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Início » Últimas Notícias » GARE11 e TRXF11: por que as mudanças podem redefinir esses FIIs em 2026
Fundos Imobiliários

GARE11 e TRXF11: por que as mudanças podem redefinir esses FIIs em 2026

Dois dos fundos imobiliários mais populares da Bolsa passam por mudanças estruturais profundas, ampliam a diversificação e levantam dúvidas importantes para cotistas e novos investidores
Carlos MenezesPor Carlos Menezes23 de janeiro de 20264 minutos lidos
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O GARE11 passa por uma das transformações mais relevantes de sua história recente. Antes conhecido como GALG11, o fundo nasceu focado exclusivamente em galpões logísticos. Com o crescimento do patrimônio, aumento do número de cotistas e sucessivas emissões, a gestão optou por ampliar o escopo e incorporar imóveis de renda urbana, como lojas de rua ocupadas por grandes varejistas.

A mudança não foi apenas estética. Em fevereiro de 2024, o GALG11 deixou oficialmente de existir, dando lugar ao GARE11, que passou a operar como um fundo híbrido, combinando logística e renda urbana. Agora, em 2026, o fundo inicia um novo ciclo estratégico ao adicionar lajes corporativas ao portfólio.

Atualmente, o GARE11 soma mais de 426 mil cotistas, figurando entre os FIIs mais populares do mercado. Essa escala ampliou o poder de compra da gestão e abriu espaço para decisões mais ousadas, como a entrada em escritórios corporativos em um momento ainda marcado por preços deprimidos no segmento.

Por que lajes corporativas agora?

O mercado de escritórios foi um dos mais penalizados desde 2020, primeiro pela pandemia e depois pelo ciclo de juros elevados. Diferentemente da logística, que manteve contratos e ocupação, as lajes sofreram com vacância, renegociações e desvalorização patrimonial.

Com a perspectiva de queda da Selic a partir de 2026, a gestão do GARE11 enxerga uma janela de oportunidade para adquirir ativos de qualidade a preços descontados. Parte dessas aquisições já ocorre com contratos longos, no modelo built to suit, garantindo previsibilidade de receita.

Além disso, o fundo realizou recentemente a venda de cerca de 10 imóveis, levantando aproximadamente R$ 485 milhões, e captou R$ 1,27 bilhão na sétima emissão de cotas. Com caixa robusto, o gestor passou a negociar com maior poder, inclusive utilizando cotas do próprio fundo como moeda em aquisições — estratégia que preserva liquidez e amplia o potencial de valorização futura.

Indicadores atuais do GARE11

  • Cotação aproximada: R$ 8,91

  • Dividend yield (12 meses): 11,19%

  • P/VP: 0,94

  • Valorização total com dividendos: 24,82%

  • Contratos: 100% atípicos, com multa integral

  • Prazo médio de contratos: 10 anos

O principal ponto de atenção para 2026 será a qualidade das novas aquisições, o impacto nos dividendos mensais e o equilíbrio entre logística, renda urbana e lajes corporativas.

TRXF11 cresce, diversifica e pressiona a própria cota

O TRXF11 também atravessa um momento decisivo. Tradicionalmente conhecido por sua forte exposição a supermercados e atacarejos, o fundo expandiu rapidamente seu patrimônio e ultrapassou a marca de R$ 6 bilhões, com mais de 200 mil cotistas.

Em 2025, o TRXF11 realizou a maior emissão de cotas da história dos FIIs, captando cerca de R$ 3 bilhões na 12ª oferta. Esse movimento reduziu a dependência de alavancagem e abriu espaço para uma diversificação ainda maior do portfólio.

Hoje, o fundo já não se limita à renda urbana tradicional. O TRXF11 passou a investir também em:

  • Galpões logísticos

  • Agências bancárias

  • Instituições de ensino

  • Ativos de saúde, com destaque para o Hospital Albert Einstein

  • Shoppings regionais

Essa transformação torna o fundo mais resiliente no longo prazo, mas também mais complexo de analisar.

Por que a cota ficou pressionada?

Apesar de pagar dividendos elevados, o TRXF11 registrou desvalorização real das cotas nos últimos 12 meses. Isso ocorreu principalmente por operações de compra e venda de ativos utilizando troca por cotas. Quando o vendedor recebe cotas e decide vendê-las no mercado secundário, a pressão vendedora aumenta no curto prazo.

Os números ajudam a explicar o movimento:

  • Cotação aproximada: R$ 95,90

  • Dividend yield (12 meses): 12,31%

  • Retorno total (preço + dividendos): 8,89%

  • P/VP: 0,94

Ou seja, mesmo com dividendos robustos, houve uma desvalorização de cerca de 3,5% a 4% no preço das cotas. Para o investidor de longo prazo, esse tipo de pressão pode representar tanto risco quanto oportunidade.

O que observar em GARE11 e TRXF11 a partir de agora

Os dois fundos caminham para um modelo mais híbrido e diversificado, reduzindo dependência de poucos inquilinos e setores específicos. No entanto, essa estratégia exige acompanhamento próximo.

Os principais pontos de atenção para 2026 são:

  1. Velocidade e qualidade das alocações do caixa captado

  2. Impacto das novas aquisições nos dividendos mensais

  3. Equilíbrio entre crescimento patrimonial e geração de renda

  4. Possível volatilidade de curto prazo nas cotas

GARE11 e TRXF11 seguem como dois dos FIIs mais relevantes da Bolsa, mas as mudanças em curso podem redefinir o perfil de risco e retorno de cada um. Para o investidor, a decisão passa menos pelo histórico passado e mais pela confiança na gestão e na execução da nova estratégia.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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