Poucos automóveis representam tão bem a ousadia da indústria italiana quanto o Alfa Romeo SZ. Conhecido internamente como ES-30, sigla para “Experimental Sportscar 3.0 litre”, o cupê foi apresentado no Salão de Genebra de 1989 e permaneceu em produção até 1991.
Com linhas retas, seis faróis dianteiros e proporções incomuns, o modelo rompeu com o padrão dos esportivos de sua época. Seu visual controverso rendeu o apelido de “Il Mostro”, ou “O Monstro”, mas também ajudou a transformá-lo em um dos Alfa Romeo mais reconhecíveis já produzidos.
O exemplar mostrado no Brasil seria um dos raríssimos representantes do modelo em circulação no país. Identificado como a unidade número 201, o carro preserva a configuração tradicional com carroceria vermelha, teto cinza e interior revestido em couro bege.
Produção limitada chegou a 1.036 exemplares
Ao contrário da informação de que teriam sido construídas apenas 136 unidades, a produção oficial do Alfa Romeo SZ alcançou 1.036 exemplares. O volume superou ligeiramente a previsão inicial, que era limitada a mil carros.
A montagem foi realizada praticamente de forma artesanal nas instalações da Zagato, próximas a Milão. Embora o nome Sprint Zagato faça parte da identidade do modelo, o projeto envolveu os centros de estilo da Fiat, da Alfa Romeo e da própria Zagato.
Os primeiros esboços foram desenvolvidos no Centro Stile Fiat, enquanto a Zagato participou do desenvolvimento e ficou responsável pela montagem. A utilização de ferramentas digitais de desenho e produção também tornou o SZ um projeto avançado para o fim dos anos 1980.

Motor V6 Busso é uma das grandes atrações
Sob o capô está um dos motores mais admirados da história da Alfa Romeo. O V6 Busso de 3,0 litros, instalado longitudinalmente, desenvolve aproximadamente 207 cv e entrega um ronco que se tornou parte essencial da personalidade do carro.
O conjunto trabalha com câmbio manual de cinco marchas instalado no eixo traseiro junto ao diferencial. Essa arquitetura transaxle contribui para distribuir melhor o peso entre os dois eixos e reforça o comportamento esportivo.
Com tração traseira, o SZ pode acelerar de zero a 100 km/h em cerca de sete segundos e atingir aproximadamente 245 km/h. Os números continuam respeitáveis mesmo décadas depois de seu lançamento.
Base do Alfa Romeo 75 ganhou preparação esportiva
A plataforma e parte da mecânica foram derivadas do Alfa Romeo 75. O SZ, porém, recebeu componentes associados às versões de competição do sedã, incluindo suspensão traseira De Dion, freios de alto desempenho e amortecedores Koni.
O sistema hidráulico permite elevar a carroceria para superar obstáculos. O recurso é especialmente importante em ruas com lombadas, valetas e pavimento irregular, já que o esportivo possui baixa altura em relação ao solo.
A suspensão foi desenvolvida com prioridade absoluta para estabilidade e precisão. Como consequência, o carro transmite mais impactos aos ocupantes e oferece pouco conforto em pisos ruins.
Carroceria utilizou materiais compostos
Outra inovação foi o emprego de painéis externos produzidos com materiais compostos, instalados sobre uma estrutura de aço. A solução permitiu criar formas difíceis de reproduzir com os processos tradicionais de estampagem metálica.
O desenho inclui rodas de 16 polegadas, laterais volumosas, traseira elevada e um aerofólio integrado ao conjunto. O cupê possui apenas dois lugares e um interior totalmente orientado para o motorista.
Instrumentos adicionais mostram pressão e temperatura do motor, além da tensão do sistema elétrico. Os bancos esportivos seguram bem o corpo, enquanto as pedaleiras e o volante reforçam a proposta voltada à condução.

Um clássico que não permite indiferença
O Alfa Romeo SZ não foi criado para agradar a todos. Seu desenho divide opiniões, a suspensão é rígida e a cabine não oferece a praticidade encontrada em um gran turismo convencional.
Ainda assim, a combinação entre produção limitada, motor V6 Busso, tração traseira e design experimental fez o modelo alcançar um lugar especial entre os clássicos italianos.
Mais do que um automóvel raro, o SZ representa um período em que a Alfa Romeo, já sob o controle da Fiat, buscava reafirmar sua tradição esportiva. O resultado foi um carro radical, emocional e praticamente impossível de confundir com qualquer outro.
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