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Fundos Imobiliários

Janela de oportunidade: 4 Fundos Imobiliários negociados com desconto

Com dividendos mensais isentos de Imposto de Renda e cotas negociadas abaixo do valor patrimonial, esses fundos imobiliários ainda podem representar oportunidade estratégica antes do novo ciclo de juros.
Mariana DuartePor Mariana Duarte13 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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Janela de oportunidade: 4 Fundos Imobiliários negociados com desconto
Janela de oportunidade: 4 Fundos Imobiliários negociados com desconto

Com o CDI elevado e muitos investidores migrando para CDBs e Tesouro Direto, uma dúvida tem sido recorrente: ainda faz sentido investir em fundos imobiliários?

A resposta depende da estratégia. Enquanto produtos de renda fixa entregam rentabilidade bruta atrativa, é preciso descontar inflação e Imposto de Renda. Já os fundos imobiliários distribuem dividendos mensais isentos de IR para pessoa física, o que aumenta a eficiência do retorno.

Além disso, o mercado já começa a projetar uma possível queda da Selic ao longo de 2026. Historicamente, ciclos de redução de juros favorecem ativos de renda variável, como ações e FIIs.

Mesmo após recuperação do IFIX, ainda existem fundos imobiliários negociados com desconto relevante sobre o valor patrimonial.

A seguir, quatro exemplos que continuam chamando atenção.

TRXF11: renda urbana com contratos fortes e baixa vacância

O TRXF11 é um fundo de tijolo focado em imóveis de renda urbana, especialmente supermercados e grandes varejistas alimentares.

Principais indicadores:

  • Cotação aproximada: R$ 93

  • Dividend yield (12 meses): 12,69%

  • P/VP: 0,92

  • Vacância: 0,22%

  • Patrimônio: R$ 6,31 bilhões

  • Cerca de 238 mil cotistas

Entre os principais inquilinos estão grandes redes do varejo alimentar, com contratos de longo prazo e multas relevantes em caso de rescisão, o que aumenta a previsibilidade da receita.

Recentemente, o fundo realizou movimentações estratégicas envolvendo aquisição de imóveis por meio de emissão de cotas. Parte do mercado reagiu negativamente no curto prazo, pressionando o preço. Ainda assim, os fundamentos seguem preservados.

O crescimento foi acelerado nos últimos anos, mas sem perda estrutural de qualidade dos ativos. Para investidores que analisam fundamentos e não apenas preço de curto prazo, o desconto pode representar oportunidade.

VRTA11: fundo high grade negociado abaixo do valor patrimonial

O VRTA11 é um fundo de papel com carteira focada majoritariamente em CRIs de alta qualidade (high grade).

Indicadores atuais:

  • Cotação: cerca de R$ 79

  • Dividend yield (12 meses): 12,94%

  • P/VP: 0,93

  • Liquidez média diária: acima de R$ 1 milhão

  • Patrimônio: R$ 1,31 bilhão

  • Aproximadamente 108 mil cotistas

O valor patrimonial por cota gira em torno de R$ 84,33, o que indica desconto no mercado secundário.

Em fundos de papel, o P/VP é um indicador ainda mais relevante, pois o patrimônio reflete diretamente a carteira de crédito imobiliário. Mesmo em cenário de juros elevados, o fundo mantém distribuição consistente.

É um perfil mais conservador dentro do universo de FIIs, voltado para quem prioriza previsibilidade e qualidade de crédito.

VGHF11: fundo híbrido com desconto expressivo

O VGHF11 é conhecido como fundo híbrido, investindo em FIIs, CRIs, SPEs e até pequenas exposições em ações.

Dados relevantes:

  • Cotação: cerca de R$ 7,13

  • Dividend yield (12 meses): 14,01%

  • P/VP: 0,82

  • Liquidez diária: R$ 2,6 milhões

  • Patrimônio: R$ 1,43 bilhão

  • Aproximadamente 387 mil cotistas

O desconto de quase 18% sobre o valor patrimonial chama atenção.

A estratégia diversificada permite flexibilidade na alocação entre crédito e imóveis, funcionando como um “canivete suíço” dentro da carteira.

Por ser um fundo de valor mais acessível (“base 10”), é frequentemente utilizado por investidores iniciantes que buscam acelerar o efeito bola de neve com reinvestimento mensal dos dividendos.

GGRC11: logística, geração de caixa e desconto relevante

O GGRC11 vem passando por movimentações estratégicas relevantes.

Indicadores:

  • Cotação: cerca de R$ 10

  • Valor patrimonial por cota: R$ 11,22

  • P/VP: 0,89

  • Dividend yield (12 meses): 12,05%

  • Patrimônio: R$ 2,4 bilhões

  • Cerca de 258 mil cotistas

O fundo realizou recentemente vendas estratégicas de imóveis, gerando lucro contábil e reforço de caixa. Parte relevante do portfólio está alocada no setor logístico, que hoje representa aproximadamente 68% da carteira.

Com foco crescente em galpões e centros de distribuição, o fundo se posiciona em um segmento que tende a se beneficiar em ciclos de crescimento econômico e redução de juros.

A negociação abaixo do valor patrimonial pode indicar que o mercado ainda não precificou totalmente os movimentos recentes.

Por que a queda da Selic pode mudar o jogo?

Caso a Selic inicie um ciclo consistente de queda em 2026, o impacto pode ser significativo:

  • A renda fixa perde atratividade relativa

  • Fundos imobiliários tendem a se valorizar

  • O IFIX historicamente reage de forma positiva

Muitos investidores aguardam a confirmação da queda para entrar. Porém, o mercado costuma antecipar movimentos macroeconômicos.

Mesmo após a recuperação recente do IFIX, ainda existem fundos imobiliários baratos sendo negociados com desconto relevante sobre o valor patrimonial.

Com dividendos mensais isentos de IR e possível ciclo de queda da Selic no horizonte, 2026 pode representar um ponto estratégico para quem pensa no longo prazo.

Importante lembrar: não se trata de recomendação de compra. Cada investidor deve avaliar perfil, risco e estratégia antes de tomar qualquer decisão.

No mercado, quem se posiciona antes das grandes viradas costuma colher os melhores resultados depois.

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Mariana Duarte
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Mariana Duarte é jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com mais de 10 anos de experiência em redações de portais nacionais e especialização em jornalismo digital. Na A Revista, acompanha economia, empresas, mercados e tecnologia ligada a negócios. Trabalha com linguagem acessível, atribuição de fontes e verificação de dados e documentos.

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