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Fundos Imobiliários

MXRF11 cai para R$ 9,35, mas parte do recuo é ajuste por rendimento; entenda

Cota passou a ser negociada sem direito ao pagamento de agosto; além do efeito técnico, investidor deve acompanhar P/VP, nova emissão e qualidade da carteira.
Rafael CostaPor Rafael Costa4 de agosto de 20267 minutos lidos
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MXRF11 cai para R$ 9,35, mas parte do recuo é ajuste por rendimento; entenda

A queda recente do MXRF11 chamou a atenção dos investidores, mas o movimento precisa ser analisado com cuidado. A cota encerrou o pregão de 3 de agosto em R$ 9,35, depois de ter sido usada a cotação de R$ 9,58 como referência para o rendimento anunciado no fechamento de julho.

A diferença é próxima de 2,4%, mas não representa integralmente uma desvalorização provocada por vendas no mercado. Parte relevante do recuo está relacionada ao chamado ajuste ex-rendimento.

Isso acontece porque, após a data-base do pagamento, a cota passa a ser negociada sem o direito ao provento já anunciado. No caso do MXRF11, apenas os investidores posicionados até 31 de julho receberão os R$ 0,10 por cota programados para 14 de agosto, conforme o calendário de rendimentos divulgado pela XP.

Parte da queda do MXRF11 é efeito ex-rendimento

Quando um fundo imobiliário anuncia R$ 0,10 por cota e passa a ser negociado sem direito a esse valor, é natural que o mercado faça um ajuste no preço.

Tomando como referência os R$ 9,58 do fechamento de julho, a cotação ajustada pelo rendimento seria de aproximadamente R$ 9,48. Diante do fechamento posterior em R$ 9,35, a queda além do ajuste técnico ficou ao redor de 1,4%.

Essa conta não significa que o preço obrigatoriamente precise cair exatamente o valor do rendimento. As cotas continuam sujeitas à oferta e à demanda, às expectativas dos investidores e às condições do mercado.

Ainda assim, separar o ajuste ex-rendimento da oscilação efetiva evita interpretar todo o movimento como uma “despencada” do fundo.

Outro ponto importante: quem comprou MXRF11 a partir de 3 de agosto não terá direito ao pagamento previsto para 14 de agosto. O próximo rendimento dependerá de novo comunicado do fundo e ainda não pode ser considerado garantido.

MXRF11 a R$ 9,35 está realmente barato?

A cotação menor aumenta matematicamente o dividend yield, desde que o rendimento seja mantido. Um pagamento hipotético de R$ 0,10 sobre uma cota de R$ 9,35 corresponderia a aproximadamente 1,07% no mês.

Isso, porém, não é suficiente para classificar o fundo como barato.

Os dados de junho indicavam valor patrimonial de aproximadamente R$ 9,23 por cota. Com o preço de mercado em R$ 9,35, o MXRF11 estaria sendo negociado com P/VP próximo de 1,01 — ou seja, ligeiramente acima do patrimônio contábil.

O P/VP compara a cotação com o valor patrimonial por cota. Um indicador próximo de 1 mostra que mercado e patrimônio estão em níveis semelhantes. Isso não significa, isoladamente, que a cota esteja cara ou barata.

Em fundos de recebíveis, a análise também precisa considerar a qualidade dos CRIs, garantias, risco dos devedores, indexadores, reservas acumuladas e capacidade de geração de caixa.

Rendimento de R$ 0,10 exige análise da sustentabilidade

O MXRF11 anunciou R$ 0,10 por cota para pagamento em 14 de agosto. Ao preço de R$ 9,58 usado como referência na data-base, o dividend yield mensal ficou em 1,04%.

No relatório gerencial referente a maio, o fundo informou resultado em regime de caixa de R$ 0,1012 por cota, pouco acima dos R$ 0,10 distribuídos naquele período.

O documento também apontava uma reserva acumulada de correção monetária de R$ 21,83 milhões, equivalente a R$ 0,047 por cota. Essa reserva pode ajudar a reduzir oscilações, mas não representa garantia de manutenção dos pagamentos.

Os rendimentos de FIIs variam conforme o resultado efetivamente obtido. Inadimplência, renegociações, queda dos indexadores, despesas, perdas na carteira ou demora na alocação de novos recursos podem afetar as distribuições futuras.

Nova emissão de cotas entra no radar

A queda também ocorreu em um período próximo à liquidação prevista da 12ª emissão do MXRF11, marcada no cronograma para 31 de julho.

A oferta foi estruturada para captar inicialmente até R$ 1 bilhão, com preço de emissão de R$ 9,37 por cota. Considerando a taxa de distribuição primária de R$ 0,27, o custo total da subscrição chegava a R$ 9,64 por nova cota, segundo o material oficial da oferta.

