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Início » Últimas Notícias » Grendene (GRND3) paga dividendos gigantes, mas ação levanta dúvida: oportunidade barata ou empresa sem crescimento?
Dividendos

Grendene (GRND3) paga dividendos gigantes, mas ação levanta dúvida: oportunidade barata ou empresa sem crescimento?

Fabricante de marcas como Melissa e Ipanema distribuiu dividendos extraordinários e negocia a cerca de 5 vezes o lucro, mas desempenho operacional levanta alerta para investidores.
André CarvalhoPor André Carvalho11 de março de 20265 minutos lidos
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As ações da Grendene (GRND3) voltaram ao radar de investidores após o anúncio de dividendos extraordinários que elevaram o dividend yield para mais de 30%, um dos maiores da bolsa brasileira. O pagamento generoso chama atenção principalmente entre investidores focados em renda passiva.

Apesar disso, a análise mais profunda dos resultados da empresa revela um cenário mais complexo: uma companhia extremamente sólida, com caixa robusto e alta rentabilidade, mas que enfrenta dificuldades para crescer operacionalmente nos últimos anos.

Esse contraste levanta uma dúvida comum entre investidores: GRND3 é uma oportunidade barata ou apenas uma ação que anda de lado?

O que faz a Grendene e por que a empresa é conhecida

A Grendene é uma das maiores fabricantes de calçados do Brasil, com forte presença no mercado de sandálias e chinelos. Seu portfólio reúne marcas conhecidas do consumidor brasileiro e internacional, como:

  • Melissa

  • Ipanema

  • Grenda

  • Rider

  • Zaxy

A empresa tem forte atuação no segmento feminino e também exporta parte relevante de sua produção, o que faz com que uma parcela da receita seja dolarizada, reduzindo parcialmente a dependência do mercado interno.

Na bolsa brasileira, a companhia negocia sob o código GRND3, possuindo apenas ações ordinárias e 100% de tag along, um fator positivo de governança corporativa.

Dividendos gigantes chamam atenção dos investidores

Um dos fatores que mais despertaram interesse recentemente foi o dividend yield de aproximadamente 37%, um valor extremamente elevado para padrões do mercado brasileiro.

Entretanto, esse percentual não representa a capacidade recorrente de pagamento da empresa.

O que ocorreu foi um dividendo extraordinário aprovado no fim de 2025, cuja data-com ocorreu em 26 de dezembro, funcionando praticamente como um “presente de Natal” para os acionistas.

Os pagamentos foram distribuídos em várias parcelas:

  • Janeiro de 2026

  • Março de 2026

  • Junho de 2026

  • Setembro de 2026

Somados, os dividendos ultrapassam R$ 1 por ação, o que explica o yield extremamente elevado.

Porém, especialistas alertam que esse patamar não é sustentável todos os anos, já que o pagamento veio principalmente de um acúmulo de caixa ao longo do tempo.

Empresa tem caixa bilionário e praticamente nenhuma dívida

Um dos maiores pontos fortes da Grendene é sua situação financeira.

Os dados mais recentes mostram:

IndicadorValor aproximado
Cotação da açãoR$ 4,52
Valor de mercadoR$ 4 bilhões
Dívida líquida-R$ 1 bilhão
P/Lcerca de 6 vezes
ROEcerca de 20%
Margem líquidaaproximadamente 25%

O dado mais impressionante é a dívida líquida negativa, que indica que a empresa possui mais dinheiro em caixa do que dívidas.

Na prática, se a companhia decidisse pagar toda a dívida hoje, ainda sobraria cerca de R$ 1 bilhão em caixa.

Esse nível de solidez financeira torna o risco de problemas financeiros extremamente baixo.

Ação barata pode enganar: lucro não cresce há anos

Apesar dos indicadores atrativos, existe um fator que explica por que a ação não dispara na bolsa: a empresa praticamente não cresce.

Nos últimos 10 anos:

  • O lucro permaneceu entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões

  • A receita cresceu pouco

  • O valor da ação ficou basicamente lateral

Isso cria o que muitos investidores chamam de “ação caranguejo” — aquela que anda de lado por longos períodos.

Nos últimos 12 meses, por exemplo, GRND3 caiu cerca de 22%, enquanto a bolsa brasileira teve desempenho superior.

Resultado financeiro está salvando os lucros

Outro ponto pouco percebido por parte do mercado é que parte relevante do lucro recente vem do resultado financeiro, e não do negócio operacional.

Isso ocorre porque a empresa possui um grande volume de caixa aplicado, que rende juros elevados.

Com a taxa de juros brasileira em níveis altos, esse dinheiro gera retorno relevante.

Ou seja:

  • Parte do lucro vem do dinheiro aplicado

  • Não apenas da venda de calçados

Com a distribuição de dividendos extraordinários, o caixa tende a diminuir, o que pode reduzir esse efeito positivo no futuro.

Estratégia da empresa levanta alerta

Outro ponto de atenção é a estratégia recente da companhia.

A empresa tem adotado uma política de:

  • Aumentar preços

  • Reduzir volume de vendas

O objetivo é preservar margens, mas essa estratégia traz um risco: se o volume cair demais, os custos fixos deixam de ser diluídos, o que pode pressionar resultados operacionais.

Os dados recentes mostram:

  • Receita praticamente estável ao longo da última década

  • Margem EBITDA em queda

  • EBIT menor em relação a anos anteriores

Isso reforça o cenário de crescimento limitado.

A ação está barata?

Do ponto de vista de valuation, a ação parece atrativa.

Considerando o lucro ajustado mais recente, o múltiplo fica próximo de:

5 vezes lucro

Na bolsa brasileira, empresas estáveis costumam negociar entre 10 e 15 vezes lucro.

Por isso, muitos investidores enxergam GRND3 como uma ação barata.

Mas o desconto existe justamente porque o mercado vê pouco potencial de crescimento.

Quando GRND3 pode valer a pena

Segundo análises de mercado, a ação pode fazer sentido principalmente em dois cenários:

  1. Compra em preços muito baixos, buscando dividendos

  2. Estratégia de renda passiva com empresas de caixa sólido

Nesses casos, o investidor pode se beneficiar de:

  • Dividendos periódicos

  • Eventuais dividendos extraordinários

  • Baixo risco financeiro

Por outro lado, quem busca crescimento acelerado ou valorização rápida da ação pode encontrar poucas oportunidades no papel.

O que acompanhar em 2026

Para avaliar o futuro da empresa, investidores devem acompanhar principalmente:

  • Evolução do volume de vendas

  • Crescimento da receita

  • Margens operacionais

  • Impacto da redução do caixa após dividendos

  • Estratégias de expansão internacional

Se a empresa conseguir voltar a crescer operacionalmente, o baixo valuation pode destravar valor na bolsa.

Caso contrário, GRND3 pode continuar sendo uma ação sólida, pagadora de dividendos, mas com preço andando de lado.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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