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Início » Últimas Notícias » Fundos imobiliários entram em fase decisiva com expectativa de queda da Selic em 2026
Fundos Imobiliários

Fundos imobiliários entram em fase decisiva com expectativa de queda da Selic em 2026

Mesmo com juros ainda elevados, mercado começa a antecipar o ciclo de cortes, impulsionando os fundos de tijolo e abrindo janela estratégica para investidores.
Rafael CostaPor Rafael Costa10 de dezembro de 20256 minutos lidos
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A expectativa pela queda da taxa Selic voltou a movimentar o mercado financeiro e reacendeu o interesse dos investidores pelos fundos imobiliários. Embora o corte dos juros no Brasil ainda não tenha começado oficialmente, o consenso entre analistas é de que o ciclo de flexibilização deve se iniciar ao longo de 2026. A consequência direta disso já começa a ser sentida: os FIIs, especialmente os de tijolo, começam a se valorizar de forma antecipada.

Nos Estados Unidos, o movimento de queda de juros já está em curso. No Brasil, porém, a política monetária ainda permanece restritiva, com a taxa básica girando em patamar elevado. Mesmo assim, investidores já começam a precificar o cenário futuro, abrindo uma janela de oportunidades principalmente para os fundos imobiliários ligados a ativos físicos, como logística, lajes corporativas e renda urbana.

O cenário desenhado para os próximos anos é considerado positivo sob dois aspectos: a renda fixa ainda mantém retornos elevados no curto prazo, enquanto a renda variável — especialmente os fundos imobiliários — tende a se valorizar com a aproximação do ciclo de cortes da Selic.

Fundos de tijolo tendem a se beneficiar primeiro

Dentro do universo dos FIIs, os fundos de tijolo costumam reagir antes aos movimentos de queda dos juros. Isso ocorre porque seus ativos físicos passam a ganhar atratividade frente à renda fixa, que começa a perder competitividade conforme os rendimentos caem.

Mesmo sem o início oficial do ciclo de cortes, o mercado já vem antecipando esse movimento. Muitos fundos, que estavam negociados com forte desconto sobre o valor patrimonial, já começaram a subir nos últimos meses.

Esse comportamento reforça uma lógica histórica do mercado: Selic em queda, fundos imobiliários em alta. O movimento contrário também é verdadeiro — juros em alta pressionam as cotas para baixo.

BTLG11: logística consolidada e contratos indexados à inflação

Entre os fundos analisados, o BTLG11 se destaca como um dos principais nomes do setor logístico. O fundo possui mais de 410 mil cotistas, cerca de 30 imóveis e contratos majoritariamente atrelados ao IPCA.

Nos últimos 12 meses, o fundo distribuiu aproximadamente R$ 9,20 por cota, impulsionado pela redução da vacância e pela venda de ativos estratégicos. Hoje, o fundo já se encontra próximo ao seu preço justo, o que exige mais cautela para aportes.

Outro ponto relevante é a qualidade dos inquilinos, com nomes como Amazon, BRF, Mercado Livre, Ambev, Unilever, DHL e Assaí. Nenhum locatário representa mais do que 11% da receita, o que reduz significativamente o risco de concentração.

Além disso, grande parte dos imóveis está localizada em regiões estratégicas num raio de até 60 km da capital paulista, o chamado last mile, um diferencial logístico altamente valorizado pelo mercado.

BRCO11 mantém perfil defensivo, mas enfrenta vacância em alguns ativos

O BRCO11 também atua no segmento logístico e conta com mais de 120 mil cotistas e cerca de 10 imóveis. O fundo entregou aproximadamente 9,14% em dividendos nos últimos 12 meses, com contratos indexados à inflação.

Outro ponto positivo é que 86% dos seus inquilinos possuem grau de investimento, o que reduz o risco de inadimplência. No entanto, o fundo enfrenta atualmente uma vacância de cerca de 8,6%, após desocupações em três galpões específicos.

