A Axia Energia (AXIA3) ganhou um novo ponto de atenção para quem acompanha ações de dividendos. A XP Investimentos reiterou recomendação de compra para os papéis e estabeleceu preço-alvo de R$ 74,50, mesmo projetando um período mais difícil para os resultados no curto prazo.
O cenário traçado pela casa combina duas forças opostas: pressão sobre os preços de energia nos próximos meses e uma expectativa mais favorável para geração de caixa e remuneração ao acionista no horizonte mais longo. A estimativa da XP aponta para dividend yield de 11% em 2026 e 14% em 2027, além de uma taxa interna de retorno real de 11,8%.
Dividendos da AXIA3 ganham peso na tese
A expectativa de dividendos elevados não surge apenas das projeções dos analistas. Os números operacionais recentes mostram uma companhia com capacidade relevante de geração de resultados.
No segundo trimestre, a Axia investiu R$ 3,117 bilhões, avanço de 53% na comparação anual. O EBITDA regulatório ajustado alcançou R$ 6,683 bilhões, com crescimento de 21,5%, enquanto o lucro líquido ajustado ficou em R$ 1,608 bilhão.
A companhia também informou que havia aprovado até R$ 3,7 bilhões para alocação referentes ao resultado do segundo trimestre. Somado ao montante do primeiro trimestre, o valor disponível para alocação no primeiro semestre chegou a até R$ 7,7 bilhões. Isso não significa que todo o montante será necessariamente convertido em dividendos em dinheiro, já que a administração pode utilizar diferentes mecanismos de alocação de capital.
Principais números no radar
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Preço-alvo da XP | R$ 74,50 |
| Dividend yield estimado para 2026 | 11% |
| Dividend yield estimado para 2027 | 14% |
| EBITDA regulatório ajustado 2T26 | R$ 6,683 bilhões |
| Investimentos no 2T26 | R$ 3,117 bilhões |
| Recursos disponíveis para alocação no 1S26 | Até R$ 7,7 bilhões |
Curto prazo ainda traz pressão
A leitura positiva para os próximos anos não elimina os riscos mais imediatos. A XP espera um terceiro trimestre mais pressionado por preços de energia menos favoráveis, situação que levou os analistas a descreverem o momento como uma espécie de período difícil antes de um cenário potencialmente melhor.
A casa também considera que o mercado ainda pode não estar precificando integralmente o valor das hidrelétricas flexíveis da companhia. Esses ativos conseguem ajustar a geração conforme as condições do sistema elétrico, característica que pode ganhar importância com a ampliação de fontes intermitentes, como solar e eólica.
A tese, portanto, depende não apenas dos resultados trimestrais, mas da capacidade da Axia de capturar melhores preços de energia, executar seus investimentos e transformar sua escala operacional em geração de caixa.
BlackRock reduz participação na Axia
Outro movimento recente chamou atenção. A BlackRock reduziu sua participação nas ações ordinárias da companhia para 115,7 milhões de papéis, equivalentes a aproximadamente 4,93% da classe.
Nas preferenciais classe C, a gestora passou a deter cerca de 24,18 milhões de ações, correspondentes a aproximadamente 4,06%. A comunicação ao mercado ocorreu após a posição em ações ordinárias cair abaixo do patamar de 5%.
A redução, isoladamente, não indica uma mudança nos fundamentos da empresa. Movimentos de grandes gestores podem ocorrer por rebalanceamento de carteiras, limites internos de exposição e outros fatores que não necessariamente representam uma avaliação negativa sobre uma companhia específica.
Estrutura acionária também libera capital
A Axia continua avançando na simplificação de sua estrutura de capital. Em agosto, o conselho aprovou o resgate de 37,237 milhões de ações preferenciais classe C, operação equivalente a R$ 2 bilhões.
O preço definido para o resgate foi de R$ 53,71 por ação PNC. A movimentação faz parte da estratégia de redução gradual dessa classe de ações depois da migração para o Novo Mercado da B3.
Ao mesmo tempo, a companhia mantém uma agenda pesada de investimentos, especialmente em transmissão. São 288 empreendimentos de grande porte em execução, com potencial para adicionar aproximadamente R$ 2 bilhões em Receita Anual Permitida até 2030.
Esse equilíbrio entre expansão, alocação de capital e distribuição aos acionistas será determinante para saber se os dividend yields projetados para AXIA3 poderão efetivamente se materializar.
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