Os fundos imobiliários TRXF11 e GARE11 voltaram ao centro das discussões entre investidores em 2026. Ambos são conhecidos por dividendos robustos, portfólios relevantes no setor de renda urbana e forte presença entre os maiores FIIs da Bolsa brasileira.
Apesar dessas características positivas, os dois fundos passaram os últimos 12 meses com desempenho inferior ao mercado, enquanto o IFIX — índice que representa a média dos FIIs — subiu cerca de 22% no período.
Essa discrepância fez com que as cotas de ambos passassem a negociar com desconto frente ao valor patrimonial, criando uma possível janela de oportunidade para investidores que buscam renda passiva.
A principal dúvida que surge entre investidores é direta:
qual dos dois fundos está mais atrativo hoje — TRXF11 ou GARE11?
Entenda o impacto do caso GPA nos fundos imobiliários
Um dos fatores que pressionou o preço das cotas foi o pedido de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar (GPA).
A empresa entrou com o pedido para renegociar cerca de R$ 1,5 bilhão em dívidas financeiras, com adesão inicial de aproximadamente 46% dos credores.
Contudo, um ponto crucial trouxe alívio ao mercado imobiliário:
A renegociação envolve dívidas financeiras não operacionais.
Isso significa que despesas essenciais da operação continuam sendo pagas normalmente, incluindo:
salários
fornecedores
capital de giro
aluguéis de lojas
Ou seja, aluguéis pagos aos fundos imobiliários seguem sendo honrados normalmente.
Os dois fundos divulgaram comunicados ao mercado confirmando essa situação.
No caso do GARE11, a situação atual mostra:
vacância financeira: 0%
inadimplência: 0%
Ou seja, todos os inquilinos continuam pagando aluguel normalmente, inclusive o GPA.
Desempenho das cotas no último ano
Mesmo com fundamentos sólidos, as cotas dos fundos tiveram desempenho abaixo da média do mercado.
GARE11
valorização aproximada: +1% em 12 meses
forte lateralização
impacto do receio sobre concentração de inquilinos
TRXF11
desvalorização aproximada: -9% em 12 meses
Enquanto isso, o IFIX subiu cerca de 22% no mesmo período.
Esse descasamento entre preço e fundamentos chama a atenção de investidores que buscam fundos imobiliários descontados.
Dividendos seguem acima da média dos FIIs
Mesmo com as cotas pressionadas, os dois fundos continuam entre os mais conhecidos quando o assunto é renda passiva.
| Fundo | Dividend Yield aproximado |
|---|---|
| GARE11 | ~12% ao ano |
| TRXF11 | ~13% ao ano |
Os pagamentos são considerados estáveis e previsíveis, com distribuição praticamente linear ao longo dos meses.
Esse perfil faz com que ambos estejam frequentemente nas carteiras de investidores focados em renda.
Preço das cotas e desconto patrimonial
Outro fator que chama atenção é o desconto em relação ao valor patrimonial.
| Fundo | Preço aproximado | P/VP | Desconto |
|---|---|---|---|
| GARE11 | ~R$ 8 | 0,87 | cerca de 13% |
| TRXF11 | ~R$ 92 | 0,91 | cerca de 9% |
Ou seja:
GARE11 apresenta desconto maior
TRXF11 também está abaixo do valor patrimonial
Para fundos imobiliários de grande porte e histórico consistente, esse nível de desconto costuma atrair investidores de longo prazo.
Estrutura dos portfólios: onde cada fundo investe
Embora os dois tenham grande presença em renda urbana, a estrutura de carteira é diferente.
GARE11
Composição aproximada do portfólio:
62% renda urbana
30% logística
8% escritórios
Importante destacar que o fundo é praticamente 100% de tijolo, ou seja, investe diretamente em imóveis.
Esse perfil agrada investidores que preferem exposição direta ao mercado imobiliário físico.
TRXF11
O TRXF11 possui carteira mais diversificada.
Distribuição aproximada:
~60% varejo e renda urbana
~17% logística
~7% saúde
~10% educacional
pequenas posições em shoppings
Além disso, o fundo também possui:
8% em CRIs
11% em outros FIIs
posição de caixa em renda fixa
Isso faz do TRXF11 um fundo mais híbrido e diversificado.
Exposição ao Grupo Pão de Açúcar
Os dois fundos possuem contratos com o GPA.
Mas a concentração é diferente.
GARE11
cerca de 14% da receita vem do GPA
TRXF11
cerca de 8% da receita vem do GPA
Como o TRXF11 possui portfólio maior, a exposição ao inquilino é mais diluída, o que reduz risco.
Vacância e ocupação dos imóveis
Outro indicador importante para FIIs de tijolo é a vacância.
GARE11
vacância física: 0%
vacância financeira: 0%
TRXF11
vacância física: 0,46%
vacância financeira: próxima de zero
Na prática, ambos apresentam ocupação praticamente total dos imóveis.
Endividamento dos fundos
Aqui surge uma diferença relevante.
TRXF11
alavancagem aproximada: 23% dos ativos
É considerada saudável, mas relativamente mais elevada.
GARE11
endividamento muito baixo
cerca de R$ 49 milhões em dívida
Isso coloca o fundo em posição financeira bastante confortável.
Então, qual fundo imobiliário é melhor hoje?
Os dois fundos são considerados sólidos e consolidados no mercado imobiliário brasileiro.
Mas a escolha depende da estratégia do investidor.
GARE11 pode ser mais interessante para quem busca:
maior desconto patrimonial
fundo 100% de tijolo
menor nível de dívida
maior potencial de valorização se o desconto fechar
TRXF11 pode ser mais interessante para quem busca:
maior histórico de dividendos
portfólio mais diversificado
maior escala operacional
menor concentração por inquilino
Oportunidade pode estar na diversificação
Mesmo com a turbulência envolvendo o GPA, os dados atuais mostram que:
os aluguéis seguem sendo pagos
os fundos mantêm ocupação elevada
os dividendos continuam robustos
Por isso, muitos investidores optam por ter os dois fundos na carteira, aproveitando características diferentes de cada estratégia.
Com descontos relevantes e dividendos acima da média do mercado, TRXF11 e GARE11 continuam entre os FIIs mais observados por quem busca renda passiva na Bolsa brasileira.
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