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Início » Últimas Notícias » MXRF11 ainda compensa? O que mudou no fundo mais popular da bolsa
Fundos Imobiliários

MXRF11 ainda compensa? O que mudou no fundo mais popular da bolsa

Com mais de 1,4 milhão de cotistas, MXRF11 segue líder em popularidade, mas dividendos, preço e concorrência mais eficiente colocam o fundo em xeque
Rafael CostaPor Rafael Costa17 de março de 20264 minutos lidos
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O MXRF11 continua sendo um dos fundos imobiliários mais conhecidos e investidos da bolsa brasileira, com uma base superior a 1,4 milhão de cotistas. Durante anos, ocupou o topo como o FII mais popular do mercado — impulsionado pelo preço acessível, simplicidade da tese e forte presença entre investidores iniciantes.

No entanto, o cenário atual é bem diferente. Com maior concorrência, mudança no ciclo de juros e novas alternativas mais eficientes, a grande questão que surge é: ainda faz sentido manter o MXRF11 na carteira em 2026?

Popularidade não significa vantagem: o que explica o sucesso do MXRF11

O sucesso do MXRF11 está diretamente ligado a três fatores principais:

  • Preço baixo (base R$ 10), facilitando o acesso de investidores iniciantes

  • Distribuição mensal de dividendos, gerando renda previsível

  • Tese simples, focada em CRIs (papéis de crédito imobiliário)

Esse conjunto fez o fundo crescer rapidamente e criar um efeito de “bola de neve”, onde mais investidores atraem ainda mais investidores.

Mas esse mesmo fator de popularidade também traz um problema: demanda elevada pode inflar o preço sem necessariamente melhorar os fundamentos.

Dividendos seguem estáveis, mas já perderam força

Historicamente, o MXRF11 chegou a entregar dividend yields mais atrativos, especialmente em períodos de juros altos.

Evolução recente dos dividendos:

PeríodoDividendo mensalDividend Yield aproximado
2023R$ 0,1213% a 14% ao ano
2024R$ 0,10~12% ao ano
2025R$ 0,09 a R$ 0,10~11% a 12% ao ano

Hoje, o fundo entrega cerca de 1% ao mês, o que ainda é competitivo — mas já não é destaque no mercado.

Com a perspectiva de queda da inflação e dos juros, há uma tendência clara:

  • Redução gradual dos dividendos no médio prazo

  • Pressão sobre fundos de papel, especialmente os indexados ao IPCA

Preço acima do valor patrimonial acende sinal de alerta

Um dos principais pontos de atenção é o valuation.

  • Valor patrimonial por cota: ~R$ 9,46

  • Preço de mercado: acima disso

  • P/VP: ~1,03

Isso significa que o investidor está pagando ágio de cerca de 3%.

Para fundos de papel, o ideal costuma ser:

  • Comprar próximo ou abaixo do valor patrimonial

  • Evitar pagar prêmio sem ganho claro de gestão ou performance

No caso do MXRF11, esse ágio é mais resultado de oferta e demanda do que de diferencial operacional.

Carteira: diversificação é positiva, mas falta transparência

O fundo possui cerca de 80% do patrimônio alocado em CRIs, com forte predominância em títulos atrelados ao IPCA:

  • 88% indexados ao IPCA

  • ~11% atrelados ao CDI

  • Pequena parcela em outros ativos

Pontos positivos:

  • Carteira pulverizada em diversos setores

  • Diversificação de devedores reduz risco de concentração

  • Títulos com taxas elevadas (IPCA + 8% a +11%)

Pontos negativos:

  • Falta de transparência clara sobre o rating dos ativos

  • Gestão considerada mais conservadora e pouco ativa

  • Menor capacidade de gerar ganhos relevantes via marcação a mercado

Cenário macro pressiona fundos de papel

O ambiente econômico também pesa contra o MXRF11.

Com a expectativa de:

  • Queda da Selic

  • Desaceleração da inflação

Os fundos de papel tendem a sofrer, porque:

  • Novos CRIs passam a pagar menos

  • A rentabilidade futura diminui

  • Dividendos tendem a cair

Apesar de o IPCA proteger contra inflação, ele também reduz ganhos quando a inflação desacelera.

MXRF11 vs concorrência: o fundo perdeu protagonismo?

Hoje, o mercado de FIIs está muito mais sofisticado.

Existem fundos que oferecem:

  • Maior retorno com risco semelhante

  • Melhor gestão ativa

  • Desconto relevante sobre valor patrimonial

  • Estratégias híbridas mais eficientes

Isso coloca o MXRF11 em uma posição “mediana”:

  • Não é o mais barato

  • Não é o mais rentável

  • Não é o mais seguro

  • Não é o mais eficiente

Vale a pena manter o MXRF11 na carteira?

A resposta depende do perfil do investidor.

Faz sentido manter se:

  • Busca renda mensal previsível

  • Prefere baixa complexidade

  • Já tem posição consolidada no fundo

Pode não fazer sentido se:

  • Busca maior retorno ajustado ao risco

  • Quer fundos mais descontados

  • Procura gestão mais ativa

  • Está montando carteira hoje do zero

Um gigante que deixou de ser protagonista

O MXRF11 continua sendo um dos fundos mais relevantes do mercado — principalmente pelo tamanho e base de investidores.

Mas em termos de eficiência, retorno e oportunidades, já não é mais a melhor escolha dentro do universo de FIIs.

O fundo hoje representa mais uma posição de estabilidade do que de crescimento ou geração de alfa.

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Rafael Costa é editor de Tecnologia e Inovação, especialista em Blockchain e Web3, com pós-graduação em Finanças. Na A Revista, acompanha criptomoedas, tecnologia financeira, inovação e os efeitos dessas mudanças sobre empresas e mercados. Distingue uso efetivo, anúncios, projeções e riscos dos ativos digitais.

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