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Início » Últimas Notícias » CSN traça plano para cortar dívida, vender ativos e tentar destravar valor na Bolsa
Mercados

CSN traça plano para cortar dívida, vender ativos e tentar destravar valor na Bolsa

Empresa detalha estratégia de desinvestimentos a partir de 2026, mira forte desalavancagem financeira e projeta crescimento expressivo do EBITDA nos próximos oito anos.
Felipe AndradePor Felipe Andrade16 de janeiro de 20265 minutos lidos
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CSN traça plano para cortar dívida, vender ativos e tentar destravar valor na Bolsa
CSN traça plano para cortar dívida, vender ativos e tentar destravar valor na Bolsa

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), um dos maiores grupos industriais do Brasil, divulgou uma atualização estratégica que pode mudar de forma relevante a percepção do mercado sobre suas ações. Atuando de forma verticalizada nos segmentos de siderurgia, mineração, cimentos, logística e energia, a companhia apresentou um plano robusto de desinvestimentos e reorganização do portfólio com foco na redução do endividamento e aumento da rentabilidade.

Segundo a empresa, o conselho de administração aprovou o início de movimentos estratégicos a partir de 2026, com o objetivo de reduzir a dívida líquida entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões. Caso o plano seja executado conforme o esperado, a alavancagem financeira da CSN pode cair dos atuais níveis próximos de 4,0x dívida líquida/EBITDA para algo entre 1,8x e até 1,0x no médio prazo.

Venda de ativos será o pilar da desalavancagem

O principal motor dessa estratégia será a venda de participações relevantes em negócios considerados maduros ou não essenciais ao core estratégico da companhia.

Entre os destaques do plano estão:

  • Venda do controle da CSN Cimentos, atualmente responsável por cerca de 10% a 11% da receita do grupo;

  • Venda de participação relevante na CSN Infraestrutura, braço que reúne ativos ferroviários, portuários e multimodais;

  • Continuidade da reciclagem de capital, após a venda de 11% da MRS Logística para a CSN Mineração, operação que rendeu R$ 3,3 bilhões à companhia.

Apesar de o mercado ter levantado questionamentos sobre o preço pago na operação da MRS considerada cara em termos de múltiplos, a CSN vê esse movimento como um primeiro passo concreto rumo à desalavancagem.

CSN Mineração segue como pilar estratégico do grupo

A CSN Mineração (CMIN3) permanece como um dos ativos mais estratégicos do conglomerado. A empresa é atualmente a sétima maior exportadora de minério de ferro do mundo, com reservas estimadas em 2,55 bilhões de toneladas, o que garante vida útil superior a 40 anos, mesmo com aumento relevante de produção.

A companhia destaca o avanço do projeto P15, que pode elevar a capacidade produtiva em até 40% até 2030. Com isso, o EBITDA da mineração poderia crescer de cerca de R$ 6,7 bilhões para até R$ 9,8 bilhões, um avanço potencial de 46%, embora esse cenário dependa diretamente do ciclo do minério de ferro e de condições de mercado.

Hoje, a CSN Mineração representa aproximadamente 33% da receita consolidada do grupo e 57% do EBITDA, reforçando sua importância central na estratégia da companhia.

Infraestrutura pode se tornar novo motor de crescimento

Outro ponto que chama atenção no plano estratégico é o potencial da CSN Infraestrutura. O portfólio conta com sete ativos ferroviários, portuários e multimodais de primeira linha, que vêm apresentando crescimento consistente ao longo dos anos.

A expectativa da companhia é que o EBITDA desse braço possa saltar de R$ 1,7 bilhão para mais de R$ 10 bilhões no futuro, valor equivalente ao EBITDA total do grupo CSN atualmente. A venda de uma participação relevante nesse segmento, prevista para acontecer possivelmente já no fim de 2025 ou início de 2026, pode gerar um caixa significativo.

Energia: ativo oculto com alto valor estratégico

Embora não esteja no radar de desinvestimentos, o braço de energia da CSN também merece destaque. A companhia possui 27 ativos hídricos, três térmicos de cogeração, três projetos eólicos e um projeto solar, totalizando cerca de 2 GW de capacidade instalada.

Considerando um custo médio de reposição estimado em R$ 5 milhões por MW, esse portfólio poderia ser avaliado em cerca de R$ 10 bilhões, reforçando o grau de verticalização e proteção operacional da empresa, além de garantir autossuficiência em energia renovável.

Impacto financeiro: dívida menor e juros mais baixos

Caso as vendas de ativos se concretizem, a CSN estima que a dívida líquida possa cair de R$ 37,5 bilhões para cerca de R$ 19,5 bilhões. Mesmo com uma redução do EBITDA de R$ 12 bilhões para aproximadamente R$ 10,7 bilhões após os desinvestimentos, a alavancagem cairia de 3,1x para 1,8x.

Além disso, a empresa projeta uma economia anual entre R$ 1,5 bilhão e R$ 1,8 bilhão em despesas financeiras, apenas com a redução do endividamento bruto fator que pode ter impacto direto na reprecificação das ações.

CSN pode estar barata após reestruturação

Com base nos números projetados, o valor de mercado atual da CSN gira em torno de R$ 13,6 bilhões. Somando a dívida líquida estimada pós-desinvestimentos, o valor da firma ficaria próximo de R$ 33 bilhões.

Dividindo esse valor por um EBITDA projetado de R$ 10,7 bilhões, a empresa passaria a negociar a cerca de 3 vezes EV/EBITDA, múltiplo historicamente muito abaixo da média da companhia, que costuma variar entre 5x e 7x ao longo do ciclo.

Dividendos devem ficar para depois

No curto prazo, a prioridade da CSN seguirá sendo a redução da dívida, o que limita a distribuição de dividendos. A empresa tem histórico de pagamentos semestrais, geralmente em abril e novembro, mas também já passou por longos períodos sem distribuir proventos, especialmente em fases desfavoráveis do ciclo.

A expectativa é que os dividendos voltem a ganhar força a partir de 2027, caso o plano de desalavancagem seja bem-sucedido.

Ação cíclica exige cautela do investidor

Por fim, a CSN reforça o perfil cíclico de seus negócios. Entre 2016 e o pico de 2021, as ações chegaram a acumular alta superior a 1.500%, mas desde o topo histórico, os papéis já caíram cerca de 80%.

Isso mostra que investir em empresas cíclicas exige paciência, estômago e gestão de risco, sendo mais adequado para investidores experientes e com visão de longo prazo.

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ações cíclicas CSN CSN Cimentos CSN Mineração endividamento empresarial
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Felipe Andrade
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Felipe Andrade é analista de investimentos e colunista de mercado, com experiência em renda variável e mercados globais. Na A Revista, acompanha ações, empresas, petróleo, energia, commodities e mercados internacionais. Analisa resultados e documentos das companhias, contextualiza riscos e diferencia dados de expectativas.

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