As ações da ASA3 encerraram o último pregão com queda próxima de 10%, em um movimento que chamou atenção do mercado pelo volume e pela velocidade da desvalorização. Apesar do ambiente político ter pressionado o Ibovespa, o principal gatilho para a forte baixa foi a saída completa de um grande fundo canadense da base acionária da companhia.
A liquidação ocorreu por meio de uma operação em bloco que movimentou mais de 10 milhões de ações, negociadas a cerca de R$ 27, aproximadamente 5% abaixo da cotação do pregão anterior. O impacto foi imediato: os papéis já abriram o dia seguinte em forte queda, refletindo a absorção dessa oferta expressiva pelo mercado.
Venda não foi específica da ASA3
É importante destacar que a decisão do fundo não teve relação direta com fundamentos ou problemas operacionais da empresa. O mesmo investidor também zerou sua posição na ALOS, envolvendo cerca de 23 milhões de ações, o que indica uma realocação de portfólio e não uma mudança de percepção sobre a qualidade dos ativos.
Ou seja, cerca de metade da queda pode ser atribuída diretamente à liquidação do fundo, enquanto o restante veio no embalo do Ibovespa, que recuou mais de 4%, movimento considerado exagerado por parte do mercado.
Desempenho recente: da euforia à correção
Nos últimos seis meses, as ações da ASA3 acumulam queda próxima de 40%, após terem subido mais de 100% no início de 2025. Essa volatilidade está diretamente ligada ao processo de fusão entre Arezzo&Co e o Grupo Soma, que deu origem à nova companhia.
O movimento inicial de alta refletiu expectativas elevadas com sinergias, ganhos de escala e fortalecimento do portfólio de marcas. A correção recente, porém, trouxe os papéis para níveis que muitos analistas já consideram bastante descontados.
Valuation chama atenção: desconto relevante
Atualmente, a ASA3 negocia com desconto estimado de 36% em relação ao seu valor patrimonial, além de apresentar um P/L próximo do menor nível histórico.
Nos nove primeiros meses de 2025, a companhia acumulou lucro de R$ 820 milhões. Apesar de um prejuízo pontual no quarto trimestre de 2024, causado por efeitos não recorrentes, a expectativa é de reversão desse resultado e fechamento de 2025 com lucro próximo de R$ 1 bilhão.
Com esse cenário, o lucro por ação pode avançar de R$ 3,65 para R$ 4,84, reduzindo o P/L atual de cerca de 7 vezes para aproximadamente 5,3 vezes — um patamar considerado muito baixo para empresas desse porte e qualidade.
Projeções indicam forte potencial de valorização
Mesmo em uma abordagem conservadora, usando o lucro projetado de R$ 1 bilhão e uma taxa de desconto alinhada ao atual patamar de juros, o preço justo estimado fica em torno de R$ 32,28, indicando que a ação está mais de 20% defasada em relação ao seu valor intrínseco.
Em cenários mais realistas para o setor, onde empresas similares costumam negociar entre 10 e 12 vezes lucro, o potencial se amplia significativamente:
P/L de 7x (atual): preço estimado próximo de R$ 38
P/L de 10x: valor intrínseco ao redor de R$ 53, com potencial de alta de quase 52%
Exagero do mercado pode virar oportunidade
A combinação de venda forçada de um grande investidor, efeito manada do mercado e pânico generalizado no Ibovespa acabou gerando uma correção intensa em um curto espaço de tempo. No entanto, os números mostram que os fundamentos permanecem sólidos, com lucro crescente, múltiplos comprimidos e sinergias da fusão ainda em fase inicial de captura.
Para investidores com horizonte de médio e longo prazo, a atual cotação da ASA3 começa a se desenhar como um ponto de atenção positivo, especialmente se a empresa confirmar o lucro projetado e a normalização do ambiente de mercado.
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