O mais recente resultado do Itaú Unibanco reforça uma tese que já se repete há anos: o banco opera em um patamar que nenhum outro grande concorrente conseguiu sustentar no Brasil. Não se trata apenas de lucro elevado, mas de consistência, eficiência e geração de valor acima do custo de capital por mais de uma década consecutiva.
Com mais de 100 anos de história, o Itaú é hoje o maior banco da América Latina em ativos totais, que superam R$ 3 trilhões. A carteira de crédito se aproxima de R$ 1,5 trilhão, com crescimento robusto e bem distribuído entre pessoas físicas, pequenas, médias e grandes empresas. O valor de mercado gira em torno de US$ 90 bilhões, colocando o banco em um nível comparável a gigantes como Petrobras e acima de empresas como Vale.
Esse porte não veio acompanhado de ineficiência. Pelo contrário.
Crescimento de crédito com risco sob controle
A carteira de crédito do Itaú avançou mais de 6% em relação ao trimestre anterior e mais de 12% na comparação anual. O crescimento ocorre nos segmentos mais rentáveis, como cartão de crédito, crédito pessoal, consignado, veículos e financiamento imobiliário.
O ponto-chave é a diversificação. O banco cresce em múltiplas frentes, sem concentração excessiva, mantendo inadimplência e custo de crédito sob controle. Isso permite expansão com rentabilidade, algo raro em instituições desse tamanho.
ROE acima de 24% e criação contínua de valor
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) recorrente do Itaú supera 24% no trimestre e permanece acima de 23% no acumulado anual. Mais relevante do que o número isolado é o histórico: desde 2013, o banco mantém retorno consistentemente acima do seu custo médio de capital.
Essa diferença é o que gera valor econômico real ao acionista. Enquanto outros grandes bancos passaram por ciclos de destruição de valor ao longo dos anos, o Itaú atravessou crises, mudanças regulatórias e ciclos econômicos sem perder essa característica.
Eficiência operacional em níveis inéditos
O índice de eficiência caiu de cerca de 44% em 2019 para aproximadamente 38,8% em 2025. Na prática, isso significa que o banco gasta cada vez menos para gerar cada real de receita.
Esse ganho não é pontual. Ele resulta de uma transformação estrutural profunda, com milhares de iniciativas voltadas à automação, simplificação de processos, uso intensivo de dados e reorganização operacional. Mais de 20 mil colaboradores atuam em squads dedicados à melhoria contínua, algo difícil de replicar em instituições tradicionais.
O resultado aparece no lucro: somente no quarto trimestre de 2025, o Itaú registrou mais de R$ 12 bilhões em lucro líquido.
Rentabilidade além do crédito
Embora o crédito seja o coração do banco, a análise por área de negócio mostra um Itaú ainda mais poderoso. Segmentos como seguros, serviços e tesouraria apresentam retornos superiores a 50% sobre o capital alocado.
Isso revela que a rentabilidade do banco não depende exclusivamente da concessão de crédito. Caso áreas como seguros fossem separadas, poderiam facilmente se destacar como empresas altamente lucrativas de forma independente.
Outro ponto relevante é o excesso de capital, estimado em cerca de R$ 2,7 bilhões. Esse montante abre espaço para distribuições relevantes de dividendos ao longo do tempo.
Projeções para 2026 reforçam cenário sólido
As projeções indicam crescimento da carteira de crédito entre 5,5% e 10% em 2026, expansão da margem financeira, avanço das receitas de serviços e seguros e despesas crescendo abaixo da inflação. Em um cenário de queda gradual da taxa Selic, as margens tendem a se beneficiar ainda mais.
O Itaú costuma adotar uma comunicação conservadora e, historicamente, entrega resultados acima do que projeta. Essa postura reforça a percepção de previsibilidade e solidez.
A maturidade do Itaú e o limite do crescimento
Apesar de todos os números impressionantes, existe um ponto que merece atenção: o Itaú está muito próximo do seu nível máximo de penetração no mercado brasileiro. O banco é dominante, altamente eficiente e extremamente rentável, mas opera em um mercado maduro.
Esse contexto não invalida o investimento, especialmente para quem busca dividendos e menor volatilidade, mas reduz o potencial de crescimento explosivo no longo prazo.
É exatamente nesse espaço que surge um novo tipo de concorrente.
Nubank cresce onde o Itaú não consegue mais crescer
O Nubank avança em uma lógica completamente diferente. Com estrutura mais leve, custo marginal menor e base de clientes mais jovem, o banco digital cresce capturando novos usuários, inclusive fora do Brasil.
As projeções apontam crescimento expressivo do lucro em 2026, sustentado pela expansão da carteira de crédito, avanço do crédito consignado, aumento da monetização da base de clientes e ganhos de eficiência. O retorno sobre o capital já supera 30% em alguns cenários, com tendência de melhora.
No México, o Nubank mostra que seu modelo é replicável. A adoção cresce rapidamente, os depósitos avançam, o custo por cliente é menor e a receita média por usuário já supera estágios iniciais vividos no Brasil anos atrás. Esse movimento abre espaço para que o país represente parcela relevante do lucro consolidado até o fim da década.
Uma disputa que redefine o setor bancário
Enquanto o Itaú defende participação de mercado com excelência operacional, o Nubank captura uma nova base de clientes, formada por pessoas que já nasceram no ambiente digital e não enxergam agências físicas como algo necessário.
O Itaú segue como referência absoluta de rentabilidade, governança e geração de caixa. O Nubank, por sua vez, representa a opcionalidade de crescimento global, com um modelo que ainda não atingiu sua maturidade.
O que esse resultado do Itaú revela para o investidor
O balanço mais recente confirma que o Itaú continua sendo uma máquina de gerar valor, com retorno elevado, eficiência crescente e forte capacidade de distribuir dividendos. Ao mesmo tempo, o avanço do Nubank sinaliza que o setor bancário brasileiro vive uma mudança estrutural de longo prazo.
Para o investidor, o recado é claro: o Itaú permanece como um ativo defensivo, previsível e altamente lucrativo, enquanto o Nubank representa crescimento, transformação e maior volatilidade. Entender essa dinâmica é essencial para avaliar oportunidades no setor financeiro nos próximos anos.
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