Apesar disso, a estrutura dos galpões permite rápida adaptação para novos locatários, o que tende a reduzir esse impacto ao longo do tempo.

TRXF11: diversificação elevada e rendimentos acima da média

O TRXF11 se destaca por sua estrutura híbrida, reunindo imóveis de logística, varejo atacadista, educacional, hospitais e shoppings. O fundo soma mais de 70 ativos e ultrapassa 200 mil cotistas.

Seu dividend yield nos últimos 12 meses ficou acima de 13%, um dos mais altos entre os fundos de tijolo. Os contratos são majoritariamente de longo prazo, com mais de 80% dos vencimentos concentrados após 2035.

Entre os principais inquilinos estão Assaí, Pão de Açúcar, Mercado Livre, Carrefour, Leroy Merlin, Decathlon e até o Hospital Albert Einstein. Apesar da grande diversificação, o Assaí representa cerca de 28% da receita, o que exige atenção ao risco de concentração.

LVBI11: desconto sobre valor patrimonial e vacância praticamente zerada

Diferente dos anteriores, o LVBI11 ainda negocia abaixo do seu preço justo. O fundo possui vacância financeira zerada atualmente e mais de nove imóveis logísticos em sua carteira.

Entre os principais inquilinos estão DHL, Amazon, Scania e Magazine Luiza. O fundo distribuiu cerca de 8,5% em dividendos nos últimos 12 meses, número mais modesto em relação aos outros, mas com maior margem de valorização patrimonial.

PVBI11: lajes corporativas sofrem com vacância estrutural

O PVBI11 representa o segmento de lajes corporativas, com sete edifícios localizados em regiões prime de São Paulo. Apesar da qualidade dos ativos, o fundo ainda enfrenta uma vacância elevada próxima de 16%.

Além disso, um único inquilino responde por quase 28% da receita, o que eleva o risco. O rendimento nos últimos 12 meses ficou em torno de 7,3%, pressionado pelas dificuldades do setor de escritórios no pós-pandemia.

Selic elevada ainda pressiona FIIs, mas cenário começa a virar

Mesmo com o cenário ainda restritivo, o mercado já começa a precificar um ambiente de juros mais baixos no médio prazo. A própria XP Investimentos já trabalha com a possibilidade de início do ciclo de cortes a partir de março de 2026.

Até lá, os juros devem permanecer elevados, mas com cortes lentos e graduais. Esse movimento é visto como extremamente positivo para o investidor, que tende a se beneficiar tanto da renda fixa no curto prazo quanto da valorização dos fundos imobiliários no médio e longo prazo.

Investir antes da virada pode ser a principal estratégia

O ponto central para o investidor é entender que os mercados se movem por antecipação. Quando a Selic começar efetivamente a cair, parte relevante da valorização dos FIIs já terá acontecido.

Por isso, o atual momento é enxergado como uma janela estratégica: fundos ainda pressionados pelos juros, mas com perspectiva de valorização consistente no ciclo seguinte.

A expectativa de queda da Selic em 2026 começa a reposicionar os fundos imobiliários no radar dos investidores. Mesmo com os juros ainda elevados, os fundos de tijolo já apresentam sinais de recuperação, enquanto a renda fixa segue atrativa no curto prazo.

O cenário traçado é de transição: pressão no presente, oportunidade no futuro. Para quem pensa em renda passiva, diversificação e valorização patrimonial, os FIIs voltam a ocupar posição de destaque nas estratégias de longo prazo.

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Rafael Costa
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Rafael Costa é editor de Tecnologia e Inovação, especialista em Blockchain e Web3, com pós-graduação em Finanças. Na A Revista, acompanha criptomoedas, tecnologia financeira, inovação e os efeitos dessas mudanças sobre empresas e mercados. Distingue uso efetivo, anúncios, projeções e riscos dos ativos digitais.

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