O KNCR11, fundo imobiliário de papel gerido pela Kinea, é hoje um dos maiores FIIs da B3 em patrimônio e número de cotistas. Com patrimônio líquido próximo de R$ 9 bilhões e quase 9 mil cotistas, o fundo se consolidou como referência em estratégia atrelada ao CDI.
Cotado a R$ 105,58 no fechamento mais recente analisado, o fundo apresenta:
P/VP: 1,03
Valor patrimonial por cota: R$ 102,26
Ágio: cerca de 3%
Na prática, o investidor está pagando R$ 103 por algo que vale R$ 100 em patrimônio. A pergunta é direta: compensa pagar esse ágio?
Dividendos do KNCR11: quanto ele realmente paga?
O KNCR11 mantém pagamentos mensais, sempre no último dia útil de cada mês, com distribuição prevista para o dia 12 do mês subsequente.
Últimos dividendos pagos:
Dezembro: R$ 1,11
Janeiro: R$ 1,30
Fevereiro: R$ 1,20
Nos últimos 12 meses, o fundo distribuiu R$ 14,53 por cota.
Rentabilidade atual
Com cotação de R$ 105,58:
Dividend yield mensal: 1,13%
Dividend yield anualizado: 14,44%
Isento de Imposto de Renda
Trata-se de uma das maiores rentabilidades entre FIIs indexados ao CDI.
Número do “médico”: quando os dividendos compram uma nova cota?
Uma métrica interessante é calcular quantas cotas são necessárias para que os dividendos mensais paguem automaticamente uma nova cota.
Cálculo:
105,58 ÷ 1,20 = 88 cotas
Ou seja, com aproximadamente R$ 9.291 investidos, o investidor já consegue reinvestir automaticamente uma cota por mês apenas com dividendos.
Isso acelera o efeito bola de neve no longo prazo.
Histórico de P/VP: o KNCR11 raramente fica barato
Analisando o histórico do fundo, observa-se que o KNCR11 opera praticamente sempre acima de P/VP 1.
2024: chegou próximo de 1,01
2025: atingiu 1,05
Atual: 1,03
Mesmo em momentos de forte queda do mercado imobiliário, o fundo não negociou com desconto relevante.
Isso revela dois pontos importantes:
Forte demanda estrutural pelo ativo
Baixa probabilidade de grandes valorizações via múltiplo
Fundo de papel tende a entregar rendimento, não valorização expressiva de cota.
KNCR11 x CDI: quem vence no longo prazo?
Nos últimos 5 anos:
| Investimento | Rentabilidade acumulada |
|---|---|
| KNCR11 | 114% |
| CDI | 69% |
| Correção (IPCA) | 33% |
Além disso, o KNCR11 possui vantagem tributária, já que os dividendos são isentos, enquanto o CDI sofre desconto de IR.
Simulação: R$ 10 mil no KNCR11 vs CDB 100% CDI
Considerando:
KNCR11: 1,13% ao mês
CDB 100% CDI: 1% líquido ao mês
Resultado em 10 anos:
KNCR11: R$ 38.512
CDB: R$ 33.003
Resultado em 20 anos:
KNCR11: R$ 148.320
CDB: R$ 108.925
Diferença a favor do KNCR11 em 20 anos:
R$ 39.395
Mesmo pequena, a diferença mensal de 0,13% gera impacto enorme no longo prazo.
Importante destacar: essas projeções dependem do cenário de juros. Com tendência de queda da Selic, tanto CDI quanto rendimento do fundo podem se ajustar.
Preço teto do KNCR11: existe margem de segurança?
Usando os dados atuais:
VP: R$ 102,26
Dividendos 12 meses: R$ 14,53
Cenários de retorno esperado
Se o investidor desejar:
12% ao ano → pode pagar até R$ 138,86
13% ao ano → até R$ 118,32
14% ao ano → cerca de R$ 102
Com cotação em R$ 105,58:
Para retorno de 13%, há margem
Para 14%, já não há desconto
Se o fundo elevar dividendos para R$ 15,50 nos próximos 12 meses, o preço teto sobe, aumentando a margem de segurança.
O KNCR11 ainda vale a pena?
Pontos positivos:
Forte histórico de pagamento
Baixa volatilidade
Estratégia atrelada ao CDI
Alta liquidez
Isenção de IR
Pontos de atenção:
Opera com ágio recorrente
Baixa expectativa de valorização de cota
Dependência do ciclo de juros
O KNCR11 se encaixa no perfil de investidor que busca previsibilidade e renda recorrente, não crescimento patrimonial acelerado via valorização.
O KNCR11 continua sendo um dos fundos imobiliários de papel mais consistentes da Bolsa, entregando rendimento acima de 14% ao ano isento de IR.
Mesmo negociando acima do valor patrimonial, o fundo mantém margem para quem busca retorno entre 12% e 13% ao ano.
A decisão final depende do objetivo do investidor: renda previsível ou busca por desconto patrimonial.
O KNCR11 não costuma ficar barato — mas também raramente decepciona em dividendos.
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