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Início » Últimas Notícias » GARE11: fundo paga dividendos, negocia com desconto e mira 6 novos imóveis
Fundos Imobiliários

GARE11: fundo paga dividendos, negocia com desconto e mira 6 novos imóveis

FII segue pagando R$ 0,083 por cota, tem quase 500 mil cotistas e ainda aguarda a conclusão de aquisições previstas após captação bilionária
Luciana RibeiroPor Luciana Ribeiro15 de maio de 20265 minutos lidos
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O fundo imobiliário GARE11, antigo GALG11, segue no radar dos investidores de renda após manter o pagamento mensal de dividendos e continuar negociando abaixo do valor patrimonial. Mesmo com queda acumulada em 2026, o fundo apresenta indicadores operacionais considerados relevantes, como vacância física e financeira zerada, contratos longos e quase 500 mil cotistas.

O último rendimento anunciado pelo GARE11 foi de R$ 0,083 por cota, com pagamento em 8 de maio de 2026. O valor repete o patamar distribuído nos meses anteriores, mantendo a previsibilidade de renda para os cotistas.

A principal dúvida do mercado, no entanto, está na capacidade do fundo de transformar a nova fase de aquisições em aumento real de receita e, futuramente, em dividendos maiores.

GARE11 segue descontado na Bolsa

De acordo com dados de mercado, o GARE11 era negociado na faixa de R$ 8,30 por cota, com P/VP de 0,88 e dividend yield de aproximadamente 12% em 12 meses. Isso significa que o fundo estava sendo negociado abaixo do seu valor patrimonial, indicando desconto nas cotas.

Esse desconto chama atenção porque o fundo não apresenta, nos dados mais recentes do relatório, problemas como vacância elevada ou inadimplência generalizada. Pelo contrário: o portfólio segue ocupado e com contratos em dia.

Ainda assim, o mercado tem penalizado parte dos fundos imobiliários em meio ao cenário de juros altos, maior seletividade dos investidores e dúvidas sobre a velocidade de alocação dos recursos captados em emissões recentes.

Principais dados atualizados do GARE11

IndicadorDado recente
Cotação aproximadaR$ 8,30
P/VP0,88 a 0,89
Dividend yield em 12 mesescerca de 12%
Último rendimentoR$ 0,083 por cota
Pagamento mais recente08/05/2026
Cotistas496.353
Patrimônio líquidocerca de R$ 2,74 bilhões
Imóveis no portfólio33
Vacância física e financeira0%
Contratos atípicos94%
Prazo médio dos contratoscerca de 10 anos

Os dados operacionais mais recentes mostram que o GARE11 encerrou o período com 33 imóveis, vacância física e financeira de 0%, 94% da carteira em contratos atípicos e prazo médio de contratos acima de 10 anos.

Dividendos seguem estáveis em R$ 0,083 por cota

O GARE11 manteve o pagamento de R$ 0,083 por cota em maio de 2026, mesmo após a ampliação da base de cotistas e a reorganização do portfólio. Segundo dados divulgados ao mercado, o fundo vem repetindo esse valor mensalmente desde junho de 2025.

A gestora também manteve o guidance de rendimentos para 2026 entre R$ 0,083 e R$ 0,090 por cota, indicando que há possibilidade de aumento ao longo do ano, mas sem garantia de que esse avanço ocorrerá de forma imediata.

Esse ponto é importante porque parte dos investidores espera que a entrada de novos imóveis, somada aos reajustes de contratos, ajude a elevar a geração de caixa do fundo.

Seis novos imóveis ainda são a principal expectativa

A nova fase do GARE11 está ligada à destinação dos recursos da 7ª emissão de cotas, que captou aproximadamente R$ 1,27 bilhão. Desse total, cerca de R$ 676 milhões foram direcionados para aquisições imobiliárias. Aproximadamente R$ 230 milhões já haviam sido desembolsados em ativos, enquanto o saldo restante ficou reservado para a compra de seis propriedades ainda em processo de conclusão.

A expectativa inicial era que essas operações avançassem no início do segundo trimestre de 2026. Até o relatório de março, porém, o fundo ainda não havia detalhado todos os novos imóveis, o que mantém parte do mercado em compasso de espera. O esboço fornecido também destaca essa demora como um dos principais pontos de atenção acompanhados pelos cotistas.

Caso as aquisições sejam concluídas, o portfólio projetado pode passar de 33 para 39 imóveis e de 11 para 14 inquilinos, aumentando a diversificação da carteira.

Reajustes de aluguel podem ajudar a receita

Outro fator positivo para o GARE11 é o reajuste dos contratos. No relatório de março, o fundo informou reajuste de 3,29% no contrato de locação com a 3 Corações, referente ao galpão logístico de Confins, corrigido pelo IPCA.

Esses reajustes são importantes porque podem elevar gradualmente a receita imobiliária do fundo. Com mais receita recorrente, aumenta também a possibilidade de sustentação ou crescimento dos dividendos, desde que as despesas, alavancagem e demais obrigações permaneçam sob controle.

Por que o GARE11 caiu mesmo com bons indicadores?

A queda do GARE11 não parece estar ligada a vacância ou inadimplência relevante, já que os dados disponíveis apontam ocupação total e adimplência da carteira. A pressão sobre as cotas pode estar relacionada a fatores como juros elevados, maior concorrência da renda fixa, incerteza sobre a conclusão das aquisições e efeito de mercado após a emissão de novas cotas.

Além disso, emissões grandes podem gerar pressão no curto prazo, especialmente quando há aumento relevante no número de cotas em circulação. A 7ª emissão do GARE11 foi concluída com captação bilionária e liberação de novas cotas para negociação em janeiro de 2026.

O que o investidor deve acompanhar agora

Os próximos relatórios do GARE11 devem ser decisivos para avaliar se o desconto atual representa uma oportunidade ou apenas reflete cautela do mercado. Os principais pontos a observar são:

Ponto de atençãoPor que importa
Conclusão dos 6 imóveisPode ampliar receita e diversificação
Novos inquilinosReduz concentração da carteira
Dividendos entre R$ 0,083 e R$ 0,090Mostra se o guidance será cumprido
Resultado recorrenteIndica se o dividendo é sustentável
AlavancagemAfeta risco e previsibilidade do fundo
P/VPMostra se o desconto permanece ou diminui

GARE11 ainda merece atenção?

O GARE11 combina pontos fortes e pontos de atenção. Do lado positivo, o fundo tem portfólio ocupado, contratos longos, dividendos mensais, quase meio milhão de cotistas e negociação abaixo do valor patrimonial. Do lado de risco, ainda precisa comprovar que a nova fase de aquisições será concluída com eficiência e que os novos imóveis vão contribuir para aumento consistente da receita.

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Luciana Ribeiro é contadora e consultora tributária, com mais de 12 anos de experiência no setor fiscal. Na A Revista, explica Imposto de Renda, tributação de investimentos, regras aplicáveis a pessoas e empresas e mudanças na legislação. Identifica o período de vigência das normas e ressalta quando casos individuais exigem orientação específica.

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