A queda do lucro da Vale (VALE3) no segundo trimestre pode transmitir uma impressão mais negativa do que os números operacionais realmente mostram. Enquanto a última linha do balanço recuou, indicadores considerados importantes para medir a capacidade de geração de recursos da mineradora avançaram.
O EBITDA proforma alcançou US$ 4,1 bilhões entre abril e junho, crescimento de 19% na comparação anual. O fluxo de caixa livre recorrente chegou a US$ 1,505 bilhão, US$ 497 milhões acima do registrado um ano antes. A dívida líquida expandida, por sua vez, caiu US$ 1,1 bilhão no trimestre e encerrou junho em US$ 16,7 bilhões.
Os números ajudam a explicar por que analisar VALE3 exclusivamente pelo lucro líquido pode produzir conclusões incompletas.
Lucro menor não significa necessariamente operação pior
Empresas de commodities estão expostas a câmbio, preços internacionais, derivativos e outros efeitos financeiros capazes de provocar fortes oscilações no lucro contábil sem que a mesma intensidade apareça na operação ou no caixa.
É justamente esse contraste que ganha importância no último balanço da Vale.
O EBITDA proforma avançou 19% em 12 meses, enquanto as vendas aumentaram nos três principais segmentos. A companhia comercializou 3% mais minério de ferro, 10% mais cobre e 7% mais níquel.
Para o investidor, isso significa que lucro líquido, geração operacional e geração de caixa precisam ser observados em conjunto.
| Indicador do 2T26 | Resultado |
|---|---|
| EBITDA proforma | US$ 4,1 bilhões |
| Crescimento anual do EBITDA | 19% |
| Fluxo de caixa livre recorrente | US$ 1,505 bilhão |
| Dívida líquida expandida | US$ 16,7 bilhões |
| Capex | US$ 1,1 bilhão |
| Recompra no trimestre | US$ 140 milhões |
Cobre muda parte da equação de VALE3
O ponto mais relevante para a tese de longo prazo talvez esteja fora do minério de ferro.
O preço realizado do cobre pela Vale alcançou US$ 14.062 por tonelada no segundo trimestre, avanço de 57% em relação ao mesmo período do ano anterior. No níquel, o preço realizado chegou a US$ 18.061 por tonelada, alta anual de 14%.
A produção também avançou. A Vale produziu 98,4 mil toneladas de cobre, crescimento de 6% em 12 meses e melhor resultado para um segundo trimestre desde 2017. A produção de níquel alcançou 42 mil toneladas, alta de 4%.
O crescimento dessas divisões reduz, ainda que parcialmente, a dependência da companhia em relação ao minério de ferro.
A própria Vale estreitou para cima sua projeção de produção de cobre em 2026, para 360 mil a 380 mil toneladas. No níquel, o intervalo passou para 185 mil a 200 mil toneladas.
Recompra adiciona outro componente ao retorno
Além da distribuição de proventos, a Vale está utilizando recompra de ações para remunerar indiretamente seus acionistas.
No segundo trimestre, foram destinados US$ 140 milhões à recompra de aproximadamente 8,77 milhões de ações. Um novo programa permite adquirir até 100 milhões de papéis em até 18 meses.
Quando as ações recompradas são posteriormente canceladas, o número de papéis entre os quais os resultados da empresa são divididos diminui. Mantidas as demais condições, isso pode elevar lucro e geração de caixa por ação.
A companhia também aprovou US$ 1,701 bilhão em dividendos e juros sobre capital próprio referentes aos resultados do primeiro semestre. O valor bruto aprovado corresponde a R$ 2,03072189812 por ação, sendo R$ 1,568705805 em JCP e R$ 0,462016093 em dividendos.
O que realmente precisa ser acompanhado em VALE3
Os números não eliminam os riscos.
O minério de ferro continua sendo determinante para a companhia, enquanto valorização do real, petróleo mais caro e fretes pressionaram custos no trimestre. O custo caixa C1 do minério chegou a US$ 24,1 por tonelada, avanço anual de 9%, enquanto o custo all-in subiu 18%, para US$ 61,6 por tonelada.
Para quem acompanha VALE3, portanto, a pergunta mais importante não é apenas se o lucro líquido caiu ou subiu.
A evolução do EBITDA, do fluxo de caixa, da dívida, dos custos do minério e principalmente da participação de cobre e níquel nos resultados pode oferecer uma leitura mais completa sobre a capacidade da Vale de continuar criando valor e remunerando seus acionistas.
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