes.
Uma combinação de entrada de capital estrangeiro, diferencial elevado de juros, percepção menor de risco e ambiente internacional favorável pode levar a moeda novamente para baixo de R$ 5.
A questão é a sustentabilidade.
Para o cenário se consolidar, investidores provavelmente buscarão sinais mais concretos de estabilização da dívida e capacidade de controlar déficits futuros. Sem isso, o dólar tende a continuar funcionando como proteção em períodos de maior incerteza.
Bolsa pode subir mesmo com dólar perto de R$ 5
A Bolsa apresenta uma dinâmica diferente.
Na análise que serviu de base para esta matéria, a percepção é de que ações brasileiras ainda podem encontrar espaço para valorização com entrada de estrangeiros e expectativa de juros menores, embora correções sejam possíveis.
O principal risco é o mercado avançar rápido demais baseado apenas em expectativas. A própria discussão alerta que, caso a realidade econômica não confirme aquilo que foi incorporado aos preços, uma realização pode acontecer com velocidade.
Assim, mais importante do que saber se o dólar tocará R$ 4,99 é observar por que ele está caindo. Fluxo estrangeiro pode derrubar a cotação no curto prazo; para sustentar um novo patamar, porém, fundamentos fiscais e econômicos terão de acompanhar o movimento.
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