O período de menor direção do Ibovespa aumentou a importância da análise individual das empresas. Entre papéis que avançaram fortemente e ações que permanecem pressionadas, seis nomes mostram situações bastante diferentes para quem acompanha preço, dividendos e valuation.
Petrobras (PETR4), Banco do Brasil (BBAS3), Itaúsa (ITSA4), Porto (PSSA3), Vulcabras (VULC3) e Bradesco (BBDC3; BBDC4) combinam atualmente diferentes níveis de risco e expectativa de retorno.
PETR4 negocia perto das máximas enquanto analistas elevam projeções
A Petrobras voltou a ganhar força com a valorização do petróleo. O UBS BB elevou em 22 de setembro seu preço-alvo para PETR4 de R$ 60 para R$ 62, mantendo recomendação de compra. O banco destacou produção elevada, exposição ao petróleo e geração de caixa como pontos favoráveis.
O avanço da ação, porém, reduziu parte do desconto existente meses atrás. Isso torna o preço do petróleo e a capacidade da companhia de transformar o cenário favorável em fluxo de caixa e dividendos ainda mais relevantes.
O BB Investimentos, por exemplo, havia definido em agosto preço-alvo de R$ 55 para 2027, mostrando que as projeções entre as instituições continuam bastante diferentes.
BBAS3 ainda negocia abaixo do patrimônio
O Banco do Brasil passou por forte recuperação desde as mínimas recentes. Em 18 de setembro, BBAS3 fechou a R$ 23,20 após valorização próxima de 30% em 30 dias.
Mesmo assim, o papel ainda negociava abaixo do valor patrimonial por ação de R$ 31,64, equivalente a um P/VP próximo de 0,73 vez naquela data.
Esse desconto coloca o valor patrimonial entre os indicadores relevantes para acompanhar BBAS3. A recuperação sustentável, entretanto, dependerá principalmente da evolução do lucro, inadimplência e rentabilidade do banco.
ITSA4 se aproxima de referências mais exigentes de valuation
A Itaúsa aparece em uma situação diferente. A própria companhia mostra ITSA4 ao redor de R$ 14,10, enquanto relatórios acompanhados pelo RI apresentam preços-alvo que recentemente variavam de R$ 15 a R$ 18,50.
A holding também mantém pagamentos recorrentes aos acionistas. Está programado para 1º de outubro JCP líquido de R$ 0,02 por ação para quem estava na base acionária de 31 de agosto.
Após a valorização recente, porém, o investidor precisa separar a perspectiva de crescimento das empresas do portfólio do retorno proporcionado pelo preço atual da ação.
PSSA3 combina crescimento com payout menor
A Porto aprovou em setembro R$ 333,4 milhões em JCP referente ao terceiro trimestre. O valor preliminar corresponde a R$ 0,520657 bruto por ação, com pagamento previsto até 30 de abril de 2027.
A companhia possui uma dinâmica diferente de empresas que distribuem parcela maior do lucro, porque parte maior dos recursos pode permanecer no negócio para financiar expansão.
Por isso, a análise de PSSA3 não deve se limitar ao dividend yield. Crescimento dos resultados e geração de valor também ganham peso no valuation.
VULC3 tem recompra de até 15 milhões de ações
Entre as seis empresas, a Vulcabras chama atenção pelo movimento de queda das ações e pela estratégia de alocação de capital.
A empresa aprovou em agosto um programa para recompra de até 15 milhões de ações, equivalente a aproximadamente 13,56% dos papéis em circulação na data da aprovação. O programa poderá permanecer ativo até fevereiro de 2028.
Gestoras também aumentaram exposição à companhia. A Guepardo informou participação de 5,11% do capital, enquanto a Real Investor chegou a 5,14%.
O ponto central para os próximos trimestres será acompanhar redução da dívida, geração de caixa e eventual espaço para ampliar novamente a remuneração aos acionistas.
Bradesco passa por aumento relevante no número de ações
No Bradesco, o investidor precisa considerar o aumento de capital em andamento.
O banco autorizou a emissão de 604,85 milhões de novas ações, sendo aproximadamente 302,88 milhões ordinárias e 301,98 milhões preferenciais.
Até o encerramento do período inicial de subscrição, haviam sido subscritas 402,47 milhões de ações. Outras 202,38 milhões ficaram disponíveis na etapa de subscrição das sobras, entre 21 e 25 de setembro.
Os preços de emissão foram definidos em R$ 15,43 para as ordinárias e R$ 17,64 para as preferenciais, com desconto de 6% sobre as cotações utilizadas como referência pela instituição.
A operação aumenta a quantidade de ações entre as quais os lucros e proventos serão distribuídos, tornando importante acompanhar a evolução do lucro por ação após a conclusão do processo.
Preço de entrada muda bastante entre as seis ações
As seis companhias mostram por que observar apenas dividend yield pode produzir conclusões incompletas.
PETR4 está sustentada pelo petróleo e por expectativas elevadas de geração de caixa; BBAS3 continua negociando abaixo do patrimônio; ITSA4 preserva pagamentos recorrentes; PSSA3 combina dividendos com estratégia de crescimento; VULC3 aposta em redução de alavancagem e recompra; e Bradesco enfrenta os efeitos de uma emissão relevante de novas ações.
Com o Ibovespa oscilando em uma faixa mais estreita, o próximo movimento dessas empresas dependerá menos da direção do índice e mais da capacidade de entregar lucro, caixa e retorno ao acionista nos próximos balanços.
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