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Início » Últimas Notícias » Itaúsa (ITSA4) sobe quase 100% desde 2025 e paga 8% em dividendos: ainda vale comprar a R$ 14,68?
Dividendos

Itaúsa (ITSA4) sobe quase 100% desde 2025 e paga 8% em dividendos: ainda vale comprar a R$ 14,68?

Após forte valorização e rompimento técnico, ITSA4 atrai investidores com dividend yield elevado, mas já opera acima do preço-teto projetado
Mariana DuartePor Mariana Duarte23 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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As ações da Itaúsa (ITSA4) encerraram o pregão negociadas a R$ 14,68, acumulando uma valorização próxima de 90% a 100% desde o início de 2025, quando chegaram a ser negociadas na faixa dos R$ 8.

O movimento acelerado recoloca o papel no radar dos investidores, especialmente aqueles focados em renda passiva e dividendos consistentes. Nos últimos 12 meses, o dividend yield gira em torno de 8%, um patamar atrativo dentro do segmento de holdings financeiras.

Mas após essa forte alta, a pergunta que ganha força é: ainda há margem de segurança ou o papel já esticou demais?

Indicadores fundamentais: ainda é barganha?

Com ITSA4 a R$ 14,68, os principais múltiplos indicam:

IndicadorValor Atual
Preço/Lucro (P/L)~10x
Preço/Valor Patrimonial (P/VP)~1,7x
Dividend Yield (12 meses)~8%
Preço Justo (modelo Graham)R$ 16,23
Potencial até preço justo~10%

O P/L de 10x indica que o investidor levaria aproximadamente 10 anos de lucros para recuperar o capital investido — um patamar considerado saudável para empresas do setor financeiro.

No entanto, o P/VP de 1,7x já mostra que o papel não está mais descontado como esteve quando negociava próximo a R$ 8. Naquele momento, havia ampla margem de segurança. Hoje, o desconto diminuiu significativamente.

Preço-teto e margem de segurança

Utilizando modelos clássicos de valuation focados em dividendos, o preço-teto estimado gira em torno de R$ 13,00.

Com a ação acima desse nível, o investidor passa a ter:

  • Menor margem de segurança

  • Maior risco de correção técnica

  • Potencial de retorno mais limitado no curto prazo

Ainda assim, considerando o preço justo de R$ 16,23, existe um upside aproximado de 10%. Porém, o risco de um retorno até suportes técnicos pode ser maior do que o ganho até o preço justo no curto prazo.

Dividendos: 7 a 8 pagamentos por ano

Um dos grandes atrativos da Itaúsa é sua frequência de pagamentos. A holding costuma distribuir dividendos 7 a 8 vezes por ano, combinando:

  • Dividendos regulares trimestrais

  • Repasses extraordinários oriundos do Itaú

Em dezembro de 2025 foi anunciado um provento relevante que impactou o pagamento de fevereiro de 2026. Há expectativa de novos anúncios dependendo da política de dividendos do Itaú.

Para 2026, as projeções indicam:

  • Payout estimado: 75%

  • Dividend yield projetado: próximo de 8%

Mesmo com a Selic em patamar elevado, o papel segue competitivo, especialmente considerando o potencial de valorização adicional via oscilação de mercado.

JP Morgan eleva preço-alvo

Um grande banco internacional elevou recentemente o preço-alvo da Itaúsa para R$ 17,50, mantendo recomendação de compra.

Isso sugere um potencial superior a 15% frente às cotações atuais, reforçando a tese de que, apesar da alta expressiva, ainda há espaço para valorização estrutural.

Fato relevante: aumento de capital da Aegea

Em fevereiro de 2026, foi aprovado aumento de capital da Aegea, empresa do setor de saneamento na qual a Itaúsa possui participação.

A holding aportou cerca de R$ 277 milhões.

Embora o valor não comprometa significativamente o caixa no curto prazo, investidores devem acompanhar:

  • Possíveis novos aportes futuros

  • Impacto no fluxo de dividendos

  • Eventual redução temporária de distribuição

Como holding, a Itaúsa carrega naturalmente o risco de alocação de capital em suas investidas.

Análise técnica: suporte e resistência

Do ponto de vista gráfico:

  • Forte tendência de alta desde 2025

  • Valorização acumulada superior a 88%

  • Rompimento de resistência recente

Regiões importantes:

  • Suporte principal: R$ 14,00

  • Suporte secundário: R$ 13,40

  • Suporte mais forte em cenário de correção ampla: R$ 12,50

Caso o papel mantenha os R$ 14 como suporte, pode buscar novas máximas. Porém, após alta tão intensa, correções são naturais e esperadas.

Histórico de longo prazo impressiona

Nos últimos 10 anos, a Itaúsa entregou aproximadamente 870% de retorno acumulado, considerando valorização e dividendos reinvestidos.

Esse histórico reforça a tese de que o ativo é sólido para carteira de aposentadoria e renda passiva.

Vale a pena comprar ITSA4 agora?

Cenário atual:

  • Não está mais barata como esteve em R$ 8

  • Opera acima do preço-teto conservador

  • Ainda abaixo do preço justo estimado

  • Dividendos seguem consistentes

Para novos aportes, o ideal pode ser aguardar aproximação de suportes técnicos ou eventuais correções.

Para quem já está posicionado desde preços mais baixos, a estratégia pode envolver:

  • Realização parcial de lucros

  • Manutenção do núcleo para dividendos

  • Reentrada em níveis mais atrativos

A Itaúsa (ITSA4) continua sendo uma das holdings mais sólidas da Bolsa brasileira, combinando:

  • Histórico de rentabilidade robusto

  • Dividendos frequentes

  • Participação relevante no Itaú

  • Potencial de valorização adicional

No entanto, após alta próxima de 100%, o investidor precisa ser mais seletivo na entrada.

O ativo ainda tem fundamentos fortes, mas já não apresenta o mesmo desconto do início de 2025. O momento exige estratégia — não euforia.

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Mariana Duarte
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Mariana Duarte é jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com mais de 10 anos de experiência em redações de portais nacionais e especialização em jornalismo digital. Na A Revista, acompanha economia, empresas, mercados e tecnologia ligada a negócios. Trabalha com linguagem acessível, atribuição de fontes e verificação de dados e documentos.

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