O XP Malls (XPML11) encerra 2025 em meio a um dos períodos mais movimentados de sua história. O relatório de outubro revelou uma combinação de crescimento operacional, distribuição elevada de rendimentos e forte atividade de reciclagem de portfólio. No entanto, também confirmou o principal ponto de atenção dos investidores: o valor patrimonial por cota recuou novamente, refletindo um ambiente macroeconômico desafiador e o impacto das recentes transações do fundo.
Valor Patrimonial cai pelo terceiro mês e pressiona percepção de risco
O VP por cota do XPML11 caiu de R$ 113 para R$ 110 ao longo de outubro, acumulando uma sequência de recuos desde agosto, quando estava em R$ 119. Embora o portfólio continue robusto, a queda reflete:
ajustes de mercado no segmento de shoppings;
impacto de vendas e reprecificações internas;
distribuição acima do resultado recorrente.
Mesmo com o recuo no VP, o fundo mantém 26 shoppings, com mais de 330 mil m² de ABL, dominância no Sudeste e portfólio consolidado em centros de consumo de alta circulação.
Desempenho operacional segue forte com vendas e NOI em alta
Apesar do ambiente macro travado pela Selic ainda elevada no fim de 2025, os shoppings do XPML11 registraram:
Vendas por m²: R$ 1.408 em outubro, crescimento frente a 2024.
NOI caixa por m²: R$ 128, avanço anual consistente.
Vendas mesmas lojas (SSS): +2,4%.
Aluguel mesmas lojas (SSR): +0,6%.
Inadimplência: queda para 1,3%.
Vacância: leve alta para 4,1%, ainda controlada.
A proximidade de Black Friday e Natal reforçou a expectativa de forte desempenho no 4º trimestre, período historicamente mais rentável para shoppings.
Distribuição continua elevada, mas reservas diminuem
O fundo distribuiu R$ 0,92 por cota, acima do resultado de setembro, que ficou em aproximadamente R$ 0,89. O relatório confirma que o XPML11:
distribuiu mais do que gerou no mês;
distribuiu mais do que gerou no acumulado do ano;
reduziu a reserva de R$ 0,45 para R$ 0,24 por cota.
Parte da distribuição elevada é explicada pelo ganho de capital obtido na venda de participações do International Shopping Guarulhos, que adicionou cerca de R$ 0,35 por cota ao caixa do fundo.
Compras, vendas e nova estrutura com o CPSH movimentam o portfólio
O XPML11 finalizou em outubro uma grande transação com o CPSH, envolvendo compra de quatro shoppings e venda de parte do International Guarulhos.
Aquisições concluídas:
10% do Praia de Belas
4,53% do Shopping Metrô Tatuapé
15% do Shopping Metrô Boulevard Tatuapé
5,5% do Iguatemi Bosque
Venda concluída:
4,81% do International Shopping Guarulhos
A operação resultou em:
Recebimento à vista: R$ 76,7 milhões
Desembolso: R$ 266 milhões (boa parte já quitada)
Cap rate da aquisição: 8,5%
Aumento do NOI/m² acima da média do portfólio
A alavancagem aumentou, porém em nível considerado administrável com o reforço de liquidez previsto para 2026 e 2027.
A transação bilionária com o Risa Malls muda a estrutura do fundo
Um dos pontos mais relevantes do ano foi o avanço da negociação entre XPML11 e o Risa Malls, fundo estruturado para adquirir cerca de R$ 1,6 bilhão em ativos atualmente pertencentes ao XPML11.
O prospecto do Risa Malls, publicado no fim de 2025, projeta:
Captação inicial: R$ 820 milhões
Captação total pretendida: R$ 1 bilhão
Pagamento ao XPML11:
R$ 1 bilhão à vista,
R$ 528 milhões parcelados (seller finance),
R$ 191 milhões em cotas subordinadas, em fundo setipado e com prazo determinado.
Na prática, o XPML11 deve receber R$ 1,528 bilhão em dinheiro, crucial para:
reduzir alavancagem;
recompor caixa;
ampliar capacidade de investimento;
estabilizar distribuições.
A participação do XPML11 como cotista subordinado do Risa Malls é pequena na composição total, mas adiciona complexidade ao modelo operacional e depende do desempenho futuro do novo fundo.
Cota reage, mas volatilidade segue elevada
Em outubro, as cotas fecharam a R$ 105. Em novembro e dezembro, oscilaram entre R$ 106 e R$ 107, mas o fundo voltou a registrar quedas pontuais junto ao IFIX, que enfrentou correções no final do ano.
Mesmo com volatilidade:
Alta de 7,77% em 2025
Rentabilidade de 10,39% nos últimos 12 meses
Liquidez média de R$ 10,4 milhões por dia
Com o pagamento recorrente de R$ 0,92 e a expectativa de mais reforços de caixa, a continuidade das distribuições elevadas no curto prazo depende da concretização da operação com o Risa Malls.
Perspectivas para 2026: mais estabilidade, caixa reforçado e reavaliação do VP
Para 2026, três fatores são decisivos para o desempenho do XPML11:
1. Conclusão da venda para o Risa Malls
Se finalizada no início de 2026, injeta R$ 1 bilhão imediato no fundo.
2. Queda gradual da Selic
A expectativa de desaceleração dos juros no segundo semestre de 2026 favorece shoppings e fundos híbridos.
3. Reprecificação dos ativos e impacto no VP
Com a reorganização do portfólio, o XPML11 pode estabilizar o valor patrimonial após meses de queda.
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