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Início » Últimas Notícias » Fundo GARE11 surpreende o mercado com venda milionária e promete salto no valor das cotas
Fundos Imobiliários

Fundo GARE11 surpreende o mercado com venda milionária e promete salto no valor das cotas

Relatório gerencial de agosto detalha lucro estimado de R$ 156 milhões com a venda de ativos, captação de R$ 81 milhões na 7ª emissão, compra de 2 imóveis da Desco Atacado com cap rate de 10,2% e perspectiva de alavancagem líquida próxima de zero
Eduardo MartinsPor Eduardo Martins16 de outubro de 20255 minutos lidos
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GARE11
GARE11

O fundo imobiliário GARE11 publicou o relatório gerencial de agosto, trazendo um conjunto de eventos que reposiciona o veículo para um novo ciclo: venda de 10 imóveis com lucro estimado de R$ 156 milhões, redução substancial da alavancagem (com meta de alavancagem líquida próxima de zero), captação de R$ 81 milhões na 7ª emissão de cotas e aquisição de dois ativos locados para a Desco Atacado com cap rate de 10,20%. A gestão também reportou impacto positivo no valor patrimonial (VP) entre R$ 60 milhões e R$ 80 milhões após a liquidação da venda, equivalente a R$ 0,42–R$ 0,50 por cota, além de reavaliação de parte do portfólio do Atacadão, adicionando cerca de R$ 7 milhões ao VP.

No secundário, conforme dados citados no esboço, GARE11 negocia próximo de R$ 9,20, com P/VP de 0,98 (deságio aproximado de 2% sobre o “preço justo” de R$ 9,24), DY de 12 meses em 11,42%, liquidez média diária acima de R$ 7 milhões e base de cotistas se aproximando de 400 mil. O último rendimento foi de R$ 0,08 por cota, com vacância física e financeira zerada e patrimônio em torno de R$ 1,44 bilhão.

1) Venda de 10 imóveis: lucro, caixa previsível e queda da dívida

  • Escopo da operação: 10 ativos (4 lojas do Grupo Pão de Açúcar e 6 do Grupo Mateus).

  • Comprador: fundo novo gerido pela XP7.

  • Estrutura financeira: pagamento parcelado entre 24 e 60 meses, modelo que suaviza o caixa, normaliza a distribuição e reduz a volatilidade das cotas.

  • Lucro estimado: R$ 156 milhões para o GARE11.

  • Efeito na alavancagem: redução aproximada de R$ 357 milhões do endividamento, levando a alavancagem líquida para patamar próximo de zero.

  • Co-investimento estratégico: o fundo adquiriu cotas subordinadas do veículo comprador, participando de renda futura e eventuais ganhos com desinvestimentos dos ativos.

Leitura estratégica:
A venda monetiza ativos maduros com prêmio, realoca risco e reforça o colchão de liquidez. O recebimento parcelado protege a consistência dos dividendos, enquanto a desalavancagem eleva a resiliência e amplia a flexibilidade para novas compras, reciclagem de portfólio ou recompras/gestão ativa se a gestão assim decidir.

2) Impacto patrimonial: acréscimo por cota e efeito no P/VP

  • Aumento estimado do VP: R$ 60–80 milhões (+R$ 0,42 a R$ 0,50 por cota).

  • Cenários de VP por cota (referência “preço justo” R$ 9,24):

    • +R$ 0,42 → R$ 9,66

    • +R$ 0,50 → R$ 9,74

Com a cota negociando por volta de R$ 9,20, a convergência P/VP tende a favorecer valorização no secundário se o mercado antecipar a finalização da transação e internalizar o novo VP.

3) 7ª emissão de cotas: captação de R$ 81 milhões e execução faseada

  • Meta da oferta: R$ 400 milhões.

  • Montante alcançado (preferência, sobras e adicional): ~R$ 81 milhões (liquidações em 15/08 e 29/08).

  • Novas liquidações a investidores profissionais: a partir de 04/09, conforme cronograma da gestão.

Interpretação: ainda que aquém da meta, os R$ 81 milhões já suportam aquisições táticas e preservam a disciplina financeira. Com desalavancagem iminente, a próxima janela de mercado pode se mostrar mais favorável para captações futuras, caso a tese se consolide.