A proximidade entre o preço de mercado, o valor patrimonial e o preço de emissão pode influenciar as decisões dos investidores. Entretanto, não há confirmação de que a oferta tenha sido a causa direta da queda observada.

Uma emissão não é necessariamente negativa. Os recursos podem ampliar a diversificação, aumentar a liquidez e diluir custos fixos. O principal risco está na velocidade e na qualidade da alocação: enquanto o dinheiro não é investido em ativos rentáveis, pode ocorrer uma pressão temporária sobre o resultado por cota.

Queda da Selic não tem efeito único sobre o MXRF11

Relacionar a queda da cota apenas às expectativas para a Selic seria uma simplificação.

No relatório de maio, aproximadamente 78% do book de CRIs e permutas considerado na tabela de sensibilidade estava ligado ao IPCA ou ao INCC. A parcela indexada ao CDI aparecia perto de 7%.

Isso significa que inflação, juros reais, spreads de crédito e marcação a mercado também são relevantes. Uma redução da Selic pode diminuir gradualmente a receita dos ativos atrelados ao CDI, mas também pode aumentar a atratividade relativa dos FIIs e favorecer a valorização das cotas.

O efeito final depende da composição da carteira e das condições de mercado. Por isso, fundos de papel não devem ser tratados como equivalentes à renda fixa tradicional.

As cotas oscilam na Bolsa, não contam com cobertura do FGC e estão expostas a riscos de crédito, mercado e liquidez.

Principais dados do MXRF11

IndicadorDado observadoPor que importaPonto de atenção
Cotação em 3 de agostoR$ 9,35Aumenta o yield percentual caso o rendimento seja mantidoParte da queda decorre do ajuste ex-rendimento
Rendimento anunciadoR$ 0,10 por cotaPagamento marcado para 14 de agostoSomente cotistas posicionados até 31 de julho têm direito
Valor patrimonial de junhoCerca de R$ 9,23 por cotaPermite calcular o P/VPCotação ainda estava ligeiramente acima do patrimônio
P/VP aproximado1,01Indica preço próximo do valor patrimonialNão mede sozinho a qualidade ou o risco da carteira
Preço da 12ª emissãoR$ 9,37 por cotaReferência para a oferta de novas cotasCom a taxa primária, o custo total chegava a R$ 9,64
Resultado de caixa em maioR$ 0,1012 por cotaFicou próximo da distribuição de R$ 0,10O resultado pode mudar nos meses seguintes

Simulações de renda passiva não são projeções garantidas

Simulações de longo prazo podem ajudar a visualizar o efeito do reinvestimento, mas seus resultados dependem de premissas que dificilmente permanecem constantes por décadas.

Preço da cota, rendimento mensal, inflação, inadimplência, impostos, novas emissões e aportes podem mudar significativamente. Portanto, projetar patrimônio ou renda para 10, 20 ou 30 anos mantendo sempre R$ 0,10 por cota deve ser entendido apenas como exercício matemático.

Além disso, a isenção de Imposto de Renda sobre rendimentos dos FIIs depende do cumprimento das condições previstas na legislação. Eventuais ganhos obtidos na venda das cotas são tributados.

O QUE OBSERVAR AGORA

Principal ponto de atenção: acompanhar como os recursos da 12ª emissão serão alocados e se os novos investimentos conseguirão sustentar o resultado por cota.

Risco ou limitação: a manutenção de R$ 0,10 mensais não está garantida. O fundo está exposto a risco de crédito, variação dos indexadores, oscilações da cota e possíveis atrasos ou renegociações.

Próximo dado importante: o próximo relatório gerencial e o comunicado de rendimentos mostrarão o resultado mais recente, o andamento da emissão e o valor que será distribuído no próximo mês.

A queda para R$ 9,35 reduziu parte do prêmio que o MXRF11 apresentava, mas não criou automaticamente um grande desconto patrimonial. Para o cotista, o mais importante agora é separar o efeito ex-rendimento da oscilação de mercado e acompanhar a geração recorrente de caixa, os riscos dos CRIs e a aplicação dos recursos captados.

Aviso: este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e jornalístico. Não representa recomendação de compra, venda ou manutenção de ações, FIIs, títulos públicos, títulos privados, criptomoedas ou qualquer outro ativo financeiro. Antes de investir, avalie seu perfil, seus objetivos, os riscos envolvidos e consulte profissionais autorizados, se necessário.

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Rafael Costa
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Rafael Costa é editor de Tecnologia e Inovação, especialista em Blockchain e Web3, com pós-graduação em Finanças. Na A Revista, acompanha criptomoedas, tecnologia financeira, inovação e os efeitos dessas mudanças sobre empresas e mercados. Distingue uso efetivo, anúncios, projeções e riscos dos ativos digitais.

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