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Início » Últimas Notícias » Lucro do Bradesco supera projeções no 4T25, mas guidance moderado acende alerta no mercado
Dividendos

Lucro do Bradesco supera projeções no 4T25, mas guidance moderado acende alerta no mercado

Banco entrega resultado sólido, com avanço operacional e controle de despesas, porém indica desaceleração em alguns indicadores-chave para 2026
Felipe AndradePor Felipe Andrade6 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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O Bradesco divulgou o balanço do quarto trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 6,516 bilhões, número cerca de 2% acima do projetado pelo mercado, que estimava aproximadamente R$ 6,39 bilhões. O resultado representa um crescimento de 5% em relação ao 3T25 e uma forte alta de 20,6% na comparação anual, reforçando a trajetória de recuperação gradual do banco.

Apesar da surpresa positiva no lucro, o mercado avalia o balanço de forma mais cautelosa, especialmente diante das diretrizes divulgadas para 2026, que indicam uma possível desaceleração em alguns vetores de crescimento.

Margem financeira cresce, mas provisões seguem pressionando

A margem financeira total avançou R$ 535 milhões no trimestre, impulsionada tanto pela margem com clientes quanto pela margem com mercado. Na comparação anual, a margem financeira com clientes cresceu 17,4%, enquanto a margem financeira total avançou 14,9%.

Por outro lado, as provisões para perdas com crédito aumentaram R$ 268 milhões, com maior pressão no segmento massificado. Embora o atacado tenha mostrado melhora, o crescimento das provisões segue como um ponto de atenção para investidores, especialmente em um ambiente de juros ainda elevados.

Receitas de serviços superam despesas e mostram avanço estrutural

Um dos destaques positivos do balanço foi a receita de prestação de serviços, que cresceu 8,9% em 12 meses e 4% na comparação entre quartos trimestres. Esse crescimento superou a expansão das despesas, sinalizando ganho de eficiência operacional.

Dentro desse segmento, chama atenção o desempenho de mercado de capitais e assessoria financeira, com alta de 29,2% em 12 meses e expressivos 40,9% na comparação anual, mostrando avanço justamente em áreas mais disputadas por fintechs.

Controle de despesas segue firme mesmo com investimentos estratégicos

As despesas operacionais totais cresceram 8,5% em 12 meses. Sem os efeitos da maior participação na Cielo e da aquisição do Banco John Deere, o crescimento teria sido ainda menor, em torno de 6,9%.

As despesas administrativas, por sua vez, tiveram queda de 0,2%, mesmo com investimentos relevantes em tecnologia da informação. O banco compensou esse movimento com reduções em outras linhas, como custos com instalações, reforçando o discurso de eficiência.

Carteira de crédito cresce mesmo com Selic elevada

A carteira de crédito total do Bradesco cresceu 12,7%, enquanto a carteira expandida avançou 11%, com crescimento tanto em pessoas físicas quanto jurídicas. O segmento de grandes empresas mostrou desaceleração, reflexo do ambiente de juros elevados, mas o banco conseguiu manter um ritmo robusto de expansão.

A inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 4,1%, nível considerado estável dentro do atual ciclo econômico. Em pessoas físicas, o indicador ficou em 5,4%, patamar elevado, mas compatível com o cenário de Selic alta.

Qualidade da carteira melhora com mais garantias

Um ponto estruturalmente positivo foi o avanço da carteira com garantias. Em 2022, apenas 48,5% do crédito possuía garantias. No fim de 2025, esse número saltou para 59,3%, reduzindo o risco de perdas futuras e fortalecendo a resiliência do balanço em cenários mais adversos.

Seguros mantêm desempenho forte, com ressalva em saúde

O braço de seguros, previdência e capitalização entregou um resultado robusto:

  • Lucro trimestral: R$ 2,8 bilhões

  • Lucro anual: R$ 10,1 bilhões

  • Crescimento anual: 11,2%

Na comparação trimestral e anual, o avanço foi de 10,6%, reforçando a relevância do resultado operacional além do efeito financeiro da Selic.

O ponto de atenção ficou para o índice combinado da área de saúde, que subiu de níveis próximos a 94 para 97,8, refletindo aumento de sinistros. Ainda assim, o desempenho geral do segmento segue positivo.

Guidance para 2026 indica desaceleração relativa

Apesar do bom desempenho em 2025, o guidance divulgado para 2026 trouxe leituras mais cautelosas:

IndicadorRealizado 2025Guidance 2026
Carteira de crédito expandida+11%Faixa inferior ao ritmo de 2025
Margem financeira líquidaR$ 40,1 biR$ 42 a 48 bi
Receita de serviçosTopo do guidanceCrescimento de 3% a 5%
Despesas operacionais+8,5%6% a 8%
Resultado de seguros+16,1%Crescimento menor que 2025

O mercado pode interpretar o guidance como mais conservador, especialmente após uma forte valorização das ações ao longo de 2025.

Reação do mercado pode ser negativa no curto prazo

Mesmo com lucro acima do esperado e sinais claros de recuperação operacional, o Bradesco entra em 2026 após uma alta acumulada superior a 100% desde os fundos de 2025. Nesse contexto, qualquer sinal de desaceleração tende a gerar realização de lucros no curto prazo.

O balanço reforça que a recuperação segue em curso, mas de forma gradual e disciplinada, sem aceleração abrupta. Para investidores, o foco agora passa a ser a capacidade do banco de sustentar crescimento com qualidade, eficiência e controle de risco em um cenário de juros ainda desafiador.

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Felipe Andrade
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Felipe Andrade é analista de investimentos e colunista de mercado, com experiência em renda variável e mercados globais. Na A Revista, acompanha ações, empresas, petróleo, energia, commodities e mercados internacionais. Analisa resultados e documentos das companhias, contextualiza riscos e diferencia dados de expectativas.

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