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Início » Últimas Notícias » VGHF11 cai a R$ 5,85, tem P/VP de 0,71 e paga R$ 0,07; vale a pena?
Fundos Imobiliários

VGHF11 cai a R$ 5,85, tem P/VP de 0,71 e paga R$ 0,07; vale a pena?

Fundo imobiliário negocia com desconto próximo de 30% sobre o valor patrimonial, mas exposição a outros FIIs e riscos de crédito exigem atenção dos investidores
André CarvalhoPor André Carvalho6 de agosto de 20264 minutos lidos
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O VGHF11 (Valora Hedge Fund) voltou ao radar dos investidores depois da forte desvalorização de suas cotas. O fundo chegou a negociar próximo de R$ 5,85, enquanto seu valor patrimonial por cota informado para junho ficou em R$ 8,22, criando um desconto próximo de 29%.

Com esses valores, o indicador preço sobre valor patrimonial, o P/VP, fica próximo de 0,71. Em termos simples, o mercado estaria pagando aproximadamente R$ 0,71 para cada R$ 1,00 de patrimônio contábil do fundo.

O desconto, porém, não significa automaticamente que o VGHF11 esteja barato ou que haverá recuperação rápida. Esse é justamente o principal ponto de atenção para quem está avaliando comprar cotas depois da queda.

O próprio esboço que serviu de base para esta análise destaca que preço baixo não deve ser confundido automaticamente com oportunidade, principalmente porque a composição do patrimônio aumenta a sensibilidade do fundo às oscilações do mercado de FIIs.

VGHF11 em números

IndicadorDados recentes
Cotação de referênciacerca de R$ 5,85
Valor patrimonial por cotaR$ 8,22
P/VP aproximado0,71
Último rendimentoR$ 0,07 por cota
Cotistas em junho368.182
Cotas emitidas164,72 milhões
Liquidez média diária em junhoR$ 2,5 milhões
Carteira de renda47,3% dos ativos-alvo

O VGHF11 distribuiu R$ 0,07 por cota referente a junho. Considerando o preço de fechamento do mês, de R$ 6,03, o rendimento correspondeu a aproximadamente 1,16% no mês.

Por que o VGHF11 ficou tão barato?

Uma das explicações está na própria estratégia do fundo.

Embora seja bastante associado ao segmento de recebíveis imobiliários, o VGHF11 utiliza uma estratégia multiestratégia e mantém exposição relevante a ativos cujo preço depende diretamente das condições do mercado.

Quando outros fundos imobiliários presentes na carteira se desvalorizam, essa perda pode aparecer também no patrimônio do VGHF11.

No relatório referente a maio, por exemplo, a gestão informou que a cota patrimonial caiu para R$ 8,37, influenciada pela desvalorização da carteira de FIIs, enquanto o IFIX havia recuado 1,32% naquele período.

Em junho, o valor patrimonial por cota caiu novamente, desta vez para R$ 8,22.

Por isso, o desconto observado atualmente não está relacionado apenas a uma onda de vendas das cotas na Bolsa. Parte dos próprios ativos que integram o patrimônio também passou por ajustes de valor.

CRI Manhattan vira outro ponto de atenção

Além das oscilações dos FIIs, há riscos de crédito que precisam ser acompanhados.

Em junho, a gestão decretou o vencimento antecipado do CRI Manhattan 161S, equivalente a aproximadamente 1,72% do patrimônio líquido, dando início ao processo de execução das garantias.

Segundo a administração, não há expectativa de necessidade de provisionamento para perdas neste ativo neste momento.

Os demais ativos de crédito permaneciam adimplentes, com exceção dos CRIs da operação Selina, que já estavam marcados a zero.

Isso indica que, pelos dados divulgados até agora, não existe uma inadimplência generalizada na carteira de crédito. O risco está mais concentrado em situações específicas e na própria estrutura da carteira.

Dividendos de R$ 0,07 ainda seguram a atratividade

Apesar da queda das cotas, o VGHF11 continuou distribuindo R$ 0,07 por cota.

O rendimento referente a junho representou rentabilidade líquida anualizada de aproximadamente 10,5%, segundo o relatório gerencial.

A questão para os próximos meses é saber se o fundo conseguirá manter essa geração de resultado sem depender excessivamente de ganhos extraordinários ou da recuperação das posições negociadas no mercado.

VGHF11 está barato ou virou armadilha?

O desconto próximo de 30% cria uma assimetria interessante, mas também mostra que o mercado está exigindo um prêmio elevado para assumir os riscos do fundo.

Uma recuperação dos FIIs presentes na carteira, melhora na marcação dos ativos e manutenção dos dividendos poderiam favorecer uma valorização das cotas.

Por outro lado, novas quedas no patrimônio, redução dos resultados ou problemas de crédito podem manter o VGHF11 negociando abaixo do valor patrimonial durante bastante tempo.

Portanto, P/VP de 0,71 sozinho não é suficiente para classificar o VGHF11 como uma oportunidade. Para investidores mais arrojados, o desconto pode justificar acompanhamento. Para quem prioriza previsibilidade, os próximos relatórios serão fundamentais antes de qualquer decisão.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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