A Caloi prepara uma nova etapa para um de seus nomes mais conhecidos. A Mobylette elétrica ganhou uma releitura voltada à mobilidade urbana, combinando motor de 500 W, pneus largos de 20 polegadas e uma construção propositalmente simples para disputar uma faixa mais acessível do mercado de veículos elétricos leves.
Apresentado ao público durante a Shimano Fest 2026, realizada em agosto no Memorial da América Latina, em São Paulo, o modelo abandona parte da complexidade encontrada na geração anterior e aposta em uma receita direta: motor no cubo traseiro, transmissão de velocidade única, garfo rígido e freios a disco mecânicos. A própria organização do evento confirmou a presença da Caloi entre as marcas disponíveis na área de bicicletas e test-rides.
O principal chamariz é o preço. Uma revenda consultada pela A Revista já lista a nova Mobylette em pré-venda por R$ 4.999, enquanto o pagamento à vista aparece por R$ 4.499,10. O preço pode variar entre lojas e condições comerciais.
Motor de 500 W é um dos destaques da nova Mobylette
A nova configuração utiliza um motor elétrico de cubo traseiro com 500 W, alimentado por sistema de 48 volts. A ficha divulgada por revenda também aponta 65 Nm de torque, números que colocam a proposta acima de várias bicicletas elétricas urbanas tradicionais equipadas com motores de 250 W ou 350 W.
A bateria tem capacidade declarada de 500 Wh e tensão de 48 V. Até o momento, porém, não há uma autonomia oficial da nova geração publicada na página institucional da Caloi localizada durante a apuração. Por isso, estimativas de quilômetros por carga não devem ser tratadas como especificação definitiva.
Também não faz sentido usar a autonomia da Mobylette anterior como referência direta: mudanças em motor, bateria, controlador, peso e calibração podem alterar significativamente o consumo de energia.
Ficha técnica da nova Caloi Mobylette
| Item | Especificação divulgada |
| Motor | Cubo traseiro elétrico |
| Potência | 500 W |
| Torque | 65 Nm |
| Bateria | 500 Wh |
| Tensão | 48 V |
| Transmissão | Single speed, 1 velocidade |
| Quadro | Aço |
| Garfo | Rígido em aço |
| Suspensão | Não possui |
| Freios | Disco mecânico |
| Rotores | 180 mm |
| Pneus | Fat Tire 20 x 4.0 |
| Acelerador | Sim, segundo ficha da revenda |
| Preço encontrado | R$ 4.999 |
As especificações comerciais consultadas confirmam motor, bateria, torque, transmissão, pneus e freios.
Simplicidade é parte da estratégia para baixar o preço

A redução de componentes ajuda a explicar o posicionamento da Mobylette.
A transmissão possui apenas uma velocidade, eliminando câmbio traseiro e trocador de marchas. Como o motor está instalado diretamente no cubo, a assistência elétrica assume boa parte do trabalho nos deslocamentos urbanos.
Outro corte está na suspensão. Tanto a dianteira quanto a traseira são rígidas. Para compensar parcialmente as irregularidades do piso, a Caloi adotou pneus 20 x 4 polegadas, conhecidos como fat tires.
Eles possuem grande volume de ar e podem absorver parte das pequenas imperfeições do asfalto, mas não substituem uma suspensão propriamente dita em buracos, lombadas ou pavimentos mais deteriorados.
Os freios seguem a mesma estratégia de custo. Há discos nas duas rodas, porém com acionamento mecânico, em vez de um sistema hidráulico mais caro.
O resultado é uma Mobylette bastante diferente das e-bikes de alto desempenho que hoje fazem parte do catálogo da própria Caloi. A E-Vibe Lift, por exemplo, também utiliza motor de 500 W, mas chega a 130 Nm, possui suspensões RockShox, transmissão Shimano de 11 velocidades e preço sugerido de R$ 29.900. São produtos destinados a públicos completamente diferentes.
Visual também muda em relação à antiga Mobylette
Apesar do nome histórico, a nova versão não tenta simplesmente reproduzir a Mobylette movida a combustão que marcou presença no Brasil décadas atrás.
O desenho segue uma interpretação contemporânea, com quadro compacto, banco alongado, pneus largos e motor integrado à roda traseira.
A Caloi já havia recuperado o nome Mobylette anteriormente em uma bicicleta elétrica. O manual disponibilizado pela fabricante para aquela geração mostra um projeto diferente, equipado inclusive com câmbio traseiro, trocador de marcha, bateria, display e outros componentes.
Na nova configuração, a transmissão single speed evidencia a busca por simplicidade.
Há uma questão importante sobre a classificação no trânsito
Um ponto merece atenção antes da comercialização em maior escala.
A ficha da revenda consultada informa que a nova Mobylette possui acelerador. Pela Resolução 996/2023 do Contran, uma bicicleta elétrica equiparada juridicamente a uma bicicleta precisa funcionar por pedal assistido, não pode possuir acelerador e deve limitar a assistência do motor a 32 km/h.
Equipamentos com acelerador podem se enquadrar na categoria de equipamento de mobilidade individual autopropelido, desde que respeitem requisitos como potência máxima de 1.000 W, velocidade de fabricação de até 32 km/h, largura máxima de 70 cm e distância entre eixos de até 130 cm. Acima dos limites estabelecidos, a classificação pode mudar para ciclomotor, com outras exigências legais.
Assim, a classificação definitiva da nova Mobylette depende das especificações homologadas do produto — especialmente velocidade máxima de fabricação, dimensões e configuração do acelerador — e não apenas do uso comercial da expressão “bicicleta elétrica”.
Nova Mobylette mira deslocamentos urbanos
A combinação entre 500 W, pneus largos e preço próximo de R$ 5 mil posiciona a Mobylette como uma alternativa voltada principalmente a trajetos urbanos curtos e médios.
A proposta não é oferecer suspensão sofisticada, transmissão de várias marchas ou componentes esportivos. A estratégia parece justamente oposta: retirar complexidade para colocar uma elétrica de marca tradicional em uma faixa de preço mais competitiva.
A confirmação definitiva de autonomia, peso, disponibilidade nacional e preço sugerido oficial da fabricante ainda será importante para estabelecer como a nova Mobylette se posicionará diante das e-bikes e equipamentos elétricos urbanos vendidos no Brasil.
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