A Unipar (UNIP3, UNIP5 e UNIP6), uma das maiores empresas químicas da América do Sul, voltou a chamar a atenção dos investidores após detalhes sobre a estratégia de longo prazo adotada por Luiz Barsi, conhecido como um dos maiores investidores individuais da Bolsa brasileira.
Durante uma entrevista sobre investimentos, representantes da família Barsi relataram que a participação na companhia foi construída gradualmente, durante aproximadamente 10 a 15 anos. A tese não se baseou apenas em projeções financeiras, mas no conhecimento da operação, na visita às fábricas e na identificação das barreiras existentes no setor químico.
Unipar está presente em produtos essenciais
Apesar de não ser conhecida por grande parte dos consumidores, a Unipar fabrica matérias-primas utilizadas em atividades essenciais. O cloro produzido pela companhia é empregado no tratamento de água potável e de esgoto, enquanto a soda cáustica atende setores como papel e celulose, alumínio, produtos de limpeza e indústria química.
A empresa também produz PVC, material utilizado na construção civil, em tubos, conexões, embalagens e diferentes produtos industriais. Atualmente, a Unipar é a maior produtora de cloro e soda cáustica e a segunda maior fabricante de PVC da América do Sul.
A companhia possui quatro unidades produtivas: Cubatão, Santo André e Camaçari, no Brasil, além de Bahía Blanca, na Argentina. A fábrica localizada no Polo Industrial de Camaçari amplia a presença da empresa no Nordeste e aproxima a produção de importantes mercados consumidores.

Principais números da Unipar
| Indicador | Dado atualizado |
|---|---|
| Receita líquida em 2025 | R$ 5,10 bilhões |
| Ebitda em 2025 | R$ 1,10 bilhão |
| Dividendos distribuídos em 2025 | R$ 1,35 bilhão |
| Utilização da capacidade em 2025 | 79% |
| Total de ações emitidas | 113,17 milhões |
| Participação direta de Luiz Barsi nas ações ON | 14,20% |
| Unidades produtivas | 4 |
Os dados oficiais mais recentes mostram que Luiz Barsi possuía diretamente 5,57 milhões de ações ordinárias da Unipar em outubro de 2025, equivalentes a 14,20% dessa classe. A companhia possui, ao todo, 113,17 milhões de ações, considerando papéis ordinários e preferenciais.
A referência a aproximadamente 18 milhões de ações feita durante a entrevista pode envolver papéis de diferentes classes, posições familiares ou uma situação existente na época da gravação. O número oficial divulgado pela companhia deve ser utilizado como base para a participação direta atual.
Dividendos reforçaram o interesse pelas ações
A Unipar distribuiu R$ 1,35 bilhão em dividendos durante 2025, valor bem superior aos R$ 448,32 milhões pagos em 2024. Somente em dezembro, os acionistas preferenciais receberam aproximadamente R$ 6,48 por ação, considerando duas distribuições aprovadas no mesmo dia.
Ao longo de 2025, as ações preferenciais classe B, negociadas pelo código UNIP6, receberam aproximadamente R$ 12,48 por papel. Os titulares dessas ações têm direito a dividendos 10% superiores aos pagos aos acionistas ordinários.
Entretanto, os pagamentos elevados não garantem que os mesmos valores serão repetidos. A Unipar atua em um setor cíclico, influenciado pelos preços internacionais do PVC e da soda cáustica, pela demanda industrial, pelo custo da energia e pelo ritmo da construção civil.

Estratégia exige paciência e preço adequado
A principal lição apresentada pela família Barsi é que uma boa empresa não representa automaticamente um bom investimento em qualquer cotação. A estratégia consiste em comprar companhias sólidas, com capacidade de gerar caixa e pagar dividendos, mas somente quando as ações oferecem uma margem de segurança.
No caso da Unipar, a posição foi formada quando a companhia enfrentava baixa liquidez, menor interesse dos investidores institucionais e dúvidas relacionadas à sucessão e à governança. A recuperação operacional e os ciclos favoráveis das commodities químicas contribuíram posteriormente para a valorização dos papéis.
Para quem analisa as ações da Unipar atualmente, o histórico de dividendos é um ponto relevante, mas deve ser acompanhado dos resultados operacionais, do endividamento, dos investimentos e das condições do setor. O desempenho passado, especialmente em períodos de distribuição extraordinária, não assegura pagamentos semelhantes no futuro.
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