O fundo imobiliário GARE11 voltou ao radar dos investidores após a divulgação do relatório gerencial referente ao mês de janeiro. O documento trouxe detalhes importantes sobre a evolução do portfólio, novas aquisições e mudanças estruturais que vêm transformando o fundo nos últimos meses.
Com patrimônio líquido de aproximadamente R$ 2,7 bilhões, mais de 456 mil cotistas e distribuição de rendimentos próxima de 1% ao mês, o FII se posiciona atualmente entre os fundos mais acompanhados do mercado imobiliário brasileiro.
Além disso, o relatório revelou uma série de melhorias na gestão e na comunicação com os investidores, após críticas recebidas anteriormente sobre atrasos e falta de clareza nos documentos divulgados.
Relatório detalha evolução do fundo e nova estrutura de investimentos
Um dos pontos mais destacados no relatório foi a apresentação de uma linha do tempo mostrando a evolução do fundo, desde a época em que operava como GALG até a transformação para GARE.
Nos últimos ciclos de captação, o fundo realizou emissões bilionárias, incluindo uma recente rodada de captação que levantou aproximadamente R$ 1,2 bilhão. Esse capital permitiu ampliar significativamente o portfólio imobiliário.
Entre os principais movimentos estratégicos realizados pela gestão estão:
- Venda de ativos logísticos para fundos da XP
- Aquisição de novos imóveis comerciais e logísticos
- Compra de participações em outros fundos imobiliários
- Diversificação entre logística, renda urbana e escritórios
Essas operações elevaram o valor patrimonial do fundo e ampliaram sua presença em diferentes segmentos do mercado imobiliário.
Portfólio diversificado inclui logística, varejo e escritórios
O relatório também detalha a atual estrutura do portfólio, que envolve diferentes veículos e fundos internos utilizados para organizar os ativos.
Entre os principais ativos e estruturas citados estão:
Fundos estruturais (“fundos casca”)
- Anessi — portfólio ligado ao Carrefour
- Artemis — ativos relacionados ao Grupo Pão de Açúcar
- Estruturas dedicadas a ativos do grupo Mateus e Desco
Ativos diretos no portfólio
Entre os imóveis diretamente ligados ao fundo estão:
- Galpões logísticos em Confins (MG)
- Imóveis alugados para empresas como Air Liquide
- Edifício corporativo ocupado pela MRV
Além disso, o fundo mantém participação indireta em ativos vendidos para um fundo da XP, através de cotas subordinadas que podem gerar ganhos adicionais no futuro.
Essa estratégia funciona de forma semelhante a uma venda com participação futura, permitindo ao fundo capturar valorização adicional dos imóveis.
Alavancagem cai e melhora segurança do fundo
Outro ponto de destaque no relatório foi a forte redução da alavancagem financeira.
Antes das mudanças estruturais, o fundo apresentava alavancagem próxima de 27%, o que gerava preocupação entre investidores.
Após a reestruturação:
- A alavancagem líquida passou para cerca de -13%
- O fundo possui aproximadamente R$ 1,1 bilhão em caixa ou liquidez
Isso significa que, caso desejasse, o fundo poderia quitar toda a dívida e ainda manter recursos disponíveis.
Segundo a gestão, entretanto, não há necessidade de antecipar pagamentos, pois o custo da dívida é menor do que a rentabilidade obtida com os investimentos atuais.
Dividendos seguem atrativos para investidores
Em relação à distribuição de rendimentos, o relatório indica que o fundo vem pagando cerca de R$ 0,08 a R$ 0,09 por cota ao mês.
Com os preços atuais das cotas no mercado, o retorno anualizado se aproxima de 11,3% ao ano, mantendo o fundo entre os FIIs com dividend yield relevante.
Parte desses rendimentos ainda inclui valores não recorrentes, provenientes da venda de ativos para outros fundos e de pagamentos parcelados dessa operação.
Segundo a gestão, esses pagamentos deverão continuar ocorrendo ao longo dos próximos 60 meses, o que contribui para sustentar a distribuição de dividendos no curto prazo.
Fundo negocia com desconto no mercado
Apesar do crescimento patrimonial, as cotas do fundo ainda são negociadas com deságio de aproximadamente 8% em relação ao valor patrimonial.
Esse desconto ocorre principalmente devido à percepção do mercado sobre:
- mudanças estruturais recentes no fundo
- histórico de alavancagem no passado
- incertezas sobre novas aquisições
No entanto, para alguns investidores, o deságio pode representar uma oportunidade de entrada, caso o fundo continue melhorando a gestão e ampliando o portfólio.
Novas aquisições podem impulsionar o portfólio em 2026
O relatório também revelou que o fundo ainda possui ativos em fase de diligência, que podem ser incorporados ao portfólio nos próximos meses.
A expectativa da gestão é que essas operações sejam concluídas até o segundo trimestre de 2026, o que pode ampliar ainda mais o patrimônio e a geração de receitas do fundo.
Com isso, o GARE11 deve continuar passando por um período de transformação, consolidando-se como um fundo imobiliário mais diversificado e robusto.
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