4) Novas aquisições: Desco Atacado com cap rate de 10,2%

  • Ativo/inquilino: Desco Atacado (grupo IMEC; rede tradicional no RS, fundada em 1955).

  • Ticket: R$ 32,3 milhões.

  • Área Bruta Locável adicionada: ~12 mil m².

  • Cap rate de entrada: 10,20% (acima da média recente de mercado reportada pela gestão).

  • Estrutura de pagamento: sem alavancagem adicional, combinando cotas da 7ª emissão e recursos próprios.

Racional: aquisição defensiva com yield atrativo, inadimplência historicamente baixa do segmento e contratos atípicos, o que ancora previsibilidade de caixa.

5) Operação e portfólio: contratos atípicos, vacância zero e diversificação

  • Imóveis: 41 (com a venda, projeção de 31).

  • Tipologias: logística e renda urbana.

  • Contratos: 100% atípicos, duração média ~12 anos e multa integral em caso de saída antecipada.

  • Geografia: 14 estados (exposição Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte).

  • Inquilinos: 7 grupos de grande porte, boa qualidade de crédito.

  • Vacância: 0% física e financeira.

Este perfil sustenta a previsibilidade de receitas e reduz o risco de oscilações abruptas em períodos de maior estresse de mercado.

6) Reavaliação e resultado financeiro de agosto

  • Reavaliação Atacadão/Carrefour: +R$ 7 milhões no VP.

  • Receita de agosto: ~R$ 14,5 milhões.

  • Despesas: ~R$ 2,3 milhões.

  • Resultado líquido: ~R$ 12,239 milhões — integralmente distribuído em dividendos.

  • DY 12 meses: 11,42%.

  • Liquidez média diária: >R$ 7 milhões.

7) Reajuste relevante de aluguel em setembro

  • Imóvel-chave: centro logístico em Cachoeirinha (RS).

  • Peso na receita: ~20% do GARE11.

  • Contrato: atípico, vencimento 09/2027.

  • Gatilho: reajuste anual em setembro, com efeito positivo projetado na receita mensal subsequente.

O reajuste desse ativo ancora o guidance operacional de curto prazo e mitiga eventuais impactos de transição durante a reciclagem de portfólio.

8) Alavancagem: de preocupação a alicerce de valor

  • Nível atual (referência do relatório): ~23%.

  • Pós-venda: próximo de zero.

A queda estrutural do endividamento eleva a segurança do veículo, amplia a base potencial de investidores (principalmente os que evitam FIIs alavancados) e abre espaço para novas captações e aquisições sem pressionar o risco.

9) Tese de curto e médio prazo: três vetores para o case

  1. Convergência P/VP: materialização do VP/cota maior pode reduzir o deságio e suportar valorização no secundário.

  2. Renda estável e vacância zero: contratos atípicos e reajustes contratuais sustentam previsibilidade de dividendos.

  3. Dry powder e disciplina: desalavancagem + cap rate de entrada saudável em novas compras dão opcionalidade para reciclar ativos e elevar o NOI no tempo.

Riscos a monitorar: cronograma de liquidação da venda (24–60 meses), execução na reposição dos 10 imóveis vendidos, concentração relativa em locatários âncora e dinâmica macro (inflação, juros, varejo alimentar e logística).

O relatório de agosto do GARE11 indica virada de ciclo: desalavancagem acelerada, aumento do valor patrimonial, aquisições com cap rate robusto e perfil operacional defensivo (vacância zero, contratos longos e atípicos). A combinação de P/VP abaixo de 1, DY de dois dígitos e perspectiva de VP/cota maior sustenta a tese de valorização gradual das cotas, preservando a qualidade de crédito dos inquilinos e a previsibilidade dos proventos.

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Eduardo Martins é planejador financeiro certificado (CFP®) e consultor de investimentos, com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro. Na A Revista, explica renda fixa, fundos imobiliários, dividendos, simulações de quanto rende e planejamento financeiro. Apresenta premissas, custos, tributação e riscos, sem converter cenários em promessa de retorno.

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