A ALLOS, considerada atualmente a maior empresa de shopping centers do Brasil, voltou ao radar de investidores após divulgar os resultados do quarto trimestre e do consolidado de 2025. Mesmo após uma valorização de aproximadamente 80% nos últimos 12 meses, a companhia ainda pode oferecer um dividend yield entre 10% e 11%, segundo projeções baseadas na cotação atual.
O potencial de distribuição de proventos elevados, aliado a uma estrutura financeira sólida e crescimento consistente nas vendas de seus shoppings, coloca a empresa entre as possíveis melhores pagadoras de dividendos da bolsa brasileira nos próximos anos.
Gigante dos shoppings no Brasil
A ALLOS se consolidou como líder no setor de shopping centers do país. Atualmente, a companhia possui:
- 55 shoppings no portfólio
- 45 shoppings próprios
- Mais de 13 mil lojas instaladas
- Cerca de 15 milhões de visitantes únicos em 2025
Esses ativos ajudaram a empresa a movimentar R$ 43 bilhões em vendas totais nos shoppings ao longo de 2025, reforçando sua posição dominante no setor.
A empresa também ampliou sua participação de mercado ao longo dos últimos anos. Enquanto anteriormente detinha cerca de 15% do mercado brasileiro de shopping centers, hoje essa fatia chegou a 20,9%, consolidando a liderança nacional.
Resultados financeiros mostram crescimento consistente
No consolidado de 2025, a empresa apresentou números relevantes:
Receita total:
- R$ 2,8 bilhões
- Crescimento de 7%
Receita operacional líquida:
- R$ 2,5 bilhões
- Crescimento de 5,9%
EBITDA:
- R$ 2,1 bilhões
- Crescimento de 7,5%
Geração de caixa operacional:
- R$ 1,3 bilhão
- Crescimento de 2,8%
Apesar de o crescimento do caixa operacional ter sido mais modesto, a expectativa da companhia é de expansão dessa geração de caixa nos próximos anos, especialmente em um cenário de juros mais baixos.
Dividendos podem superar 10% ao ano
A política da empresa prevê distribuir pelo menos 50% do fluxo de caixa operacional aos acionistas.
Considerando a geração de caixa operacional por ação de R$ 2,70, isso implicaria um dividendo mínimo de cerca de R$ 1,35 por ação, equivalente a aproximadamente 4,3% de dividend yield na cotação atual.
No entanto, a companhia sinalizou que pretende pagar muito mais do que o mínimo previsto na política.
As projeções indicam pagamentos mensais próximos de:
- R$ 0,29 por ação por mês
Se esse ritmo for mantido ao longo de 12 meses, o total anual pode atingir entre:
- R$ 3,36 e R$ 3,60 por ação
Isso representaria um dividend yield entre 10% e 11% ao ano, colocando a ALOS entre as empresas mais atrativas para investidores focados em renda passiva.
Vendas crescem muito acima da média do setor
Outro ponto que chama atenção nos resultados da companhia é o crescimento das vendas nos shoppings da empresa.
Desde 2021:
- As vendas nos shoppings da ALOS cresceram 62%
- A média do setor cresceu apenas 26%
Ou seja, a empresa vem ganhando mercado e desempenho acima dos concorrentes.
Presença regional ainda oferece espaço para crescimento
A distribuição de participação nas vendas por região mostra potencial de expansão em diversas áreas do país:
- Norte: 46% de participação
- Nordeste: 14%
- Centro-Oeste: 24%
- Sudeste: 22%
- Sul: 13%
Esse cenário indica que a companhia ainda possui espaço relevante para crescer principalmente no Nordeste e no Sul, regiões onde a participação ainda é menor.
Venda de ativos reforçou caixa e remunerou acionistas
Nos últimos anos, a empresa reduziu o número total de shoppings no portfólio após realizar desinvestimentos estratégicos.
Ao todo, as vendas de ativos geraram cerca de R$ 2,5 bilhões.
Todo esse valor foi direcionado aos investidores por meio de:
- dividendos
- recompra de ações
Entre 2023 e 2025, a companhia realizou programas agressivos de recompras.
Desde outubro de 2024, foram recompradas mais de 68 milhões de ações, a um preço médio de R$ 22,12 por ação.
O investimento total nas recompras foi de cerca de R$ 1,5 bilhão, criando aproximadamente R$ 400 milhões em valor para os acionistas, segundo estimativas da empresa.
Dívida controlada pode aumentar lucros
Outro ponto que anima analistas é a estrutura de capital da companhia.
A empresa possui uma alavancagem de apenas 1,7 vez dívida líquida/EBITDA, considerada bastante saudável para o setor.
Além disso:
- 98% da dívida está atrelada ao CDI
Isso significa que, em um cenário de queda da taxa de juros, a companhia poderá reduzir significativamente suas despesas financeiras.
Combinando esse fator com o possível crescimento das vendas nos shoppings, o resultado pode ser:
- aumento do lucro
- maior geração de caixa
- mais dividendos.
Outro ponto importante é o cronograma de dívida. A empresa possui poucas amortizações relevantes até 2027, com pagamentos mais significativos apenas a partir de 2028.
Eficiência operacional também melhorou
Mesmo com inflação elevada nos últimos anos, a companhia conseguiu reduzir despesas administrativas.
Os gastos gerais e administrativos ajustados pela inflação passaram de:
- R$ 500 milhões em 2022
para - R$ 452 milhões em 2025
Isso representa uma queda real de cerca de 10%, demonstrando maior eficiência operacional.
Investimentos mais cautelosos em 2026
Em 2025, a empresa investiu aproximadamente R$ 500 milhões em projetos.
Para 2026, a projeção é investir entre:
- R$ 350 milhões e R$ 450 milhões
A estratégia será focar em:
- projetos menores
- implementação rápida
- maior retorno financeiro
Essa postura mais conservadora reflete o cenário macroeconômico ainda incerto.
Dividendos mensais podem aumentar renda passiva
Desde outubro de 2024, a empresa passou a adotar pagamentos mensais de dividendos.
Isso permite que investidores utilizem a estratégia de reinvestimento dos proventos, aumentando gradualmente sua posição na empresa e ampliando a renda passiva ao longo do tempo.
Considerando o reinvestimento dos dividendos, o rendimento efetivo pode chegar próximo de 12% ao ano, segundo estimativas.
Remuneração ao acionista deve dobrar
A empresa também divulgou o histórico recente de remuneração aos acionistas:
2023
R$ 641 milhões em dividendos e recompras
2024
R$ 1,7 bilhão
2025
R$ 868 milhões
2026 (projeção)
R$ 1,7 bilhão novamente
Ou seja, a expectativa é dobrar o retorno aos acionistas em relação a 2025.
Empresa entra no radar dos investidores de dividendos
Com forte geração de caixa, liderança no setor, dívida controlada e potencial de dividendos mensais elevados, a ALOS pode se consolidar como uma das principais pagadoras de dividendos da Bolsa brasileira nos próximos anos.
Mesmo após a forte valorização recente das ações, a companhia continua no radar de investidores que buscam renda passiva consistente e previsível.






