Os fundos imobiliários MXRF11 (da XP Asset) e VGHF11 (da Valora Gestão) estão entre os mais comentados do segmento de papel na B3. Ambos investem majoritariamente em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), mas diferem em tamanho, liquidez, estratégia e perfil de risco. A seguir, uma análise comparativa aprofundada, com base em dados atualizados e indicadores fundamentais.
1. Histórico e gestão
O MXRF11, lançado em 2012 e gerido pela XP Asset, é um dos fundos mais antigos e consolidados do mercado. Já o VGHF11, criado em 2021 sob gestão da Valora, tem atuação mais recente e adota uma estratégia multiestratégia, misturando CRIs com cotas de outros fundos e ativos de crédito.
O histórico mais longo do MXRF11 permite avaliar melhor seu desempenho em diferentes ciclos econômicos, o que é uma vantagem importante em períodos de alta volatilidade da Selic.
2. Tamanho e liquidez
O MXRF11 é o maior fundo imobiliário da B3 em número de cotistas, superando 1,3 milhão de investidores, com patrimônio superior a R$ 4,1 bilhões. Já o VGHF11 possui cerca de 400 mil cotistas e patrimônio aproximado de R$ 1,4 bilhão.
Em termos de liquidez, o MXRF11 negocia cerca de R$ 11 milhões por dia, contra R$ 2,6 milhões do VGHF11, o que torna o fundo da XP mais atrativo para quem valoriza facilidade de entrada e saída sem impacto no preço das cotas.
3. Taxas e estrutura de custos
Ambos cobram 0,90% de taxa de administração, mas o VGHF11 possui taxa de performance de 20% sobre o IMAB5 + IPCA + 3%, enquanto o MXRF11 não cobra taxa de performance, o que aumenta a previsibilidade dos rendimentos líquidos ao cotista.
4. Carteira, risco e diversificação
Os dois fundos mantêm carteiras de risco médio, com retornos indexados a CDI + spreads e IPCA + prêmios acima da média.
MXRF11: 79,6% em CRIs, 10% em cotas de outros FIIs e 7% em permutas financeiras, com boa pulverização e maior diversificação entre emissores.
VGHF11: cerca de 148 ativos na carteira, com destaque para operações mais agressivas, em taxas como IPCA + 9,28% e CDI + 3,93%, refletindo uma postura um pouco mais arriscada, mas também mais rentável.
A concentração de risco também difere: no VGHF11, o ativo mais representativo responde por cerca de 10% do portfólio, enquanto no MXRF11 a maior posição representa apenas 3,4%, o que reforça o caráter mais conservador do fundo da XP.
5. Alavancagem e endividamento
A alavancagem é um ponto sensível entre os fundos de papel.
O MXRF11 apresenta alavancagem mínima, em torno de 0,8% do patrimônio, praticamente nula.
Já o VGHF11 opera com 6,5%, via operações compromissadas de curto prazo.
Ambos mantêm níveis saudáveis, mas o MXRF11 tem margem de segurança maior para enfrentar eventuais oscilações de crédito.
6. Dividendos e rendimento
Nos últimos 12 meses, o MXRF11 entregou um dividend yield de 11,7%, enquanto o VGHF11 pagou 13,9%, refletindo sua carteira mais agressiva.
Contudo, ao observar médias de longo prazo, o MXRF11 mantém distribuições mais estáveis e consistentes, enquanto o VGHF11 apresenta oscilações maiores, compatíveis com sua alavancagem e concentração de risco.
7. Rentabilidade e desempenho histórico
A rentabilidade total (cota + dividendos) reforça a solidez do MXRF11:
MXRF11: 16,2% nos últimos 2 anos e 65,4% nos últimos 5 anos.
VGHF11: 5,9% nos últimos 2 anos e 47% nos últimos 5 anos.
O histórico mostra que o MXRF11 tende a superar o VGHF11 em horizontes longos, mesmo pagando dividendos ligeiramente menores no curto prazo.
8. Preço e valor patrimonial (P/VP)
Atualmente, o VGHF11 negocia com desconto de 9% em relação ao seu valor patrimonial (P/VP de 0,91), enquanto o MXRF11 está levemente acima (P/VP de 1,03).
Isso torna o VGHF11 mais atrativo para quem busca oportunidades descontadas, embora o MXRF11 ofereça maior segurança e histórico comprovado.
Qual escolher em 2025?
A escolha entre MXRF11 e VGHF11 depende do perfil do investidor:
MXRF11 é ideal para quem busca renda passiva estável, liquidez e menor risco.
VGHF11 atrai investidores que aceitam mais volatilidade em troca de dividendos maiores e cotas descontadas.
Em 2025, com Selic ainda elevada e mercado imobiliário mais seletivo, uma estratégia equilibrada pode incluir ambos os fundos, aproveitando a solidez do MXRF11 e o potencial de valorização do VGHF11.
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