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Início » Últimas Notícias » MCRE11 lucra com venda estratégica e sustenta dividendos elevados em 2026
Fundos Imobiliários

MCRE11 lucra com venda estratégica e sustenta dividendos elevados em 2026

Fundo multiestratégia da Mauá reduz desconto, registra ganho de capital com venda indireta ao TRXF11 e sustenta distribuição mensal de 11 centavos por cota
Fabiane MeloPor Fabiane Melo7 de janeiro de 20265 minutos lidos
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O relatório gerencial de dezembro do MCRE11, fundo imobiliário multiestratégia da Mauá Capital, trouxe números relevantes que ajudam a explicar a forte valorização das cotas nos últimos meses e a manutenção de um patamar elevado de dividendos.

O fundo encerrou o mês com quase 87 mil cotistas, crescimento consistente frente aos cerca de 85 mil registrados anteriormente. O patrimônio líquido ultrapassou R$ 1,119 bilhão, enquanto o valor patrimonial por cota (VP) ficou em R$ 10,40.

No fechamento do relatório, a cota era negociada a R$ 8,75, refletindo um desconto de aproximadamente 16% sobre o valor patrimonial. Desde então, o mercado reagiu: a cota avançou para a região de R$ 9,20, reduzindo o desconto para cerca de 8%, com P/VP próximo de 0,92.

Desempenho da cota e fechamento do “gap” com o VP

O movimento de recuperação do MCRE11 foi expressivo:

  • Valorização no último mês: +3,72%

  • Valorização em 6 meses: +8,62%

  • Valorização em 12 meses: +17,5%

A cota saiu de R$ 7,83 em janeiro de 2025 e atingiu máxima anual de R$ 9,26 em dezembro de 2025, mostrando que parte relevante do desconto foi absorvida pelo mercado — embora o fundo ainda siga negociado abaixo do valor patrimonial.

Dividendos elevados e rendimento competitivo

Com a cota ao redor de R$ 9,23 e distribuição mensal de R$ 0,11, o fundo apresenta um dividend yield mensal aproximado de 1,19%, um patamar bastante elevado dentro do segmento.

Nos últimos 12 meses, o MCRE11 acumulou 14,19% em rendimentos, mantendo-se como um dos fundos multiestratégia mais generosos em distribuição, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados.

A liquidez também segue como ponto forte: a liquidez média diária em dezembro foi de R$ 4,2 milhões, característica típica de um fundo “base 10”, com grande pulverização de cotistas.

Venda estratégica ao TRXF11 gera ganho de capital

O principal destaque do mês foi a venda indireta de um portfólio com quatro lojas de varejo e supermercados em São Paulo, ativos desenvolvidos sob o modelo built-to-suit.

Esses imóveis foram vendidos ao TRXF11, mas não de forma direta: o MCRE11 detinha os ativos por meio de fundos imobiliários intermediários da própria casa, como Mauá Renda Urbana e Mauá Propriedades — reforçando a presença recorrente de estruturas internas dentro dos fundos da gestora.

O pagamento foi feito em cotas do TRXF11, recebidas a valor patrimonial, o que gerou um ganho de capital estimado em R$ 25 milhões, equivalente a cerca de R$ 0,23 por cota do MCRE11.

Por que esse lucro ainda não chegou ao cotista?

Apesar de relevante, esse ganho não entra imediatamente em caixa. Como a transação ocorreu via fundos intermediários e o pagamento foi feito em cotas, o resultado só será reconhecido à medida que:

  1. As cotas do TRXF11 forem vendidas

  2. O caixa seja efetivamente repassado ao MCRE11

Além disso, o TRXF11 realizou uma emissão bilionária, o que mantém suas cotas pressionadas no mercado secundário. Isso tende a alongar o prazo para a realização total do lucro.

Resultado do mês: de onde vieram os 11 centavos?

Em dezembro, o fundo gerou e distribuiu R$ 0,11 por cota, sem uso de reservas. A decomposição do resultado mostra:

  • R$ 0,06 – Rendimentos de CRIs e crédito estruturado

  • R$ 0,02 – Rendimentos de fundos imobiliários

  • R$ 0,01 – Receita do galpão logístico (CD Santa Cruz)

  • R$ 0,01 – Resultado do caixa

  • R$ 0,05 – Ganho de capital com giro de ativos

  • – R$ 0,03 – Despesas

A reserva do fundo permanece curta, em apenas R$ 0,01 por cota, após uso relevante no mês anterior.

Composição da carteira e perfil de risco

A carteira do MCRE11 segue bastante carregada em crédito:

  • 51% em CRIs e crédito estruturado

  • 29% em imóveis físicos (principalmente o CD Santa Cruz)

  • 13% em fundos estruturados

  • 10% em alocação tática

  • 7% em FIIs listados

  • 3% em caixa

Cerca de 89% da carteira está indexada ao IPCA, com taxa média de IPCA + 11,1%, enquanto o restante segue atrelado ao CDI + 4,1%.

O “ativo-chave”: CD Santa Cruz pode destravar valor

O Centro de Distribuição Santa Cruz, no Rio de Janeiro, é hoje o principal ativo individual do fundo. O imóvel:

  • Representa parcela relevante da carteira

  • Foi adquirido a um custo estimado de R$ 105 milhões

  • Possui valor patrimonial próximo de R$ 190 milhões

O ponto decisivo é que o imóvel zerou a vacância, saindo de cerca de 23% para 100% locado, o que aumenta significativamente sua atratividade para uma venda futura.

Caso a venda ocorra a valor patrimonial, o fundo pode gerar um ganho de capital estimado em R$ 2,24 por cota, diluído ao longo do tempo, mas com impacto relevante no retorno total ao cotista.

Rentabilidade: entregando acima do IFIX e do CDI

Mesmo com taxas de administração e performance consideradas elevadas, os números mostram entrega consistente:

  • Rentabilidade a mercado desde o início: +65,3%

  • IFIX no mesmo período: +29,9%

  • CDI líquido: +53,9%

Somente em 2025, o MCRE11 entregou 29,3% de rentabilidade a mercado, superando com folga tanto o IFIX quanto o CDI.

O que esperar para 2026?

Embora o fundo ainda não tenha divulgado oficialmente o guidance do 1º semestre de 2026, a própria gestão sinalizou que o patamar de distribuição deve ser mantido, em linha com os atuais R$ 0,10 a R$ 0,11 por cota, com forte indicação de continuidade nos R$ 0,11 mensais.

O MCRE11 segue como um fundo de perfil mais arrojado, com crédito de taxas elevadas, concentração relevante em ativos estratégicos e presença de conflitos estruturais típicos da casa — mas que, até aqui, vêm se traduzindo em rentabilidade acima da média para os cotistas.

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Fabiane Melo
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Fabiane Melo é editora de Economia e Negócios, formada em Administração e pós-graduada em Finanças. Na A Revista, acompanha resultados de empresas, negócios, economia e setores produtivos, relacionando fatos e indicadores ao ambiente de investimentos. Prioriza contexto, documentos e linguagem acessível.

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