O MXRF11 continua sendo um dos fundos imobiliários mais conhecidos e investidos da bolsa brasileira, com uma base superior a 1,4 milhão de cotistas. Durante anos, ocupou o topo como o FII mais popular do mercado — impulsionado pelo preço acessível, simplicidade da tese e forte presença entre investidores iniciantes.
No entanto, o cenário atual é bem diferente. Com maior concorrência, mudança no ciclo de juros e novas alternativas mais eficientes, a grande questão que surge é: ainda faz sentido manter o MXRF11 na carteira em 2026?
Popularidade não significa vantagem: o que explica o sucesso do MXRF11
O sucesso do MXRF11 está diretamente ligado a três fatores principais:
Preço baixo (base R$ 10), facilitando o acesso de investidores iniciantes
Distribuição mensal de dividendos, gerando renda previsível
Tese simples, focada em CRIs (papéis de crédito imobiliário)
Esse conjunto fez o fundo crescer rapidamente e criar um efeito de “bola de neve”, onde mais investidores atraem ainda mais investidores.
Mas esse mesmo fator de popularidade também traz um problema: demanda elevada pode inflar o preço sem necessariamente melhorar os fundamentos.
Dividendos seguem estáveis, mas já perderam força
Historicamente, o MXRF11 chegou a entregar dividend yields mais atrativos, especialmente em períodos de juros altos.
Evolução recente dos dividendos:
| Período | Dividendo mensal | Dividend Yield aproximado |
|---|---|---|
| 2023 | R$ 0,12 | 13% a 14% ao ano |
| 2024 | R$ 0,10 | ~12% ao ano |
| 2025 | R$ 0,09 a R$ 0,10 | ~11% a 12% ao ano |
Hoje, o fundo entrega cerca de 1% ao mês, o que ainda é competitivo — mas já não é destaque no mercado.
Com a perspectiva de queda da inflação e dos juros, há uma tendência clara:
Redução gradual dos dividendos no médio prazo
Pressão sobre fundos de papel, especialmente os indexados ao IPCA
Preço acima do valor patrimonial acende sinal de alerta
Um dos principais pontos de atenção é o valuation.
Valor patrimonial por cota: ~R$ 9,46
Preço de mercado: acima disso
P/VP: ~1,03
Isso significa que o investidor está pagando ágio de cerca de 3%.
Para fundos de papel, o ideal costuma ser:
Comprar próximo ou abaixo do valor patrimonial
Evitar pagar prêmio sem ganho claro de gestão ou performance
No caso do MXRF11, esse ágio é mais resultado de oferta e demanda do que de diferencial operacional.
Carteira: diversificação é positiva, mas falta transparência
O fundo possui cerca de 80% do patrimônio alocado em CRIs, com forte predominância em títulos atrelados ao IPCA:
88% indexados ao IPCA
~11% atrelados ao CDI
Pequena parcela em outros ativos
Pontos positivos:
Carteira pulverizada em diversos setores
Diversificação de devedores reduz risco de concentração
Títulos com taxas elevadas (IPCA + 8% a +11%)
Pontos negativos:
Falta de transparência clara sobre o rating dos ativos
Gestão considerada mais conservadora e pouco ativa
Menor capacidade de gerar ganhos relevantes via marcação a mercado
Cenário macro pressiona fundos de papel
O ambiente econômico também pesa contra o MXRF11.
Com a expectativa de:
Queda da Selic
Desaceleração da inflação
Os fundos de papel tendem a sofrer, porque:
Novos CRIs passam a pagar menos
A rentabilidade futura diminui
Dividendos tendem a cair
Apesar de o IPCA proteger contra inflação, ele também reduz ganhos quando a inflação desacelera.
MXRF11 vs concorrência: o fundo perdeu protagonismo?
Hoje, o mercado de FIIs está muito mais sofisticado.
Existem fundos que oferecem:
Maior retorno com risco semelhante
Melhor gestão ativa
Desconto relevante sobre valor patrimonial
Estratégias híbridas mais eficientes
Isso coloca o MXRF11 em uma posição “mediana”:
Não é o mais barato
Não é o mais rentável
Não é o mais seguro
Não é o mais eficiente
Vale a pena manter o MXRF11 na carteira?
A resposta depende do perfil do investidor.
Faz sentido manter se:
Busca renda mensal previsível
Prefere baixa complexidade
Já tem posição consolidada no fundo
Pode não fazer sentido se:
Busca maior retorno ajustado ao risco
Quer fundos mais descontados
Procura gestão mais ativa
Está montando carteira hoje do zero
Um gigante que deixou de ser protagonista
O MXRF11 continua sendo um dos fundos mais relevantes do mercado — principalmente pelo tamanho e base de investidores.
Mas em termos de eficiência, retorno e oportunidades, já não é mais a melhor escolha dentro do universo de FIIs.
O fundo hoje representa mais uma posição de estabilidade do que de crescimento ou geração de alfa.
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