A Vale (VALE3) encerrou o segundo trimestre de 2026 combinando melhora operacional, forte geração de caixa e uma nova rodada de remuneração aos acionistas. Mesmo com pressões sobre custos e itens que afetaram o resultado líquido, a mineradora aprovou aproximadamente US$ 1,7 bilhão em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) e um novo programa de recompra de até 100 milhões de ações.
Para quem acompanha VALE3, o balanço revela uma situação mais ampla do que a leitura isolada do lucro líquido: vendas cresceram, o EBITDA avançou e o fluxo de caixa ganhou força.
Vale aprova R$ 2,03 por ação em dividendos e JCP
O Conselho de Administração aprovou uma remuneração bruta de R$ 2,030721898 por ação.
Desse montante, R$ 1,568705805 por ação correspondem a juros sobre capital próprio e R$ 0,462016093 por ação a dividendos. O JCP está sujeito à tributação conforme a situação de cada investidor.
| Remuneração da Vale | Valor por ação |
|---|---|
| JCP | R$ 1,5687 |
| Dividendos | R$ 0,4620 |
| Total bruto | R$ 2,0307 |
| Data-base na B3 | 11 de agosto |
| Ações ex-proventos | 12 de agosto |
| Pagamento | 2 de setembro |
Os valores foram declarados com base no balanço de 30 de junho e representam antecipação dos resultados de 2026 e/ou utilização de reservas de lucros.
EBITDA da Vale cresce 19% no segundo trimestre
O EBITDA Proforma atingiu US$ 4,1 bilhões, avanço de 19% na comparação anual. Segundo a companhia, o desempenho foi sustentado principalmente por maiores volumes de vendas e preços realizados mais elevados.
A geração de caixa também ganhou força. O fluxo de caixa livre recorrente chegou a US$ 1,505 bilhão, aproximadamente US$ 497 milhões acima do registrado um ano antes.
As vendas avançaram nos três principais negócios:
- minério de ferro: +3%;
- cobre: +10%;
- níquel: +7%.
O preço realizado dos finos de minério de ferro ficou em US$ 95 por tonelada, enquanto cobre e níquel alcançaram US$ 14.062 e US$ 18.061 por tonelada, respectivamente.
Custos do minério continuam no radar
Apesar da evolução operacional, os custos permanecem como um dos principais pontos de atenção.
O custo caixa C1 do minério de ferro chegou a US$ 24,10 por tonelada, com alta anual de 9%, enquanto o custo all-in alcançou US$ 61,60 por tonelada, avanço de 18%.
A Vale revisou suas projeções e passou a trabalhar com custo C1 entre US$ 22,50 e US$ 23,50 por tonelada e custo all-in entre US$ 58 e US$ 62 por tonelada. A companhia atribuiu parte da pressão à valorização do real e ao aumento dos preços do petróleo e do frete.
Esse fator é especialmente relevante porque o minério de ferro ainda representa a maior parcela dos negócios da mineradora.
Vale amplia recompra para até 100 milhões de ações
Além dos proventos, a Vale aprovou um novo programa de recompra limitado a 100 milhões de ações ordinárias ou ADRs, com duração de até 18 meses.
O programa começa após o encerramento da recompra anterior, previsto para agosto de 2026. No próprio segundo trimestre, a empresa desembolsou US$ 140 milhões para recomprar aproximadamente 8,77 milhões de ações.
A recompra reduz a quantidade de ações em circulação e pode aumentar proporcionalmente a participação dos acionistas que permanecem na companhia, embora não represente garantia de valorização da cotação.
O que observar em VALE3 daqui para frente
A fotografia deixada pelo segundo trimestre combina EBITDA maior, forte geração de caixa e continuidade da remuneração aos acionistas, mas também mostra que custos, preços das commodities e atividade econômica internacional continuam sendo variáveis decisivas.
Um ponto positivo é a diversificação. Cobre e níquel vêm aumentando sua importância dentro do portfólio, reduzindo gradualmente a dependência exclusiva do minério de ferro.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






