O Banco Itaú voltou a apresentar um balanço consistente no quarto trimestre, confirmando a trajetória de crescimento sustentável e elevada rentabilidade. Apenas no período, o banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bilhões, alta de 13% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior e avanço próximo de 4% frente ao terceiro trimestre.
No acumulado de 2025, o Itaú consolidou-se como o banco mais lucrativo do país, com geração de valor expressiva e métricas operacionais acima da média do setor financeiro brasileiro.
Escala, liderança e rentabilidade acima dos concorrentes
Com mais de 100 anos de história, o Itaú é hoje o maior banco da América Latina em ativos totais, somando cerca de R$ 3 trilhões. O valor de mercado gira em torno de US$ 93 bilhões, enquanto a carteira de crédito ultrapassa R$ 1,5 trilhão, a maior do sistema financeiro nacional.
O grande diferencial, no entanto, está na rentabilidade. O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) atingiu 24,4% no trimestre, chegando a 26% nas operações no Brasil, nível muito superior aos principais concorrentes do setor bancário.
Esse desempenho posiciona o Itaú como o banco mais eficiente e rentável entre os grandes players listados na Bolsa.
Eficiência operacional em trajetória de melhora consistente
Outro destaque relevante do balanço foi a evolução do índice de eficiência, que caiu de patamares próximos a 44% em anos anteriores para 38,8%. Na prática, quanto menor esse indicador, melhor é a capacidade do banco de transformar receita em lucro.
O controle de despesas tem sido decisivo. As despesas não decorrentes de juros somaram cerca de R$ 17 bilhões no trimestre, com crescimento abaixo da inflação, reforçando a disciplina operacional da instituição.
Qualidade da carteira de crédito segue como diferencial
O Itaú apresentou melhora clara na qualidade do crédito, mesmo em um cenário macroeconômico mais restritivo. A inadimplência entre 15 e 90 dias caiu para 1,6%, enquanto a inadimplência acima de 90 dias permaneceu estável em 1,9%, níveis historicamente baixos e inferiores aos pares.
Além disso, a carteira renegociada recuou de R$ 40 bilhões para R$ 35 bilhões, representando uma parcela cada vez menor do crédito total. Esse movimento contribui para manter o custo de crédito controlado, que ficou em torno de R$ 9,4 bilhões, compatível com o tamanho da carteira.
Serviços e seguros impulsionam a criação de valor
Embora o crédito seja relevante, ele não é o principal motor de rentabilidade do banco. Em 2025, o Itaú registrou lucro recorrente próximo de R$ 47 bilhões, sendo apenas R$ 17 bilhões oriundos diretamente do crédito.
O grande destaque ficou com o segmento de serviços e seguros, que respondeu por R$ 25,7 bilhões de lucro, com ROE superior a 50%, reforçando que a maior criação de valor do banco vem das atividades menos intensivas em capital.
Dividendos elevados e política de payout atrativa
Em 2025, o Itaú distribuiu aproximadamente R$ 33,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, o que representou um payout de cerca de 72%. A expectativa é que o banco mantenha um payout próximo de 70%, sustentado por um índice de Basileia confortável e crescimento moderado da carteira de crédito.
Mesmo após a valorização recente das ações, o nível de proventos segue competitivo, com potencial de continuidade nos próximos anos.
Recompra de ações reforça retorno ao acionista
Outro ponto relevante foi a aprovação de um novo programa de recompra de até 200 milhões de ações preferenciais. Parte dos papéis será destinada a planos de incentivo, enquanto outra parcela poderá ser cancelada, reduzindo o número de ações em circulação.
Caso o programa seja executado integralmente, o impacto estimado equivale a um dividend yield adicional próximo de 1,8%, reforçando o retorno total ao acionista.
Perspectivas para 2026 indicam novo recorde de lucro
Para 2026, o guidance do Itaú aponta para:
Crescimento contínuo das receitas
Provisões sob controle
Expansão da receita de serviços e seguros
Despesas crescendo em linha ou abaixo da inflação
Com base nesses fatores, o banco pode alcançar lucro anual próximo de R$ 50 bilhões, patamar coerente com o desempenho recente. Nesse cenário, o P/L projetado ficaria em torno de 8,9, alinhado à média histórica da instituição.
Mantido um payout de 70%, o dividendo estimado chega a R$ 3,25 por ação, o que representa um dividend yield aproximado de 7,8% aos preços atuais.
Somando dividendos e crescimento orgânico do lucro, o retorno total embutido na ação pode se aproximar de 15% ao ano, um nível atrativo mesmo após a valorização recente.
Itaúsa deve sentir impacto direto dos bons resultados
Os números do banco têm reflexo quase direto na Itaúsa, já que 95% do resultado da holding é oriundo do Banco Itaú, que responde por 37,4% de participação no capital.
Somente com o lucro do quarto trimestre, a Itaúsa deve contabilizar cerca de R$ 4,6 bilhões, acima dos R$ 3,7 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior, indicando crescimento superior a 20% no lucro trimestral.
Apesar de ser formalmente diversificada, a Itaúsa segue altamente concentrada no Itaú — um fator que, diante da performance do banco, tem se mostrado positivo para os acionistas.
Itaú mantém posição de destaque no mercado
O balanço do quarto trimestre reforça que o Banco Itaú segue como a instituição financeira mais sólida, eficiente e rentável da Bolsa brasileira. A combinação de escala, qualidade do crédito, forte geração de caixa, dividendos elevados e disciplina operacional sustenta uma perspectiva positiva tanto para 2026 quanto para os próximos anos.
Mesmo após a valorização recente das ações, os números indicam que ainda há retorno relevante embutido no preço, tanto para investidores focados em renda quanto em crescimento.
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