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Início » Últimas Notícias » Deputados retiram voto secreto da PEC da Blindagem após pressão no plenário
Mercados

Deputados retiram voto secreto da PEC da Blindagem após pressão no plenário

A Câmara aprovou em primeiro turno a PEC da Blindagem por 344 votos, mas retirou a previsão de votação secreta após destaque do Partido Novo.
André CarvalhoPor André Carvalho17 de setembro de 20253 minutos lidos
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Deputados retiram voto secreto da PEC da Blindagem após pressão no plenário

Na madrugada desta quarta-feira (17), a Câmara dos Deputados aprovou, em primeiro turno, a chamada PEC da Blindagem por 344 votos favoráveis e 133 contrários, superando o mínimo de 308 necessários. A proposta altera as regras para abertura de processos contra parlamentares no Supremo Tribunal Federal (STF) e agora segue para análise dos destaques antes de ser encaminhada ao Senado.

O debate sobre o voto secreto

Um dos trechos mais polêmicos da PEC previa que a abertura de ações penais contra deputados e senadores dependesse de votação secreta no Congresso. Após forte mobilização da oposição e da pressão popular, esse ponto foi retirado graças a um destaque apresentado pelo Partido Novo. A mudança foi aprovada por falta de quórum no plenário, garantindo que a decisão continue sendo por voto aberto.

Argumentos pela blindagem

O relator da proposta, Cláudio Cajado (PP-BA), defendeu que a PEC não cria privilégios, mas assegura a independência do Legislativo frente ao que chamou de “excessos” do STF. Para aliados do PL e partidos próximos ao governo, o texto busca reequilibrar os poderes e reforçar a autonomia do Parlamento.

Defesa da transparência

Entre os que rejeitaram o sigilo, o deputado Gilson Marques (Novo-SC) destacou que o voto secreto comprometeria a transparência e a responsabilidade com o eleitor. Ele ironizou a possibilidade de parlamentares votarem escondidos sobre crimes graves, como estupro ou assassinato, sem prestar contas à sociedade.

Resistência no Senado

Apesar da aprovação confortável na Câmara, a proposta encontra grande resistência no Senado. O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), já adiantou que a PEC “não passa de jeito nenhum” na comissão.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) foi ainda mais duro, classificando a medida como “blindagem para criminosos de colarinho branco”. Para ele, a aprovação enfraqueceria o combate à corrupção e prejudicaria a credibilidade das instituições.

Impactos políticos e institucionais

Risco de crise entre poderes

A PEC aprofunda o embate entre Legislativo e Judiciário. Parlamentares favoráveis argumentam que a Suprema Corte interfere excessivamente no Congresso, enquanto opositores enxergam na proposta uma forma de ampliar privilégios e dificultar investigações.

Transparência como vitória parcial

A retirada do voto secreto foi vista como vitória da pressão popular e das bancadas que defendem maior visibilidade nos atos do Parlamento. Especialistas avaliam que manter o sigilo poderia gerar ainda mais desconfiança da sociedade em relação ao Congresso.

Próximos passos

O texto segue agora para o Senado Federal, onde deverá enfrentar intensos debates na CCJ e no plenário. Mesmo que avance, analistas avaliam que o custo político de aprovar a PEC pode ser alto, já que parte da opinião pública interpreta a medida como tentativa de autoproteção do Congresso em detrimento do combate à corrupção.

Tabela – Votação da PEC da Blindagem na Câmara

SituaçãoVotos
Favoráveis344
Contrários133
Abstenções10
Necessários308

Discussões sobre blindagem parlamentar não são novas em Brasília. Propostas semelhantes surgiram em outros momentos de crise institucional, mas poucas avançaram com tanto apoio na Câmara. A expressiva votação desta madrugada mostra a força de articulação dos líderes partidários, mas a reação do Senado e a mobilização da sociedade podem frear a medida.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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