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Início » Últimas Notícias » Criptomoedas derretem: Bitcoin cai abaixo de US$ 100 mil e pressiona Ethereum e Solana
Criptomoedas

Criptomoedas derretem: Bitcoin cai abaixo de US$ 100 mil e pressiona Ethereum e Solana

Bitcoin rompeu o suporte dos US$ 100 mil, acumula liquidações de mais de US$ 1,3 bilhão em 24 horas e testa a região entre US$ 102 mil e US$ 90 mil, apontada por indicadores técnicos e on-chain como a faixa mais relevante de compra do ciclo.
Felipe AndradePor Felipe Andrade19 de novembro de 20256 minutos lidos
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Bitcoin despenca abaixo de US$ 100 mil e testa sua zona “perfeita” de compra

O Bitcoin (BTC) rompeu a faixa dos US$ 100 mil e passou a ser negociado na casa dos US$ 94 mil a US$ 96 mil, com queda de cerca de 6% em 24 horas. O movimento puxou o mercado cripto inteiro para baixo, derrubando também Ethereum (ETH), Solana (SOL) e outras altcoins relevantes.

A correção veio acompanhada de uma forte limpeza no mercado alavancado:

  • Mais de US$ 1,3 bilhão em posições liquidadas em um único dia;

  • Uma única posição perdeu cerca de US$ 40 a US$ 50 milhões;

  • A maior parte das ordens vulneráveis abaixo do preço foi varrida.

Na prática, o mercado entrou em modo de pânico, mas ao mesmo tempo começou a se aproximar de uma região que muitos modelos técnicos tratam como potencial zona de oportunidade.

Liquidações bilionárias e mudança de liquidez: pouca pressão para baixo, muita acima

Os mapas de liquidez de curto prazo mostram que a queda cumpriu um papel clássico em ciclos de alta: varrer stops e posições alavancadas abaixo do preço atual.

Resumo do quadro:

  • Região abaixo de ~US$ 94 mil: liquidez fortemente reduzida após a queda;

  • Região entre US$ 110 mil e US$ 113 mil: concentração relevante de liquidez acima, que pode servir de alvo em eventuais repiques de alta;

  • Com pouca liquidez remanescente para baixo, novos movimentos de forte queda passam a depender de novas posições alavancadas sendo abertas no pânico.

Ou seja, o mercado segue frágil, mas com a “gordura” de liquidez negativa já bastante queimada.

Região entre US$ 102 mil e US$ 90 mil vira “zona quente” do ciclo

Quatro blocos de indicadores diferentes convergem para a mesma faixa: US$ 88 mil a US$ 92 mil, sempre dentro do corredor mais amplo entre US$ 102 mil e US$ 90 mil.

Essa confluência transforma a região em suporte técnico central do ciclo atual.

1. Retração de Fibonacci no gráfico mensal

Todas as grandes correções desde 2022 ficaram dentro da faixa de 38% a 61,8% de Fibonacci no gráfico mensal. Em cada uma delas:

  • Houve correção forte,

  • Entrada em medo extremo,

  • E posterior retomada da tendência de alta.

A queda atual voltou exatamente para esse mesmo “corredor”, com foco em US$ 102 mil a US$ 90 mil como zona típica de retração dentro de bull market.

2. Capitulação de holders de curto prazo abaixo de US$ 91 mil

Indicadores de on-chain apontam que abaixo de aproximadamente US$ 91 mil ocorre capitulação de investidores de curto prazo — venda com prejuízo em meio ao desespero.

Historicamente, momentos de capitulação desse grupo:

  • Coincidem com fundo de correções importantes,

  • E antecedem fases de recuperação de preço.

3. Múltiplo de Mayer em forte desconto

O Mayer Multiple, que compara o preço do Bitcoin à média móvel de 200 dias, está em torno de 0,87, abaixo da média histórica (~1,29).

  • Níveis abaixo de 1,0 indicam que o preço está descontado em relação à tendência de longo prazo;

  • O patamar atual foi observado em apenas cerca de 22% do tempo histórico, reforçando a ideia de preço relativamente barato dentro de um ciclo de alta.

4. Gap em futuros na região de US$ 91 mil

Contratos futuros de Bitcoin ainda exibem um gap em torno de US$ 91 mil, região que frequentemente é revisitada antes de movimentos sustentados de alta.

