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Início » Últimas Notícias » Três fundos imobiliários que podem se valorizar em 2026 mesmo com juros ainda elevados
Fundos Imobiliários

Três fundos imobiliários que podem se valorizar em 2026 mesmo com juros ainda elevados

Com foco no indicador P/VP e em ativos de qualidade, investidores miram FIIs que ainda negociam perto ou abaixo do valor patrimonial e podem ganhar fôlego com a queda da Selic.
Felipe AndradePor Felipe Andrade20 de janeiro de 20264 minutos lidos
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Mesmo após um período de juros elevados, o mercado de fundos imobiliários mostrou força ao longo de 2025, com diversos ativos registrando valorizações expressivas, em alguns casos superiores a 30% ou até 50%. Esse movimento reforçou uma percepção importante entre investidores mais atentos: mesmo em cenários adversos, fundos de qualidade tendem a se recuperar e, muitas vezes, superar expectativas.

Para identificar oportunidades de valorização, um dos indicadores mais utilizados é o P/VP (preço sobre valor patrimonial). Esse múltiplo compara o preço de mercado da cota com o valor patrimonial por cota, que representa quanto o fundo valeria se todos os seus ativos fossem vendidos e as dívidas quitadas. Em termos práticos, P/VP abaixo de 1 indica deságio, enquanto valores acima de 1 apontam ágio em relação ao patrimônio.

No entanto, um erro comum é assumir que fundos negociados a P/VP próximo ou ligeiramente acima de 1 não têm mais espaço para subir. A história do mercado mostra o contrário: fundos imobiliários de alta qualidade, especialmente de tijolo, frequentemente operam com ágio em ciclos de juros mais baixos, refletindo expectativa de crescimento, renda estável e valorização dos ativos.

BTLG11: logística de qualidade e histórico de ágio

Entre os fundos mais observados para 2026 está o BTLG11, um dos maiores e mais relevantes FIIs do segmento logístico. Atualmente negociado muito próximo do seu valor patrimonial, o fundo apresenta P/VP em torno de 1, o que à primeira vista poderia sugerir pouco espaço para valorização.

O histórico, porém, mostra outro cenário. Em 2021, o fundo chegou a operar com P/VP próximo de 1,07, quando o valor patrimonial girava em torno de R$ 100 e as cotas chegaram a ser negociadas acima de R$ 110. Com a alta dos juros a partir de 2022, houve compressão nos preços, trazendo o fundo de volta para patamares mais próximos do valor contábil.

O ponto central é que o BTLG11 possui imóveis logísticos premium, bem localizados e com contratos sólidos. Em um ambiente de queda da Selic, a tendência histórica é que fundos desse perfil voltem a negociar com ágio, refletindo a busca por renda previsível e ativos reais de qualidade.

XPML11: shoppings com deságio relevante

Outro fundo que chama atenção é o XPML11, um dos principais FIIs de shopping centers do mercado. Atualmente, o fundo negocia com P/VP ao redor de 0,86, o que representa um deságio aproximado de 14% em relação ao seu valor patrimonial.

O histórico do fundo ajuda a entender esse movimento. Durante o período mais crítico para o setor, especialmente em 2021, o P/VP chegou a níveis ainda mais baixos, refletindo o fechamento dos shoppings e a queda abrupta de receitas. Com a reabertura da economia, o fundo mostrou recuperação operacional e patrimonial, com aumento do valor patrimonial ao longo dos anos seguintes.

Mesmo assim, a manutenção dos juros elevados em 2024 e 2025 voltou a pressionar as cotações. Com expectativas de flexibilização monetária em 2026, o mercado tende a se antecipar, o que pode levar o XPML11 novamente a negociar próximo do seu valor patrimonial, como já ocorreu em ciclos anteriores.

BTRA11: agrologística e recuperação gradual

Fechando a lista está o BTRA11, fundo voltado ao segmento agrologístico, atualmente enquadrado como Fiagro. Diferente da maioria dos Fiagros focados em operações de crédito, o fundo investe diretamente em ativos físicos, como silos de armazenagem de grãos, o que reduz a concorrência direta no segmento.

Atualmente, o BTRA11 apresenta P/VP em torno de 0,78, com deságio significativo frente ao valor patrimonial. Nos últimos 12 meses, a cota já acumulou valorização próxima de 50%, reflexo de uma recuperação gradual após períodos de maior pressão, inclusive por problemas pontuais em operações passadas que já foram equacionados.

O histórico mostra que, por longos períodos, o fundo operou próximo do valor justo, com P/VP ao redor de 1. A evolução do patrimônio líquido e a normalização do mercado indicam que ainda há espaço para continuidade desse movimento, especialmente se o cenário macroeconômico se tornar mais favorável.

P/VP não é limite, é ponto de partida

A análise desses três fundos reforça uma lição recorrente no mercado imobiliário: P/VP não deve ser visto como um teto absoluto de preço. Fundos de qualidade, com bons ativos e gestão consistente, tendem a negociar com ágio em momentos de maior otimismo e juros mais baixos.

Em 2026, com a perspectiva de queda da Selic, o mercado pode voltar a precificar esses ativos de forma mais generosa. Para o investidor, o desafio está em diferenciar fundos estruturalmente sólidos daqueles que apenas parecem baratos. A combinação de P/VP, qualidade dos ativos e contexto macroeconômico segue sendo a chave para identificar oportunidades reais de valorização.

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FIIs 2026 fundos imobiliários investimentos P/VP valorização de cotas
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Felipe Andrade
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Felipe Andrade é analista de investimentos e colunista de mercado, com experiência em renda variável e mercados globais. Na A Revista, acompanha ações, empresas, petróleo, energia, commodities e mercados internacionais. Analisa resultados e documentos das companhias, contextualiza riscos e diferencia dados de expectativas.

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