O MXRF11, fundo imobiliário com o maior número de cotistas da B3, divulgou um relatório atualizado que trouxe mudanças relevantes na carteira, um novo panorama dos CRIs, reforço na estratégia de monitoramento e ajustes importantes em posições de FIIs e permutas financeiras. A atualização revela um cenário misto, combinando novas oportunidades, ganhos expressivos, riscos monitorados e uma avaliação clara sobre o desempenho recente do fundo.
A seguir, veja a análise completa e atualizada com todos os pontos relevantes para quem acompanha o MXRF11 de perto.
Dividendos: rendimento acima de 1% e estabilidade na distribuição
O fundo manteve o padrão de pagamentos consistente e distribuiu R$ 0,10 por cota, equivalente a 1,02% no mês. No acumulado, o dividend yield anualizado permanece em torno de 12% líquidos, mantendo o MXRF11 entre os principais FIIs de crédito quando o assunto é renda mensal.
Apesar de não liderar o ranking geral de dividendos dos fundos de papel, o fundo entrega previsibilidade e consistência, qualidades valorizadas especialmente em momentos de juros elevados.
Carteira concentrada em CRIs: quase 80% do patrimônio está no crédito
O relatório reforça que a espinha dorsal do fundo continua sendo os CRIs, que representam aproximadamente 80% do patrimônio líquido.
O restante da alocação está distribuído entre:
FIIs de diferentes segmentos
Permutas financeiras, que seguem como parcela menor da carteira, mas estratégica
Essa composição exige monitoramento constante da saúde dos devedores e da qualidade das garantias — algo que, segundo o relatório, a gestão intensificou.
Novos investimentos: R$ 88 milhões aplicados em CRIs indexados à inflação
O MXRF11 adicionou três novos CRIs ao portfólio, totalizando R$ 88 milhões em operações atreladas à inflação com retorno superior a IPCA + 10% ao ano. Entre os destaques:
Financiamento de galpão logístico próximo à Rodovia Dutra
Aporte em projeto de urbanização no Mato Grosso
Expansão de tranche no projeto JK Square
As novas operações reforçam a estratégia de priorizar CRIs com forte capacidade de geração de caixa e garantias robustas.
Vendas no mercado secundário geram lucro de R$ 6 milhões
O relatório detalha a venda de R$ 49 milhões em CRIs no mercado secundário.
A movimentação teve três efeitos positivos:
Geração de liquidez para novas oportunidades
Rebalanceamento da carteira
Lucro de aproximadamente R$ 6 milhões, resultado considerado expressivo dentro do segmento
Essas operações mostram que a gestão segue ativa, aproveitando janelas de precificação favoráveis no mercado de crédito.
Monitoramento mais rígido dos devedores: gestão ativa em cenário de juros altos
Com a taxa Selic ainda pressionada, o risco de inadimplência em operações de crédito aumenta. O relatório destaca:
acompanhamento direto e frequente com empresas emissoras,
renegociações de prazos,
análises de fluxo de caixa,
verificação de capacidade de pagamento.
Esse acompanhamento é essencial, já que a maior parte do resultado do fundo depende dos CRIs.
Estrutura de risco: 92% dos CRIs são de série única
A atualização informa que 92% dos CRIs na carteira são de série única, ou seja, todos os investidores possuem o mesmo nível de proteção e prioridade.
Essa estrutura tende a oferecer retornos maiores, mas com risco proporcionalmente mais elevado — algo que deve ser acompanhado com atenção pelos cotistas.
Duração dos CRIs: fundo equilibrado entre proteção e ganho potencial
O relatório mostra que o fundo combina CRIs de:
duração curta, que reduzem a volatilidade e a sensibilidade ao movimento dos juros;
duração longa (com vencimentos entre 2029 e 2031), que tendem a se valorizar mais quando a Selic começar a cair.
Esse equilíbrio favorece o fundo tanto na proteção de curto prazo quanto no ganho potencial em ciclos de afrouxamento monetário.
Casos em atenção: novos CRIs entram na lista de risco
O relatório adicionou dois novos CRIs ao quadro de monitoração especial:
CRI AIZ Pesa
CRI ArkiPlan Bside
As situações incluem:
carências temporárias,
renegociações de dívida,
possível venda de imóveis em garantia,
opções de execução, caso não haja acordo.
A inclusão reforça a necessidade de acompanhamento próximo — característica comum em FIIs de papel de grande porte.
FIIs na carteira: GARE11 assume posição de destaque
A parte de fundos imobiliários dentro da carteira também mudou:
GARE11 passou a ser a maior posição entre os FIIs, com R$ 78 milhões,
LPLP recebeu R$ 50 milhões,
XPHR entrou na carteira,
Algumas posições foram reduzidas, como MCLO, HGU e TELM11.
A alocação reforça a busca por diversificação dentro de setores de renda urbana e projetos de desenvolvimento.
Permutas financeiras: operação segue ativa e com bom alinhamento de interesses
O relatório também destacou o funcionamento das permutas financeiras dentro da estratégia do fundo. Nessa estrutura:
O fundo compra o terreno,
A construtora desenvolve o projeto,
E o lucro das vendas é dividido proporcionalmente.
A maior parte do retorno (cerca de 80%) vem após o habite-se, quando os compradores formalizam o financiamento e o recurso é repassado integralmente para a SPE.
Essa modalidade oferece forte potencial de retorno concentrado — principalmente em ciclos de vendas imobiliárias aquecidas.
Pontos positivos destacados
Lucro expressivo de R$ 6 milhões na venda de CRIs
LTV médio de 50%, considerado seguro
Monitoramento rigoroso dos devedores
Forte capacidade de geração de caixa
Histórico de rentabilidade acima dos principais índices de referência
Pontos de atenção
Novos CRIs com problemas adicionados à lista
Exposição elevada a séries únicas
Forte dependência dos CRIs
Parte relevante da carteira em títulos de longa duração, sensíveis aos juros
Rentabilidade histórica: desempenho consistente e acima da média
No acumulado desde o início, o fundo apresenta desempenho destacado, superando índices de referência por longos períodos e mantendo estabilidade mesmo durante volatilidades no mercado de crédito.
Nos últimos anos:
superou o CDI em vários períodos,
manteve performance sólida de longo prazo,
alternou entre medalha de ouro e prata em diferentes janelas temporais.
MXRF11 mantém força, mas exige acompanhamento próximo
O relatório atualizado reforça que o MXRF11 continua:
forte,
rentável,
relevante,
e bem posicionado para ciclos futuros de queda de juros.
Apesar dos novos pontos de atenção, o fundo segue entre os mais consistentes da categoria — um dos motivos pelos quais continua como um dos queridinhos da renda passiva na Bolsa brasileira.
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