O relatório gerencial de dezembro de 2025 do GGRC11 confirma que o fundo imobiliário logístico encerrou o ano em um patamar significativamente superior ao de períodos anteriores, tanto em escala quanto em relevância no mercado.
Ao final de 2025, o fundo contava com 36 imóveis, somando 711 mil m² de Área Bruta Locável (ABL), prazo médio dos contratos de 4,94 anos e vacância física praticamente zerada (0,21%) um nível considerado extremamente saudável para o segmento logístico.
O valor patrimonial por cota (VP) fechou em R$ 11,22, enquanto a cota era negociada em torno de R$ 9,90, evidenciando um desconto aproximado de 11% em relação ao patrimônio, além de uma renda mensal próxima de 1% no preço de mercado.
Cota ficou para trás do IFIX, mas segue pagando bem
Apesar da melhora operacional, o desempenho da cota ficou abaixo do IFIX em 2025. Enquanto o índice de fundos imobiliários avançou cerca de 25% no período, o GGRC11 acumulou valorização próxima de 6,8% no ano.
Ainda assim, o fundo manteve um Dividend Yield de 11,95% em 12 meses, com pagamento recorrente de R$ 0,10 por cota, reforçando o perfil de carrego elevado, especialmente para investidores focados em renda mensal.
Nos últimos seis meses, a cota permaneceu relativamente estacionada, o que ajuda a explicar o forte crescimento da base de cotistas, atraídos pela combinação de preço descontado e renda estável.
Base de cotistas explode e liquidez bate recorde
Um dos destaques mais relevantes do ano foi a expansão da base de investidores. O GGRC11 superou a marca de 250 mil cotistas, com a entrada de 36.617 novos investidores apenas em dezembro o maior crescimento mensal da história do fundo.
Ao longo de 2025:
- Liquidez média cresceu 219,5%
- Número de cotistas aumentou 82,1%
- O fundo entrou para o top 3 do mercado em crescimento de liquidez e base de investidores
Esse avanço reforça a capacidade de negociação das cotas, reduzindo spreads e facilitando entradas e saídas sem grandes distorções de preço.
Venda do CD Campinas: reciclagem de portfólio
Entre os principais eventos do ano está a venda do Centro de Distribuição de Campinas, um imóvel que se encontrava vago e em processo de retrofit.
O ativo foi negociado por R$ 77 milhões, com a seguinte estrutura:
- R$ 20 milhões em dinheiro (R$ 2 milhões de sinal + R$ 18 milhões parcelados)
- R$ 57 milhões recebidos em cotas de outro fundo imobiliário
A operação deve gerar um lucro estimado de R$ 21,5 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 0,10 por cota, com Taxa Interna de Retorno (TIR) de 16,94%.
Apesar do risco associado à liquidez das cotas recebidas, a venda reduz a vacância, elimina custos de retrofit e reforça a estratégia de reciclagem de ativos, priorizando imóveis operacionais e geradores de caixa.
Guidance mantém dividendos em R$ 0,10 por cota em 2026
A gestão divulgou o guidance de rendimentos para 2026, mantendo a projeção de R$ 0,10 por cota ao mês, desconsiderando ganhos extraordinários com vendas.
O relatório indica que o resultado recorrente do fundo gira entre R$ 0,08 e R$ 0,09, sendo o complemento feito com uso pontual de reservas prática já conhecida pelos cotistas.
Mesmo assim, o patamar atual representa 1% ao mês no preço de mercado, considerado elevado dentro do segmento logístico.
Portfólio mais logístico e menos industrial
Outro ponto estratégico importante é o reposicionamento do portfólio:
- Meta de 80% em ativos logísticos
- Redução gradual da exposição a imóveis industriais e híbridos
Com a venda de ativos industriais e novas aquisições logísticas, o fundo busca maior flexibilidade, liquidez e facilidade de locação, características valorizadas no cenário atual.
Estrutura financeira segue sob controle
O GGRC11 encerrou o ano com:
- Patrimônio líquido acima de R$ 2,4 bilhões
- Alavancagem de 11,38%, em queda frente ao ano anterior
- Dívidas majoritariamente indexadas ao IPCA, com taxas elevadas, porém diluídas pelo crescimento do fundo
A concentração de receitas também melhorou, com grandes locatários representando pouco mais de 30% da receita total, reduzindo riscos.
2025 foi um divisor de águas para o GGRC11
O ano de 2025 marcou uma mudança de patamar para o GGRC11. O fundo cresceu em tamanho, liquidez, base de investidores e relevância, mantendo renda mensal elevada mesmo com a cota pressionada.
Apesar de não ser considerado um portfólio “prime”, a gestão mostrou capacidade de execução, reciclagem de ativos e disciplina financeira. Agora, o foco do mercado se volta para 2026, quando a performance da cota pode começar a refletir as transformações já realizadas.
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