Somando os quatro fatores — retração de Fibonacci, capitulação de curto prazo, Mayer Multiple e gap em futuros — a média das referências converge para perto de US$ 90,3 mil, colocando os US$ 90 mil como ponto psicológico e técnico de altíssima relevância.

Bull market em xeque? Níveis de US$ 90 mil e US$ 74 mil são decisivos

A estrutura de longo prazo do Bitcoin ainda não confirma o fim do bull market, mas dois níveis viram linhas na areia:

  • US$ 90 mil:

    • Perda da região com fechamento mensal abaixo deste patamar seria um forte alerta de deterioração da tendência de alta.

  • US$ 74 mil:

    • Último fundo relevante no gráfico mensal.

    • Enquanto o preço se mantiver acima de US$ 74 mil, o BTC continua formando fundos ascendentes, padrão clássico de mercado em alta.

    • Fechamentos mensais consecutivos abaixo desse nível sim sinalizariam provável inversão de tendência.

Até aqui, a correção se enquadra como retração profunda, porém ainda típica, em um ciclo de alta mais longo.

Médias móveis e “cruz da morte”: mais ruído que sentença

Do ponto de vista técnico, dois elementos chamam atenção, mas precisam ser interpretados com cuidado:

  • Média móvel de 50 semanas: o preço ameaça perder essa média, porém a confirmação exige várias semanas abaixo dela. Em ciclos anteriores, o Bitcoin chegou a romper, recuperou em seguida e voltou a subir.

  • Cruz da morte (MM50 abaixo da MM200 no diário): historicamente, em vários momentos essa formação marcou fim de quedas, e não o início, pois costuma surgir depois da maior parte da correção.

Sozinhos, esses sinais indicam estresse de curto prazo, não necessariamente o fim definitivo do ciclo de alta.

Medo extremo domina, mas repete padrão de “fundos com pânico”

O índice de medo e ganância do mercado cripto caiu para a zona de medo extremo, com leitura na casa de 15 pontos, um dos menores níveis desde o início do ano.

Esse comportamento é coerente com o histórico recente:

  • Grandes retrações mensais do ciclo atual vieram sempre acompanhadas de medo extremo;

  • Em todas, a combinação medo extremo + retração de Fibonacci + capitulação de curto prazo caracterizou zonas de compra favoráveis para quem mira o longo prazo.

O quadro atual, portanto, encaixa-se no mesmo padrão: preços pressionados, sentimento deteriorado e indicadores apontando para desconto relevante em relação à tendência.

Altcoins seguem o movimento: Ethereum mira faixa entre US$ 3 mil e US$ 2,2 mil

A correção do Bitcoin contaminou o restante do mercado:

  • O Ethereum (ETH) devolveu parte da alta recente, depois de subir mais de 250% desde a região de US$ 1.300.

  • A faixa considerada mais atrativa para reentrada técnica em ETH se concentra entre US$ 3.000 e US$ 2.200, após a forte valorização sem grandes respiros.

Não há sinais consistentes de “altseason”:
a dominância do Bitcoin segue elevada no consolidado do ciclo, e a maior parte das altcoins mostra fraqueza relativa em momentos de estresse.

E agora? Risco alto no curto prazo, assimetria maior no longo

A queda abaixo de US$ 100 mil coloca o Bitcoin em uma encruzilhada clara:

  • No curto prazo:

    • Volatilidade alta, medo extremo, risco de novas pernadas de queda e necessidade de gestão rígida de risco.

  • No médio e longo prazo:

    • A região entre US$ 102 mil e US$ 90 mil se firma como uma das zonas mais relevantes de suporte do ciclo, com forte confluência de indicadores técnicos e on-chain.

    • Enquanto o preço se mantiver acima de US$ 74 mil no mensal, a estrutura de bull market permanece tecnicamente de pé.

O movimento atual não garante que o fundo estará exatamente em US$ 90 mil, nem que a recuperação será imediata. Mas, pela leitura de dados, essa faixa tende a ser lembrada como um dos pontos mais críticos — e possivelmente mais assimétricos — do ciclo de alta atual.

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Felipe Andrade
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Felipe Andrade é analista de investimentos e colunista de mercado, com experiência em renda variável e mercados globais. Na A Revista, acompanha ações, empresas, petróleo, energia, commodities e mercados internacionais. Analisa resultados e documentos das companhias, contextualiza riscos e diferencia dados de expectativas.

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