A ação VALE3, da mineradora Vale S.A., voltou ao radar dos investidores após atingir R$ 60, o maior patamar desde setembro de 2024. O movimento de alta, que representa valorização de quase 25% desde junho, tem como pano de fundo as projeções de resultados fortes para o terceiro trimestre (3T25) e a expectativa de pagamento de dividendos adicionais ainda neste ano.
A perspectiva otimista é sustentada por grandes instituições financeiras. O BTG Pactual e a XP Investimentos destacam que a mineradora apresenta forte geração de caixa, redução de custos e eficiência operacional, o que abre espaço para uma distribuição mais generosa de proventos. O Banco do Brasil Investimentos (BB-BBI) também revisou sua recomendação para compra, elevando o preço-alvo de R$ 65 para R$ 68 por ação.
Dividendos bilionários no radar
A Vale já marcou as datas para divulgar seus próximos resultados: o relatório de produção e vendas sai em 21 de outubro, e o balanço financeiro do 3T25 será publicado no dia 30 de outubro, após o fechamento do mercado.
O anúncio é aguardado com grande expectativa porque, segundo projeções do mercado, o desempenho financeiro da companhia deve ser suficiente para autorizar novos pagamentos de dividendos bilionários — e possivelmente extraordinários.
Atualmente, a Vale mantém um dividend yield de 7,71%, segundo dados do Investidor10, mas o potencial é maior. Usando a metodologia de “dividendo preditivo”, o canal Ativo Virtual estima um DPA (dividendo por ação) de R$ 5,19, o que elevaria o rendimento anualizado para 9,6% e projetaria diferentes preços-teto:
4% de yield: R$ 129,78
6% de yield: R$ 86,52
8% de yield: R$ 64,89
10% de yield: R$ 51,91
Esses números reforçam que o papel segue descontado frente ao potencial de valorização. O P/L da companhia é de 9,23, e o P/VP, apenas 1,25 — indicadores que colocam a mineradora como uma das ações mais baratas entre os grandes players globais de commodities metálicas.
Eficiência e otimismo do mercado
De acordo com o BTG Pactual, a combinação de preços firmes das commodities, investimentos menores (CAPEX) e forte disciplina de capital deve gerar um fluxo de caixa consistente e reduzir a dívida líquida ajustada da Vale para algo entre US$ 15 e 16 bilhões.
A XP Investimentos também reforça o otimismo com a operação: “A Vale conseguiu manter margens saudáveis mesmo com preços médios mais baixos, sinal de uma gestão eficiente e disciplinada em seus custos operacionais.”
Outro ponto positivo é o ajuste do portfólio de minério de ferro, que busca reduzir descontos e capturar prêmios de preço, especialmente com o lançamento de produtos premium, como o Carajás + e o Pellet Feed, voltados ao mercado chinês.
Histórico e desafios
Apesar da trajetória de solidez, a Vale ainda carrega desafios relevantes. A companhia continua arcando com os desembolsos bilionários referentes ao acordo de reparação da barragem de Fundão (Samarco), com pagamentos de R$ 22,8 bilhões previstos para 2025.
Além disso, a mineradora ainda negocia com o governo federal questões regulatórias ligadas às concessões ferroviárias e enfrenta volatilidade nos preços internacionais do minério de ferro, que permanecem sob pressão por conta do desaquecimento da economia chinesa.
Mesmo assim, o consenso de mercado é de que a Vale mantém alta capacidade de resiliência e sólido posicionamento global. “A companhia está colhendo os frutos de uma reestruturação profunda, com foco em segurança, governança e eficiência”, afirma o relatório do BB Investimentos.
Hora de comprar ou esperar?
A análise técnica indica que as ações encontraram forte resistência na faixa dos R$ 60, o que pode gerar correções pontuais de curto prazo. Ainda assim, especialistas avaliam que o movimento de alta estrutural permanece de pé, especialmente se o resultado do 3T25 vier acima das projeções.
O BTG Pactual, contudo, mantém postura neutra no curto prazo, argumentando que o fluxo de caixa livre projetado para 2026 pode ficar abaixo de 10% — patamar considerado apenas razoável para novas recomendações de compra.
Investidores de longo prazo, por sua vez, observam na Vale uma oportunidade de recomposição de carteira, especialmente para quem busca renda recorrente via dividendos e exposição ao setor de mineração e exportação.
A virada está próxima
Com fundamentos sólidos, caixa robusto e projeções otimistas para 2025, a Vale reforça sua imagem como uma das empresas mais consistentes da Bolsa brasileira.
Se os resultados confirmarem as expectativas, a “hora da virada” para VALE3 pode finalmente ter chegado, com espaço para dividendos gordos e nova rodada de valorização das ações.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






