A dinâmica do mercado financeiro mudou nos últimos anos, e poucos gestores conseguiram se adaptar tão rapidamente quanto a SVN Gestão. Em um cenário de sangria entre multimercados, fechamento de fundos, fusões emergenciais e forte dificuldade de captação, a gestora surpreendeu o setor ao crescer de zero para mais de R$ 2,5 bilhões sob administração — um movimento considerado improvável em meio a tanta volatilidade.
À frente dessa estratégia está o gestor Leonardo Morales, profissional com quase três décadas de atuação em tesourarias proprietárias, assets e escritórios de alto padrão. Em entrevista ao Retorno Cast, Morales detalhou como a visão técnica, a leitura de risco e a gestão disciplinada permitiram transformar um momento desafiador em um ponto de virada.
A virada da SVN Gestão em um mercado adverso
Enquanto muitos fundos precisaram fechar portas, aplicar travas ou reduzir suas operações, a SVN adotou o caminho oposto: ampliou a equipe, expandiu a oferta de produtos e reforçou um modelo de gestão focado na combinação entre análise quantitativa e qualitativa.
De quatro profissionais no início, a equipe saltou para oito especialistas dedicados, incluindo gestores, analistas de risco, crédito, compliance e tecnologia. O crescimento acompanha o avanço do próprio escritório SVN Investimentos, que saiu de R$ 10 bilhões para mais de R$ 22 bilhões sob custódia, tornando-se um dos maiores e mais premiados do país.
O segredo? Uma estrutura construída para atender grandes patrimônios com uma camada adicional de personalização, governança e gestão de risco.
Fundos de fundos e a metodologia que reduz vieses e amplia retorno
Um dos pilares da gestora é o FOF (fundo de fundos) que combina 70% de seleção de fundos e 30% de gestão direta de ativos. Segundo Morales, o processo começa pela análise quantitativa, que avalia indicadores como Jensen, Treynor, Sharpe, drawdowns e retorno ajustado ao risco em várias janelas.
A equipe evita a armadilha mais comum entre investidores individuais: olhar apenas para o retorno passado, especialmente o de curto prazo. A visão é clara — retorno elevado sem risco proporcional é ilusão.
Depois da etapa quantitativa, entra o peso qualitativo: a rede de relacionamentos construída ao longo de anos em tesourarias, mesas proprietárias e instituições de grande porte. A proximidade com gestores e analistas permite compreender o comportamento das carteiras por trás das estatísticas.
O resultado prático apareceu no desempenho: o FOF entregou rendimento acima de 26% no último ano, superando amplamente o Ibovespa em um período marcado por volatilidade, paradas técnicas e movimentos bruscos de aversão a risco.
A importância da correlação: defesa, meio de campo e ataque
Um diferencial citado na entrevista é o modelo de correlação entre fundos, explicado por meio de uma analogia com posições de um time de futebol. Segundo Morales, não adianta ter apenas “atacantes”: fundos agressivos funcionam bem na alta, mas expõem demais o portfólio na queda.
O estudo interno mostrou que fundos classificados como “defensores” realmente reduziram perdas em momentos de estresse, enquanto os “atacantes” puxaram a performance quando o mercado virou. Essa divisão estratégica cria uma carteira robusta, que reduz vieses comportamentais e melhora o retorno ajustado ao risco.
O avanço das carteiras administradas: o novo padrão para grandes patrimônios
O movimento mais forte observado pela gestora, porém, é a migração de grandes investidores para carteiras administradas — solução que está substituindo os fundos exclusivos tradicionais, especialmente após a mudança tributária que retirou parte das vantagens fiscais desses veículos.
A carteira administrada funciona como um “fundo exclusivo personalizado”, mas dentro da conta do cliente. A equipe decide os ativos, executa operações e monta posições diretamente na carteira, respeitando o perfil de risco previamente definido.
Entre os benefícios:
acesso a ativos institucionais antes restritos a patrimônios acima de R$ 50 milhões;
personalização total, incluindo exclusões por setor, região ou tipo de ativo;
acesso a ofertas públicas com cashback do fee de distribuição;
diversificação real entre renda fixa, crédito, ações, multimercados e ativos offshore;
transparência total da marcação a mercado.
Para muitos investidores que acumulam recursos acima de R$ 5 milhões, essa solução elimina o “portfólio Frankenstein”, formado por recomendações desconexas de múltiplos profissionais e influenciadores.
Crédito privado e janelas de oportunidade
Morales destacou ainda o forte fluxo para crédito privado nos últimos meses, impulsionado pela saída de recursos de multimercados e fundos exclusivos. Esse movimento comprimiu spreads de forma acelerada, levando a SVN a reduzir exposição e aumentar caixa, à espera de novas oportunidades.
O fundo de renda fixa da gestora passou dos R$ 800 milhões e vem entregando mais de 125% do CDI desde o lançamento, mesmo com prazo de resgate curto.
Segundo Morales, o segredo não é buscar “taxas mágicas”, mas avaliar risco real, liquidez e a solidez do emissor. A combinação entre crédito premium, renda fixa de qualidade e proteção via renda variável permitiu atravessar períodos críticos sem perda de consistência.
Rumo a um novo ciclo de crescimento
Com a democratização dos investimentos e a evolução dos escritórios independentes, a busca por gestão profissional tende a crescer ainda mais. Para Morales, o futuro está na combinação de três pilares:
disciplina de risco;
personalização extrema;
acesso a ativos antes restritos ao institucional.
E é justamente essa combinação que tem atraído investidores com R$ 10, R$ 20 e até R$ 30 milhões para o modelo de carteiras administradas da SVN Gestão.
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