O segmento de shoppings foi o que mais rentabilizou entre os fundos imobiliários em 2025. Enquanto o IFIX avançou 21,1%, os FIIs de shopping entregaram 29,1% no período — uma vantagem de aproximadamente 8 pontos percentuais.
Além do forte desempenho, o setor encerrou o ano:
Dividend yield médio próximo de 10% ao ano
Desconto médio de cerca de 12% sobre o valor patrimonial
Vacância estruturalmente controlada
Recuperação consistente de vendas e aluguel nas mesmas lojas
No histórico entre 2012 e 2025, o segmento esteve entre os melhores desempenhos em cinco anos distintos (2016, 2017, 2022, 2023 e 2025), mostrando resiliência mesmo em ciclos econômicos adversos.
Com o início do ciclo de cortes da Selic em 2026 e estímulos ao consumo das classes médias, o cenário tende a ser favorável ao varejo físico — especialmente para ativos dominantes e bem localizados.
No entanto, a expectativa de IGP-M negativo limita reajustes contratuais, exigindo maior seletividade na escolha dos fundos.
Os 2 fundos imobiliários de shopping escolhidos para 2026
A proposta aqui não é indicar os “melhores FIIs para sempre”, mas sim os fundos que apresentam melhor perspectiva específica para 2026, considerando renda, operacional e posicionamento estratégico.
1) PMLL11 (Pátria Malls)
O PMLL11 entra na lista principalmente pelo aumento recente de rendimentos e melhora operacional consistente.
Principais números atuais:
Patrimônio líquido: R$ 1,64 bilhão
15 shoppings no portfólio
Ocupação: 96,2%
Alavancagem: cerca de 10% (controlada)
Mais de 126 mil cotistas
Liquidez elevada
Dividend yield 12 meses: 9,78%
Rendimento recente: R$ 0,94 por cota
Reserva acumulada: R$ 0,72 por cota
O fundo elevou o patamar de distribuição para R$ 1,00 por cota no primeiro semestre de 2026. Embora parte desse valor não seja recorrente, o fundo possui reservas que sustentam esse patamar no curto prazo.
Indicadores operacionais:
NOI cresceu 6,4% ano contra ano
Same store sales: +1%
Same store rent: +5,4%
Vendas totais por m²: +7,6%
O portfólio vem melhorando performance gradualmente. Um ponto de atenção é a concentração de aproximadamente 49% da receita no estado do Rio de Janeiro, o que adiciona risco regional.
Por outro lado, a recente incorporação de ativos reduz gradualmente essa concentração.
2) XPML11 (XP Malls)
O XPML11 é hoje um dos maiores e mais robustos fundos de shopping do mercado.
Principais números atuais:
Patrimônio líquido: R$ 6,33 bilhões
24 shoppings no portfólio
Vacância: aproximadamente 3%
Alavancagem: controlada
Mais de 330 mil cotistas
Dividend yield 12 meses: próximo de 9%
Rendimento mensal: R$ 0,86 a R$ 0,92
Guidance até junho de 2026: R$ 0,92 por cota
O fundo possui portfólio concentrado em shoppings classe A e ativos considerados “trophy assets”, que tendem a apresentar maior resiliência em crises.
Destaques operacionais:
Inadimplência em queda
Vendas em crescimento ano contra ano
Same store sales e same store rent positivos
NOI caixa por m² ao redor de R$ 167
A estratégia de reciclagem de portfólio — vendendo ativos menos estratégicos e adquirindo ativos premium — reforça a qualidade do fundo.
Para 2026, o XPML11 deve se beneficiar tanto da retomada gradual do consumo quanto do ciclo de cortes da Selic.
Comparativo dos principais FIIs de shopping
| Fundo | Patrimônio (R$ bi) | Vacância | Yield 12m | Alavancagem | Reserva por cota |
|---|---|---|---|---|---|
| PMLL11 | 1,64 | 3,8% | 9,78% | ~10% | R$ 0,72 |
| XPML11 | 6,33 | 3% | ~9% | Controlada | Moderada |
| HGBS11 | 2,66 | 4,6% | ~10% | Elevada | R$ 0,006 |
| HSML11 | 2,23 | 2,6% | 8,68% | 19,1% | R$ 0,77 |
| VISC11 | 3,4 | Baixa | 8,96% | ~16% | Limitada |
Por que outros fundos ficaram de fora?
HGBS11
Fundo tradicional e de qualidade, mas com resultado operacional próximo de R$ 0,14 por cota e praticamente sem reserva acumulada. Existe risco de redução de rendimentos em 2026.
HSML11
Bom operacional e ocupação elevada (97,4%), mas com alavancagem de 19,1% e incertezas estratégicas envolvendo recompra de ativos vendidos anteriormente.
VISC11
Rentabilidade histórica sólida e patrimônio robusto, mas gestão considerada menos alinhada ao cotista em decisões anteriores.
Perspectiva para fundos imobiliários de shopping em 2026
O cenário macro aponta para:
Início do ciclo de cortes da Selic
Possível estímulo ao consumo das classes médias
Desconto relevante frente ao valor patrimonial
Dividend yield acima da média histórica
Por outro lado:
IGP-M negativo pode limitar reajustes
Fundos com baixa reserva podem reduzir dividendos
Alavancagem exige monitoramento
A seletividade será determinante.
Os fundos imobiliários de shopping entram em 2026 com fundamentos sólidos e desconto atrativo. Entre os principais nomes do segmento, PMLL11 e XPML11 reúnem, neste momento, combinação mais equilibrada entre renda, qualidade de portfólio e perspectiva operacional.
O setor já mostrou sua força ao superar o IFIX em 2025. Agora, com a Selic em trajetória de queda e consumo em recuperação, o investidor atento pode encontrar oportunidades relevantes — desde que escolha com critério.
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