O fundo imobiliário MXRF11, um dos mais populares do mercado brasileiro, divulgou seu relatório gerencial referente a julho de 2025. O documento mostra que o fundo segue consistente na distribuição de rendimentos, mas também traz um alerta: a cotação atual está acima do valor patrimonial, o que pode reduzir a atratividade do investimento no curto prazo.
Cotação e relação P/VP
No fechamento mais recente, o MXRF11 era negociado a R$ 9,52, com um P/VP (Preço/Valor Patrimonial) de 1,01. Isso significa que o mercado está pagando mais do que o valor justo do ativo, estimado em R$ 9,42.
Especialistas em fundos de papel costumam recomendar cautela nesse cenário, já que os recebíveis (CRIs) não possuem a mesma perspectiva de valorização dos fundos de tijolo, ligados a imóveis físicos.
Dividendos constantes para os cotistas
Apesar da cautela com o preço, o MXRF11 mantém sua principal marca: a regularidade nos dividendos. Pelo quinto mês consecutivo, o fundo distribuiu R$ 0,10 por cota, o que representa um dividend yield anualizado de 12%.
Com mais de 1,3 milhão de cotistas e patrimônio líquido de R$ 4,1 bilhões, o MXRF11 se consolida como o fundo imobiliário mais popular do Brasil, sendo também um dos mais líquidos da B3.
Resultados e reservas financeiras
Segundo o relatório, em julho o fundo gerou R$ 43,65 milhões em receitas, com destaque para:
CRIs: R$ 6 milhões
FIIs: R$ 5,4 milhões
Permutas financeiras: R$ 0,5 milhão
As despesas somaram R$ 3,28 milhões, e a distribuição totalizou R$ 43,7 milhões, ligeiramente acima do resultado do mês. A diferença foi coberta com reservas acumuladas, que hoje somam cerca de R$ 0,07 por cota, funcionando como colchão para eventuais períodos de menor rentabilidade.
Estrutura da carteira
O portfólio do MXRF11 segue diversificado:
CRIs: 80% do patrimônio líquido, com forte exposição ao IPCA (86%)
FIIs: 10,8%
Permutas financeiras: 6,9%
Caixa: 2,7%
Entre os setores mais presentes nos recebíveis, estão residencial, varejo, shopping centers e agronegócio. Essa diversificação reduz riscos, já que o fundo não concentra seus investimentos em um único emissor.
Estratégia recente
Em julho, o fundo realizou a venda parcial de alguns CRIs, gerando um ganho de capital de R$ 1,8 milhão, e adquiriu novas operações, como o CRI JK, indexado ao IPCA com taxa de 7,4% ao ano.
Além disso, aumentou sua exposição ao CRI FGR em R$ 42 milhões.
Vale a pena investir no MXRF11 agora?
O relatório confirma que o MXRF11 continua sólido, com capacidade de manter os R$ 0,10 mensais por cota até o fim de 2025. Porém, como está acima do valor patrimonial, analistas alertam que o momento não é o ideal para novos aportes.
Outros fundos de papel, como BTCR11, KNSC11 e HGR11, estão sendo negociados com desconto e podem ser alternativas para quem busca diversificação e maior margem de segurança.
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