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Início » Últimas Notícias » VALE3 perto de R$ 75: chegou a hora de comprar?
Ações

VALE3 perto de R$ 75: chegou a hora de comprar?

Ações voltam a uma faixa considerada atrativa por parte dos investidores, enquanto a mineradora registra produção histórica em metais estratégicos e reduz gradualmente a dependência do minério de ferro
Carlos MenezesPor Carlos Menezes30 de julho de 20265 minutos lidos
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As ações da Vale voltaram ao radar dos investidores depois de se aproximarem novamente da faixa dos R$ 75. O patamar ganhou relevância por coincidir com o preço-teto calculado no esboço analisado, além de ficar próximo de uma região técnica acompanhada por investidores que aguardam uma oportunidade para aumentar posição em VALE3.

O preço-teto mencionado foi revisado de R$ 72 para R$ 75. Trata-se de uma estimativa individual, baseada em projeções de resultados e margem de segurança, e não de um consenso do mercado ou garantia de valorização.

Além da queda recente da ação, o interesse pela mineradora está relacionado ao crescimento de seus negócios de cobre e níquel. Os dois metais são considerados estratégicos para redes elétricas, veículos eletrificados, baterias, data centers e projetos ligados à transição energética.

Principais dados da Vale

IndicadorResultado
Preço-teto citado na análiseR$ 75,00
Preço-teto anteriorR$ 72,00
Produção de minério de ferro no 2º trimestre de 202684,30 milhões de toneladas
Crescimento anual do minério de ferro1,00%
Produção de cobre98,40 mil toneladas
Crescimento anual do cobre6,00%
Produção de níquel42,00 mil toneladas
Crescimento anual do níquel4,00%

VALE3 entra em uma faixa considerada atrativa

No esboço que serviu de base para a matéria, o investidor afirma que pretende voltar a realizar aportes em Vale caso a ação permaneça próxima dos R$ 75. A análise combina fundamentos da companhia, preço-teto e a aproximação da cotação de uma média gráfica de longo prazo.

O objetivo declarado não é utilizar o gráfico para operações rápidas, mas identificar regiões mais favoráveis para novos aportes. Segundo a análise, a proximidade entre a média de 200 períodos e o preço calculado pelos fundamentos aumenta a atenção sobre VALE3.

A ação chegou a sofrer uma queda acentuada no início de julho, encerrando o pregão de 8 de julho em aproximadamente R$ 72,70, após ter aberto em R$ 75,22. O movimento reforça a volatilidade característica de empresas ligadas a commodities.

Vale registra melhor segundo trimestre desde 2018

Os fundamentos operacionais apresentaram sinais positivos no segundo trimestre de 2026. A produção de minério de ferro alcançou 84,30 milhões de toneladas, crescimento anual de 1,00% e melhor resultado para o período desde 2018.

O desempenho foi favorecido pela produção recorde do complexo S11D e pelos volumes adicionais dos projetos Capanema e VGR1. As vendas de minério de ferro chegaram a 79,70 milhões de toneladas, avanço de 3,00% na comparação anual.

Embora o minério continue sendo a principal fonte de receita da Vale, a expansão de outros segmentos pode tornar o portfólio da companhia mais diversificado ao longo dos próximos anos.

Cobre e níquel ganham espaço na estratégia

A produção de cobre atingiu 98,40 mil toneladas no segundo trimestre, alta anual de 6,00%. O resultado foi impulsionado principalmente pelos ativos brasileiros, com produção recorde para o período em Salobo e aumento dos volumes em Sossego.

O níquel alcançou 42,00 mil toneladas, avanço de 4,00%. A melhora foi sustentada pelo aumento da produção em Onça Puma e pelo resultado recorde da refinaria de Long Harbour, que compensaram os efeitos de uma manutenção programada nas instalações de Sudbury.

O desempenho dá continuidade aos avanços registrados no primeiro trimestre. Entre janeiro e março, a produção de cobre havia crescido 13,00%, para 102,30 mil toneladas, enquanto a produção de níquel aumentou 12,00%, para 49,30 mil toneladas.

Terras raras aparecem como possibilidade, mas não são prioridade

A Vale também avalia oportunidades relacionadas às terras raras no Brasil. Entretanto, a companhia demonstra cautela diante da necessidade de escala, tecnologia e competitividade para enfrentar produtores internacionais já consolidados.

A estratégia mais imediata está concentrada em setores nos quais a mineradora possui experiência operacional, reservas, infraestrutura e capacidade de produção, principalmente minério de ferro, cobre e níquel.

Na prática, as terras raras podem representar um possível gatilho futuro, mas não são o principal fundamento da tese atual. A geração de valor está mais diretamente ligada à expansão dos negócios já existentes e à melhora da produtividade das operações.

Vale pode continuar pagando bons dividendos?

O crescimento da produção e das vendas favorece a geração de caixa, mas os dividendos da Vale dependem de diversos fatores. Entre eles estão o preço internacional do minério de ferro, a cotação do cobre e do níquel, o câmbio, os investimentos, a dívida e eventuais despesas extraordinárias.

Por isso, mesmo que a empresa apresente bons resultados operacionais, não existe garantia de que os pagamentos passados serão repetidos no futuro.

VALE3 é oportunidade abaixo de R$ 75?

A faixa dos R$ 75 pode ser vista como uma região de observação para investidores que acreditam no crescimento da Vale no longo prazo. O preço está próximo do valor calculado na análise e o avanço de cobre e níquel fortalece a possibilidade de diversificação das receitas.

Por outro lado, VALE3 permanece exposta à economia chinesa, aos preços das commodities, ao aumento da oferta mundial de minério de ferro e aos riscos operacionais e ambientais.

A eventual oportunidade, portanto, não está apenas no recuo da cotação. Ela depende da capacidade da Vale de manter produção elevada, controlar custos, ampliar os metais básicos e transformar esses avanços em geração de caixa e dividendos para seus acionistas.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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