O fundo imobiliário Base 10 BTHF11 encerrou janeiro de 2026 consolidando uma das melhores performances do segmento nos últimos 12 meses. Com valorização expressiva da cota, aumento no patamar de dividendos e forte geração de caixa com vendas estratégicas, o fundo reforça sua tese de potencial para o ciclo de queda da Selic esperado ao longo do ano.
Mesmo após a alta recente, o ativo ainda negocia com desconto patrimonial, mantém yield de dois dígitos e apresenta elevada liquidez, fatores que continuam chamando a atenção do investidor que busca renda e valorização.
Cotação, valorização e múltiplos: ainda há desconto?
Atualmente negociado a R$ 9,66, o BTHF11 acumula:
+49% de rentabilidade total em 12 meses (valorização + dividendos)
+31% de valorização apenas na cota (de R$ 7,37 para R$ 9,66)
Dividend yield acima de 11%
P/VP de 0,96, ainda com deságio
Preço justo estimado: R$ 10,11
Indicadores atuais do BTHF11
| Indicador | Valor Atual |
|---|---|
| Cotação | R$ 9,66 |
| Patrimônio líquido | R$ 2 bilhões |
| Cotistas | +315 mil investidores |
| Liquidez média diária | +R$ 5 milhões |
| P/VP | 0,96 |
| Último dividendo | R$ 0,10 por cota |
| Banda projetada 1º semestre | R$ 0,10 a R$ 0,105 |
Mesmo após a forte alta, o desconto patrimonial indica que o mercado ainda precifica o fundo abaixo do valor contábil dos ativos, o que mantém espaço para valorização adicional caso o cenário macroeconômico favoreça os FIIs.
Resultado de janeiro: geração robusta e distribuição estável
No relatório gerencial referente a janeiro de 2026, o fundo apresentou:
Receita bruta total: R$ 21,87 milhões
Receita recorrente: R$ 17,4 milhões
Receita não recorrente: R$ 4,4 milhões
Despesas totais: R$ 1,78 milhão
Resultado líquido: R$ 20,08 milhões
Resultado por cota: R$ 0,098
Distribuição: R$ 0,10 por cota
A pequena diferença entre resultado e distribuição (cerca de R$ 700 mil) foi compensada com lucro acumulado de meses anteriores.
Além disso, a gestão anunciou oficialmente a banda de dividendos para o primeiro semestre de 2026, com pagamento mínimo de R$ 0,10 e máximo de R$ 0,105 por cota.
Movimentações estratégicas: mais de R$ 250 milhões negociados
Durante dezembro de 2025 e janeiro de 2026, a gestão realizou forte giro de portfólio:
R$ 250 milhões em operações no mercado secundário de FIIs
R$ 56 milhões gerados em caixa
Lucro superior a R$ 4 milhões nessas operações
Entre as vendas realizadas:
Posições em ações da Multiplan e Direcional
Reduções em TRXF11, XPML11, BTCI11, RBRX11 e outros FIIs
Essa postura ativa reforça o caráter tático do fundo, que busca capturar ganhos de capital além da renda recorrente.
Como está distribuído o patrimônio?
O BTHF11 mantém uma alocação diversificada:
| Classe de Ativo | Percentual do PL |
|---|---|
| FIIs de tijolo | 36,6% |
| FIIs de papel | 21,7% |
| CRIs | 16,9% |
| Caixa | 16,7% |
| Ativos reais | 6,4% |
| Ações | 1,7% |
Mais de 58% do patrimônio está alocado em cotas de outros FIIs, o que amplia o potencial de ganho com valorização do setor caso a Selic recue.
O caixa elevado, acima de 16%, dá flexibilidade para novas aquisições estratégicas em 2026.
Carteira de CRIs: diversificação elevada
O fundo possui 37 operações de CRIs, com aproximadamente R$ 418 milhões investidos.
Indexação:
53% atrelado ao IPCA (taxa média de 10,5%)
44% atrelado ao CDI (taxa média de 3,6% + CDI)
A maior exposição individual em CRIs representa apenas cerca de 2% do patrimônio, evidenciando forte diluição de risco.
Principais posições em FIIs
Entre os fundos de tijolo, destaque para:
TRXF11 (aprox. 8,7% do PL)
Fundo de hotéis BTH11 (cerca de 6%)
Outras posições em logística, shoppings e corporativo
Nos fundos de papel:
IRIM11 (quase 9% do PL)
BTCI11 (cerca de 4%)
VGIP11, VGF11 e outros
O fundo também mantém dois imóveis diretos, com destaque para participação relevante no Shopping Pátio Maceió, representando aproximadamente 5,9% do patrimônio.
Perspectiva para 2026: efeito da queda da Selic
Com expectativa de ciclo de corte da Selic ao longo de 2026, os fundos imobiliários tendem a:
Reduzir custo de capital
Aumentar fluxo para renda variável
Valorizar cotas no mercado secundário
Como o BTHF11 possui grande exposição a cotas de outros FIIs, ele pode capturar ganhos duplos:
Dividendos recorrentes
Lucro com venda de cotas valorizadas
Esse modelo híbrido — renda + gestão ativa — é o que sustenta a tese de crescimento adicional mesmo após a forte alta recente.
Ainda vale a pena após alta de 49%?
Apesar da valorização expressiva:
O fundo ainda negocia com desconto (P/VP 0,96)
Mantém yield acima de 11%
Possui caixa robusto
Apresenta gestão ativa e diversificada
Conta com base superior a 315 mil cotistas
O movimento recente mostrou que quem comprou na faixa de R$ 7,00 capturou forte valorização. Contudo, o desconto atual e o cenário macro ainda sugerem espaço para continuidade do ciclo.
O BTHF11 entra em 2026 consolidado como um dos principais fundos Base 10 do mercado, combinando geração de renda consistente, estratégia ativa e potencial de valorização em um ambiente de juros em queda.
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